Escritas

Lista de Poemas

o que o tempo tece...

Já me encosta à parede a Vida
Levando meu dia soalheiro
Agora nem novas, sou ave perdida
Sem ter poiso, ou poleiro.
No meu olhar sinto o vazio
E a culpa e o dano são da vida!?
Já a vida é noite onde o frio
Me deixa de tristeza vencida.

Minhas palavras são seara
Florescendo no meu peito
Ele que a Vida tanto amara
Vê seu tempo já tão estreito.

A Vida é como o vento logo vai
Deixa a saudade de outrora
Que do meu coração não sai
Vive nele a toda a hora.
Voa,como o vento não se prende
E é livre como o Amor!
Pára o relógio de repente
E nos consome de dor.

Resta a minha esperança acesa
Que de esperar não se cansa
À noitinha faço reza
E aguardo da Vida mudança.
Me embalo nesta ilusão
Enquanto fôr, hei-de lembrar
Que a Vida não foi em vão
Mas que ninguém pode amarrar.

A esperança o tempo é quem tece
E eu sou nele caminhante
Quem dera que Deus me desse
Um viver lá por diante.
Ferve-me o sangue nas veias
Mesmo em dias de monotonia
E todas as minhas ideias
As transformo em Poesia.


E vou gritando até que o sono
Os olhos se fechem talvez!?
Já na noite me abandono
Deixo esta trova de vez.

Rosafogo

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trovas d'amor....soltas

saltam os olhos em pranto
o coração salta no peito
de tanto, eu te amo tanto
é o amor... amor perfeito

entre flores surge formosa
com sua modesta graça...
d'entre os lírios formosa rosa
veste os olhos de quem passa

do mar, pérola ou sereia
da terra papoila menina...
meu rosto de água e areia
o céu azul o fascina...

depois do tempo passado
passa por mim e abala...
trago o peito tão agitado
quando vem comigo à fala

tudo volta a ter sentido
dentro o meu coração
anda de amor perdido
não quer saber da razão

tudo aquilo que te dou
o tempo não leva não...
o coração se entregou
morre agora de paixão

natalia nuno
rosafogo
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assim te quero...

assim te quero... apesar da proximidade, morro de saudade...
um sol pequenino desprende-se do teu olhar e vem aquecer a sombra outonal do meu peito,
e num abraço, um delírio percorre a nossa pele,
neste sentimento firme só nós o silêncio e o desejo sedento de mel...
nada se desperdiça deste amor que fala a nossa língua,
que traz o cheiro dos nossos corpos,
a ternura das nossas mãos,
os sonhos e afagos, num perpétuo suceder...
que dá sentido ao viver!

natalia nuno

EM - ESTREMECIMENTOS DE ALMA - NATÁLIA CANAIS NUNO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA
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tudo porque é hoje...

cansei das horas iguais
dos mesmos sonhos desfeitos
repetidos, do morrer dos dias,
lentamente, das tardes frias
e as minhas mãos na minha frente
paradas indiferentes, apoiados
os cotovelos, pálidos os abraços
a alma cor de cinza, cansados os passos
tudo de hoje, o que sobreviveu ao tédio
tudo de hoje, como húmida folha
caindo sem remédio...

eu escondendo a idade
e o tempo que me foge
antes quero lembrar a outra
de quem trago saudade
sofro porque é hoje
temo, porque é hoje
não quero mais, estas horas iguais
os mesmos sonhos banais
repetidos, nos dias do tempo que m' foge

esta vida já não me prende
só me tolhe e me ofende
é assim porque é hoje
causa-me dano e o tempo foge, vai passando ano a ano
sempre a levar-me ao engano
a solidão comove-se com o o meu cair
levanto os olhos do chão e sigo,
aguardando o que há-de vir.

natalia nuno
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aquela mulher da aldeia...

Aquela mulher da aldeia
já foi jovem e bonita
ainda agora não é feia!
O tempo trouxe a desdita.
Vejo-a com os olhos da alma
mas perguntas não lhe faço
vejo-a apressada, ora calma
Sigo-a com a memória e com o passo.

Aquela mulher da aldeia
já não é bonita, nem feia!
criou ilusões a rodo
sofreu de angústia e de tédio
envelheceu e hoje todo,
o seu sonho não tem remédio,

já foi jovem e bonita
aquela mulher da aldeia
O tempo trouxe a desdita
já não é bonita, nem feia!

Mil e uma noites sonhou
até que se esqueceu de si
envelheceu engordou
e raras vezes sorri!
tem medo que lhe calem a voz
tem medo até de pensar
às vezes é frágil casca de nós
com medo de a vida a abandonar,

não há dinheiro que pague
lembranças que à mente lhe vêem
nem há tempo que as apague,
nos seus sonhos se revêem,
todas as suas afeições,
não é bonita, nem feia
criou na vida ilusões
aquela mulher da aldeia.

Já não se parece nada
com o retrato da parede,
junto à sua fonte amada,
a matar a sua sede
há quem a ache mais bonita
àquela mulher da aldeia
mas para sua desdita?
Não é bonita, nem feia!

Hoje só arruma sonhos
gosta das coisas no lugar
os dias pra ela enfadonhos
deixa-se envelhecer,
embebecida a olhar o mar,
desconfia do futuro
diz que o céu será cinzento
seu olhar se torna duro
duro lhe fica o pensamento.
ainda uma ou outra vez
deixa entrar a claridade
com a memória dia a dia ,
mês após mês
aprisonada na saudade,
aquela mulher da aldeia
que já não é bonita, nem feia
tem ainda o subtil odor
duma seara de pão
e sempre...sempre, amor
no coração.

natalia nuno

rosafogo

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onde a vida me esqueceu...

Onde caminha a solidão
É onde a Vida se cala!
Quer eu queira quer não?!
Já tudo se vai, até minha alma.
O meu sonho, é meu cadilho
O meu caminho transformado em trilho.


Não quero ir por aí
Choro por me ver chorar
E fico por aqui!
Com tristeza em meu olhar.
Invento um tempo só meu
Invento asas, faço apelos, falo em ternura
Afronto até a noite escura
E no escuro das pálpebras clareia o dia
Mas hoje? Não estou dada à alegria.

Quantos sonhos dados como certos
Tantos outros foram inquietação
Já não sei quem me quer ou não!
Quem põe pedras nos meus caminhos desertos.

Então choro, só de me ver chorar
Sinto-me pássaro rasando a àgua
Na ânsia de se libertar.
De mais um dia de mágoa.
As nuvens do meu céu, são pequenos dragões
Que trazem tempestade às certezas e ilusões.

E a Vida se esvai, até ao último grão
Semente que na terra se esboroa
E é sombra que me cai no coração
E me deixa a chorar à toa.

rosafogo

Cada verso é como um filho
Que me deixa no olhar um estranho brilho.



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hora de recordar...

semeio palavras na aragem do vento
palavras com aroma de infância
aseiam-se pelo firmamento,
crescem na claridade do meu olhar
na saudade ao lembrar
sussuram por entre os lírios do campo
palavras onde me encontro brincando
e nelas meu coração pulsando...

minha alma segue nesta melancolia
a vida fugidia e
cada paisagem me lembra um rosto
amigo, cantam as papoilas, o rio
e os melros seu assobio
palavras rasgam o arvoredo
e seguem do meu coração sem medo

natalia nuno





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sou...

sou feita de velhos dias, sem brilho
turvam-se já meus olhos de tristeza
um sopro de inspiração, é meu trilho
sou água a tocar no fundo, incerteza!

sou aquilo que escrevo e pouco mais
sou a que fala de tudo, e até de amor
sou a que o poema manifesta, até os ais
choram os meus olhos se falam de dor

sou por fim a manifestação da loucura
sou saudade da primavera, já sem brilho
feita de velhos dias, q' ninguém procura

sou a rapariga que tempo velho ocultou
sou sem qualquer ironia, trapo andarilho
serei curso de água parado ou rio q' secou.

natalia nuno
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nasceu um poema...

Meu coração é como um cipreste gigante
Enfrenta o tempo e a tempestade
Resiste, mesmo apertado segue adiante
Barco à deriva num mar de saudade.
São meus sonhos searas à mercê dos ventos
Meus poemas filhos por nascer
Sinto-os nas entranhas, ouço-lhes os lamentos
E aguardo o momento de ao Mundo os trazer.

E assim vou moldando seus passos,
Segundo minha visão
Acrescento-lhes mais umas gotas de medos
Alguns cansaços
E para tapar buracos no casco, a solidão.
Finalmente o desespero que meu rosto esconde
E meus olhos que se perdem sabe-se-lá por onde.

Vida inteira e uma mão cheia de nada
Hoje acordei vazia e assustada
Restos dum sono desassossegado
Palavras à volta na boca
Meu coração acelerado
Agarrando-se à vida que já é tão pouca.

Mais um poema é puxado para fora da mãe
E eu pouco sei do seu nascimento
Mas sendo mãe passam as dores, fico bem
E a minha dor se tranforma em amor neste momento.
O nascimento?
É íntimo e doloroso!
E mais um milagre me parece...talvez curiosidade?!
Dentro de mim a chave... a saudade!

rosafogo








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se me entendesses...

A sair de mim teimam
estas palavras que me atiçam
e queimam
deixo-as em versos,
incertos, como a brisa
ao fim do dia, na hora derradeira
são canto saído dos lábios,
palavras sonho duma
vida inteira...
Palavras que me ocorrem
canto de sonhos que não morrem.

Como queria que m'entendesses
sem palavras
como eu entendo o mar
apenas com o olhar
que m'entendesses como os pássaros
que me cantam
como a flor que se abre no campo
ou como a água que brota da nascente
sem palavras, apenas com o sorrir
somente...
Correria então a dizer-te
que é fogo incandescente
o meu amor por ti.

Sem palavras, tudo assim
simples como vôo de rouxinol
abrigar o amor no peito delicadamente
alcançar manhãs vindouras
e novos amanheceres
e sem palavras, renovar
a arte do prazer.

natalia nuno

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Comentários (11)

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natalia nuno
natalia nuno
2021-11-06

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

rosafogo
rosafogo
2018-12-15

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck
charlesburck
2018-12-14

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66
atal66
2018-10-22

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino
quaglino
2018-10-17

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.