Lista de Poemas
trovas que não calo...
outro virá quer queira ou não
é assim que a vida acontece...
e vai caindo na solidão...
de melancolia sou escrevente
poeta dizem,.. eu não sei não!
coisas trago no labirinto da mente
saudade que lhe chega do coração
se a poesia é meu alimento
segredos que só ao papel falo
o destino não seja mais cruento
que de dores e amores não calo
enfuno as velas do porvir
numa ilusão fugaz de calmaria
o mar encapelado olha-me a rir
eu sei...que amanhã é novo dia
sou mar no riso e na loucura
trago a boca gretada pelo vento
digo palavras d'amor e ternura
faço poemas ao firmamento...
trago a sangrar dentro do peito
numa insondável sede d'amar
um poema triste insatisfeito
de solidão que não sei calar
brotam poemas, dor e ansiedade
mas eu adoro, eu sei que adoro!
sou poeta d'amor e saudade
como voz do sino às vezes choro.
natalia nuno
trovas soltas...perdida
são ventos endemoinhados
pecadora fui tanto, tanto!
que trago os ventos mudados
despenho o sonho no vazio
torna-se a vida uma cascata
de repente já não é mar, é rio
ou ribeira que não se acata.
perdida andei...perdida!
lá no alto dum rochedo
andava de alma iludida
meu choro era segredo
posso dar asas ao vôo
quimérica onda, brancura
lá longe até onde eu vou
há oceanos de ternura...
memória já consumida
entre sonho e realidade
o tempo levando a vida
e eu morrendo d'saudade
caminhava à beira mar
gaivota olhou eu a olhei
ah...ter asas poder voar!
logo no sonho embrenhei
maré atrás d'outra maré
onda que vem, onda q'vai
ponho o pé retiro o pé
enquanto sussurro um ai
surgem notas ciciantes
vindas das ondas do mar
na praia beijam-se amantes
num leve e doce sussurrar
natalia nuno
rosafogo
quem te sente já morre...
Senta-te aqui a meu lado.
Faz comigo amizade
Tem cuidado!
Sê prudente!
Te pergunto brandamente
Porquê me dás tantos danos?
São quantos mais os anos?
Neste instante que corre,
Quem te sente já morre.
Deixa-me limpar o pranto
Desta sentida saudade
Já não haverá outro tanto?!
Dá-me um pouco de felicidade.
Deste-me cabelos de prata
E mãos frias como a neve
E a formosura? Essa ingrata!
Deixou um traço ao de leve.
Quando olho o meu rosto
Nada já vejo com gosto!
Gela-se-me o sangue nas veias
- Vê por instantes meu desgosto
Tu que me enredáste em tuas teias.
- Ah...não me dês outro maior!
Deixa-me a imagem que fui
Já me basta esta dor!
De quem nada já possui.
Senta-te ao meu lado
Dá-me algum alento.
Faz-te meu aliado,
Sê minha estrela, meu vento.
natalia nuno
poema efeméro
este poema que é meu segredo
e das minhas mãos a pureza
agora o partilho a medo
numa asfixiante incerteza
este poema é meu espelho
minha sombra escurecida
um sonho velho
palavras trémulas... mas com vida!
este poema é meu desejo e
meu capricho, a minha sede
abrasadora
o privilégio de seguir vida fora
com o fulgor do sonho
faz parte de mim, voa no meu sangue
é o meu pulsar na palavra
o sopro da minha voz
meu rio a chegar à foz
este poema é a harmonia
do meu instante
é o meu mundo partilhado
o agasalho que me cobre
- o meu fado!
este poema tem asas na minha mão
traz com ele a minha história
e sua efémera glória
de tão vasta imperfeição
ouve-se nele o rumor da tempestade
e da palavra sente-se a inquietude
- é a minha bagagem da saudade.
natalia nuno
rosafogo
Quem sou então?
Por mais que me procure,
de mim não sei!
A imagem que vejo de mim
não pode ser esta... é apenas
o que resta!
Então quem serei?
Talvez a do retrato, aquela
mais antiga!?
Ah! Mas essa está na gaveta
das antiguidades...
Não sejais amáveis! Não sou essa
nem as outras, porque delas
só restam saudades.
Quem sou então,
que me procuro insistentemente?
Quem sou na realidade?!
Ora, sou simplesmente a que sonha!
Já sei... talvez a que escreve poemas
como se matasse a sede,
ou a que acorda e adormece nas palavras,
que traz a memória desarrumada,
que traz na boca pássaros chilreantes,
Não! Não sou esta também... assim de horror
tomada.
Nem sou mais a de antes...
Sou a que se ouve num tempo distante
a que trago comigo na lembrança
sou a que leva saudade na bagagem
e o perfume da criança que interiorizo
as palavras que me saem do coração
Assiste-vos a razão de julgar que
não tenho juízo...
Quem sou então?
natalia nuno
rosafogo
pedaços de mim...
a envelhecer-me o rosto, pouco a pouco
nas lentas horas que o relógio anuncia
com insensibilidade e altivez,
como foi possível o silêncio que se fez
na vida, dia após dia?!
e este amor que me prende a garganta,
que é água pura como gotas de orvalho,
trouxe-nos felicidade tanta, tanta.
que em nós alguma coisa ficou viva.
nesse nosso olhar alguma coisa existe,
no coração uma cega pulsação
e o amor persiste.
olho-te com angústia e incerteza
sinto tristeza, e desolada esperança,
que a luz chegue ao nosso anoitecer,
triste e confundida, como calar o sonho?
só sei dizer!
da minha pequenez, mas acredito,
que a vida sempre recomponho.
natalia nuno
rosafogo
onde me sei...
da minha alegria
é como escutar uma melodia
é o resplendor da esperança
tudo o que ainda no meu sonho
cabe...
cada verso vem vestido de aroma
novo...
com a frescura do tomilho
a sensualidade da rosa
cada verso é um filho
que traz a força, que vive
e que ama
cada verso é a chama
é o recordar de tudo que amei
teu corpo despido
onde me sei...
natalia nuno
eu sou...
sou folha levada p'lo vento
ou onda que avança na areia
sou ai dum extinto lamento
sou a lua que olha a terra
sou do rio a outra margem
ou notícia que anda na berra
buscam outros minha imagem
sou uma tarde abrasadora
trago interrogação na boca
uns me julgam sonhadora
e outros me acham louca
sou espelho onde me vejo
sou água a subir-me ao pé
sou mulher feita desejo
reconheço-me forte na fé
sou noite fresca de verão
a lua caindo nas águas...
sou esquecimento e solidão
um mar fechado em mágoas
sou a que fiz e a que faço
de rosas murchas, poemas
afirmo a vida e nela enlaço
num grito as minhas penas.
natalia nuno
amor saudade...
já não tenho mais palavras para dar-te. guardei-as nos teus olhos como se as sepultasse, para escrever mais tarde um poema que me amasse, me fizesse sentir viva, me falasse a tua língua e não esquecesse de me deixar ao teu beijo cativa...amor perfeito este que trago a latejar no peito, como uma festa de estio, amor que é rio, e é ponte que atravessa meu horizonte, tempestade e serenidade... amor que é saudade!
natalia nuno
silêncios...
na aspereza da noite, são desabafo d'alma
nos olhos secos, raios avermelhados
a expurgar a solidão,
as veias soltam-se em trepidação
na quietude, não se ouve nada
a não ser, o bater do coração.
a vida já se ajoelha
o tempo no rosto se espelha
assim se faz o começo do fim,
sigo o silêncio que se quedou em mim
na memória há um fogo que arde e não
se consome...uma porta larga que abre
ao passado, estendo a mão
às lembranças,
o sonho impregnado de brandura e,
com ternura vou criando asas
para sair da solidão.
sempre a mesma sujeição ao tempo
sempre a mesma memória obsessiva
a lembrar cenas que marcaram a vida
deixaram no peito a saudade viva
esta saudade tão minha, que sinto de verdade
e lá me faço asa, que me leva de volta a casa
mas o tempo se arrasta e da vida me afasta
silêncio mudo que em mim se deita
encontra guarida no peito e ali se ajeita
aceita a oferta do abrigo e quer-se ali comigo.
há silêncios que dizem tudo
atravessam m' alma vazia, meu coração mudo
cansaço na viagem, e passa mais um dia.
natalia nuno
Comentários (11)
Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço
A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos
A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor
Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite
Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.
Caraca, muito bom mesmo. Alma poeta.
Contundente, muito bom mesmo. Parabéns.
Obrigada :)
obrigado
Fernando Pessoa Entre o sono e o sonho, Entre mim e o que em mim É o quem eu me suponho, Corre um rio sem fim.
Parabéns pela beleza da escrita!