Lista de Poemas
retrato vivo...
De tudo o que resta vivo nela
o tempo apaga a cada passo
para continuar a viver
é preciso recordar
enganar a dor, o cansaço
deixar a mente da solidão desprender.
Às vezes o silêncio é uma oração
uma porta que se abre ao vento
uma brisa que põe de novo
o coração a pulsar, e bem
viva a semente do pensamento.
Na luz dos olhos dela
há recordações a brilhar,
ela e a sua lembrança!
Caminho que sempre começa
olhando para trás,
corpo quebrado,
mas no coração a paz...
Flui nela a tristeza
o sorriso vai voando
todo ele feito ave,
e a certeza de que precisa,
só Deus a sabe!
Mariposas eram seus sonhos
partiram amargamente
na noite escura,
procura sua semelhança e não encontra
só a sua fé perdura.
E no silêncio dourado da tarde
olhando o mar
ela vive da saudade, a recordar.
natalia nuno
trovas de improviso...
Mas a esperança ainda resta
No meu peito o sonho ficou...
E meu coração anda em festa
****
O coração é quem sabe
A quem quer nesta hora
Neste meu verso não cabe
O amor que sinto agora...
****
Aperta o cerco...a solidão!
Logo a Saudade por perto
Vai apertando o coração
Que fica agreste deserto.
****
Já fui estrela já fui ribeiro
Já fui sol que te aqueci
Hoje saudoso caminheiro
Já de saudade te perdi.
****
Está a azeitona madura
Já capaz de apanhar...
Morre o amor sem ternura
Que não lhe consegues dar.
****
Vou sofrendo minhas penas
Desde que te foste embora
Minhas noites são pequenas
Pra chorar por ti agora...
****
Deserdou-me este Outono
Deixou-me no meio da bruma
Com saudade e ao abandono
O coração não se acostuma...
****
natalia nuno
rosafogo
serenidade na noite...
tantas coisas desta vida
outros tantos a desaprender
o que nos fere e penetra no corpo
e de algumas jamais
nos conseguimos desfazer
agora trazemos nas mãos calosidades
e no coração saudades
o cabelo embranquece
o olhar toma um modo transcendente,
e quem se lembra da gente?
Mas há gente,
que a gente não esquece.
Tempos de namoricos e paixões
visões que nos marcam toda a vida
e na quietude da noite
no meio da serenidade
surge sempre a saudade.
A lua ilumina lá em baixo o rio
há uma ténue neblina
e lá estou eu ainda menina.
Contemplo a aparição
meu rosto lívido,
aos pulos meu coração.
Tempo de aprender toda a ternura
do mundo
tempo de balouçar o corpo ao andar
e aquele sorriso que dizia
sem nada dizer,
levamos séculos a aprender.
Hoje cravo o olhar no chão
e guardo, guardo a recordação.
natalia nuno
rosafogo
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tempo ao tempo...
entre a memória é
o esquecimento
a mente já tão puída!
e o tormento
de ficar de mim esquecida
fatigada, digo em jeito de despedida
adeus ...
dou tempo ao tempo
hei-de voltar á minha serenidade
suspirar e voltar a viver com vontade
a vida é mestra, dá-nos o mel e o fel
deixa-nos sonhar
escancara-nos a porta
de par em par
para depois a fechar duramente
com um gesto finito
como se não pudesse adiar.
natália nuno
trovas singelas...uma mão cheia de nada
palavras são tempestade
chuvadas e vento forte
são saudades da saudade
que persegue até à morte
lágrimas secam no rosto
a calma volta ao coração
no mais fundo o desgosto
vai mudando de posição
és o mel que me adoça
minha luz da madrugada
amar-te sempre que possa
e me queiras tua amada...
o teu olhar me rodeia
são teus beijos o fogo
és luz da minha candeia
que ao ver-te ateia logo
meu coração desespera
logo chegas sem aviso
no vazio à tua espera!?
partes quando mais preciso
logo a dor que o peito sente
clemente... vai soluçando
cada vez que estás ausente
morre um pouco esperando
a vida é feita de nadas
de solidões e tristeza
uns dias ensolarada
outros feita de incerteza
este tempo adverso
nem me deixa esquecer
ateia a saudade no verso
temo a solidão de a ter
nasci numa segunda feira
terrível dia de inverno
aqueceram-me à lareira
vim do céu para o inferno
são simples minhas trovas
falam com simplicidade
não são velhas e nem novas
nelas prolifera a saudade
as mãos cheias de nada
no coração a saudade
eu e os poemas dizemos
"Obrigada"
vosso apreço, nossa vaidade
natalia nuno
rosafogo
trovas...arrebata-me o tempo
teu coração, tua mão
tua presença, tua alegria
chave de meu coração
o nosso sonho verdade
bebi a frescura d' água
agora nos resta a saudade
o resto... levou a mágoa
alguma coisa quebrada
nestas tardes outonais...
estamos unidos na jornada
cada dia nos querendo mais
faço quadras de improviso
se alguma coisa por dizer
da tua cumplicidade preciso
o amor está, venha quem vier
o meu grito é poderoso
quando escrevo sobre a vida
apaixonado alecrim mimoso
de sonhos ando vestida
natalia nuno
rosafogo
trovas soltas...cântico à vida
é mar da nascente à foz
e é Deus quem nos habita
suas mãos tocam em nós
com a terra, fauna e flores
um sonho nos confiou
dávidas belas, esplendores
um sonho maior criou...
como a água deslumbrada
rasgando com seu caudal
desenlaça a vida apressada
despenha-se no vazio é fatal
a vida é como a trepadeira
que quer alçançar seu enleio
rebelde não conhece fronteira
nem tantas pedras de permeio
os nós enlaça e desenlaça
num acontecer constante
o tempo passa sem graça
e a graça passa num instante
assim a vida é uma viagem
nada, nem ninguém a detém
mar de lembranças, passagem
arauta... da morte também.
natalia nuno
rosafogo
trovas soltas...nostalgias
duma dor para sofrer?
Ame antes com ternura!
Deixe o AMOR florescer
Deixa-me sorrir ao céu
ver-me de novo pequenina
que este sonhar meu e teu
é DEUS que assim destina
Na noite brilha uma estrela
Talvez seja minha MÃE...
Quem dera de novo tê-la
pra dizer lhe quero bem.
Versos bonitos, mas vazios
silabas são contadas a dedo
versos bonitos mas tão frios
são vida entre vidas a medo
Só olho para o céu
quando te dou a mão
logo meu olhar no teu
e o bater do CORAÇÃO.
do teu BEIJO sede trago
com simplicidade digo
se o último foi amargo
dá-me outro para castigo
resvalam-me por entre dedos
buscam caminho profundo
levam com elas m' segredos
palavras q'deixo p'lo mundo
natalia nuno
rosafogo
11/12/2001
saudade de quem?!...
saudade de quem?!
ondulam fortes ventos numa melodia constante
e como eles meus pensamentos
num confiado sonho distante
como pássaros migratórios, levam de mim
saudade...
a vida começa como se nova fosse
numa plenitude difusa subtil e doce
entrego corpo e alma à brisa, à claridade
ao que nunca vem,
ao que não existe,
à saudade... saudade de quem?
caem folhas de outono moribundas
já mal me conheço,
chega a tarde declinante
é o fim do começo
aos meus ouvidos um ruído distante
passam os dias da minha vida
geme neles o silêncio e a escuridão
como se nunca mais pudessem ser
senão,
dias de solidão.
ficou para trás a primavera das amendoeiras
brancas,
que nostalgia!
extraviaram-se meus olhos
desse vínculo que me seguia,
permaneço com olhar de criança
perdido na lonjura,
e minhas mãos são asas de frescura
esqueço o outono da vida que se vai alterando
tento distanciar a pressa
e na emoção do caminho,
o amor sempre regressa
com tenacidade vou sonhando
e recordando o muito que vivi
pássaros ardentes, borboletas às cores
viajantes nas nuvens, amores,
boa parte das coisas simples que nunca esqueci.
natalia nuno
rosafogo
trovas soltas...2002
e beijo de amor receber
quando a noite chegar
infinito será o prazer.
amanhã é que será!
se o destino entender
à minha porta baterá
para o amor me trazer.
calo o amor no peito
como cântico de sedução
trago no olhar o jeito
meu chão é teu coração
partem palavras aladas
bem fundo do coração
à poesia de mãos dadas
para viver sem solidão
teu coração porta aberta
pronto a dar e a receber...
a beleza em ti descoberta
meus olhos gostam de ver
vi de novo o sol poente
vou agradecer a Deus
que meu coração é crente
quando olho os olhos teus
natalia nuno
Comentários (11)
Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço
A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos
A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor
Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite
Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.
Caraca, muito bom mesmo. Alma poeta.
Contundente, muito bom mesmo. Parabéns.
Obrigada :)
obrigado
Fernando Pessoa Entre o sono e o sonho, Entre mim e o que em mim É o quem eu me suponho, Corre um rio sem fim.
Parabéns pela beleza da escrita!