Quem sou então?
Por mais que me procure,
de mim não sei!
A imagem que vejo de mim
não pode ser esta... é apenas
o que resta!
Então quem serei?
Talvez a do retrato, aquela
mais antiga!?
Ah! Mas essa está na gaveta
das antiguidades...
Não sejais amáveis! Não sou essa
nem as outras, porque delas
só restam saudades.
Quem sou então,
que me procuro insistentemente?
Quem sou na realidade?!
Ora, sou simplesmente a que sonha!
Já sei... talvez a que escreve poemas
como se matasse a sede,
ou a que acorda e adormece nas palavras,
que traz a memória desarrumada,
que traz na boca pássaros chilreantes,
Não! Não sou esta também... assim de horror
tomada.
Nem sou mais a de antes...
Sou a que se ouve num tempo distante
a que trago comigo na lembrança
sou a que leva saudade na bagagem
e o perfume da criança que interiorizo
as palavras que me saem do coração
Assiste-vos a razão de julgar que
não tenho juízo...
Quem sou então?
natalia nuno
rosafogo
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