Escritas

Lista de Poemas

A SAUDADE

Seguro tua cabeça entre as mãos.
Olho fundo em seus olhos,
De infinitas verdades.
De inúmeras realidades,
E sinto tremer
O seu corpo.
Aquecer o sangue.
Encaixa-se em mim
E respira fundo.
Seu mundo
Nosso desejo.
E na mágica
O beijo.
Afago seus cabelos.
Afogo as palavras.
No chão silêncio de felicidade.
E no beijo de adeus
A saudade.

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ESCRITOR E POETA

Há poucos dias, vendo uma entrevista na TV câmara com o escritor Ledo Ivo, (falecido recentemente) o apresentador citava o entrevistado como escritor e poeta. Logo apareceu a legenda “escritor e poeta”. Sempre se fala assim. Pensei: o poeta é o quê, afinal?
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Música da vitória

O melhor do jogo é ganhar.
O vencedor é aplaudido.
Sobe ao pódio, é premiado.
O perdedor nem será lembrado.

A vitória faz amigos
Bajuladores em profusão.
Perder faz ser esquecido.
Ninguém pra te dar a mão.

Triunfar vale a taça.
E uma princesa pra valsa.
Fracassar não tem valor.
Apenas mais um sonhador.

Sem o primeiro lugar
Nunca farás história.
Não terás par pra dançar
A música da vitória.

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BOLHAS

Daqui pra frente vou complicar menos,
Vou amar além do que já fiz.
Não me preocupar com a idade.
Dormir e acordar mais tarde.

Dizer bom dia para a natureza.
Deixar a bagunça sobre a mesa.
Rir com Maria
Chorar com Tereza.

Esvoaçar os cabelos,
Usar uma roupa novinha em folha.
Deixar a barba crescer um mês inteiro,
Comprar sabão pra fazer bolhas.

Pedir carona para o estrangeiro,
Aprender a viver sem dinheiro,
Passar correndo para ludibriar o porteiro,
E ter uma noite de forasteiro.
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ANOS DE MIM

Aprendi a cantarolar
Pra deixar o tempo passar.
Aprendi a contra balançar.
Anos de mim tento administrar.

Aprendi a interiorizar
Tudo que quero analisar.
Anos de todos que conheci
Deram-me vontade de partir.

Aprendi a viver bem comigo,
A me aceitar resignado.
Aprendi a não ficar desanimado
Quando foge um carinho anunciado.

Aprendi a falar baixinho
Pra não me acordar assustado.
A caminhar bem devagarinho
Pra não despertar meu eu menininho.

Aprendi acordar bem cedo.
Para escutar os passarinhos
A abrir a porta das minhas mágoas
E deixá-las repousadas num pergaminho.

Aprendi a conviver com as picadas.
Admirar de tudo um pouquinho.
Não fazer terra arrasada.
Buscar só o bom caminho.

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Horas paradas

Não é falta de vontade
Se as horas estão paradas.
Isso se chama saudade
De cenas na mente conservadas.

Esta música que te põe em agonia,
Não foi feita pra te fazer sofrer.
É pra trazer alegria
E irrigar um bem querer.

Vista de vez a vontade de ficar,
Umedeça este jardim em flor.
Teu corpo pede pra deitar.
Permaneça morando neste amor.

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Bem-vindo sexta feira

O cansaço começa a palpitar
Depois de uma semana corredeira.
Vejo as pessoas comemorar:
Bem vindo seja, sexta-feira.

Este dia é especial,
Aumenta a ansiedade
É sempre um dia magistral
Pra comemorar as amizades.

Tem encontros pra diversão,
Tem mesas lotadas no bar.
Tem balançar do coração
Tem histórias pra contar.

Uma vontade enorme de ficar
De não ver a festa findar.
De esquecer-se de lembrar
Que o dia já vai clarear.
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Faça de sua vida. III

Faça de sua vida um pequeno labirinto,
Com acessos e saídas fáceis.
Com bancos em sombras abundantes
Onde possas sentar-se e descansar o bastante.

Faça de sua vida um meditar,
Ore, sirva, agradeça e faça orações.
Evite a fanatismo
Por qualquer que seja a religião.

Faça de sua vida um romance narrável.
Uma novela com final feliz.
Um roteiro irrecusável
Um enredo de aprendiz.

Quando a vida fechar a cortina.
Não tem como recorrer.
É seu ciclo que termina.
Deixe a alma ainda mais linda
Para os últimos aplausos receber.
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Beija-me

'Da vez primeira em que me assassinaram
perdi um jeito de sorrir que eu tinha...'
Mario Quintana


Debruço nos joelhos a dor da perda.
Na pedra fria faço orações.
Beijei-te no último adeus.
Chorei a perda
Do colo amigo, do meu abrigo.
Da proteção.
Mãe,
Deus te levou.
Fiquei aqui
Pensando em ti,
Reunindo forças para seguir.
O segundo domingo de maio,
É o mais triste do calendário.
À noite,
Vou adormecer pra
Sonhar com você.
Quem sabe assim,
Encontrarei de novo,
O sentido de viver.
Talvez eu ganhe teu beijo
Como na vida,
Que era inteira
De qualquer maneira,
EU AMO VOCÊ.
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Rabo de tatú

Vindo de onde venho,
Na peleia me garanto.
Medo é coisa que não tenho.
A chinoca soluçava em prantos.
Pendurei o meu chapéu
O peão parecia um réu,
Pressentiu minha embretada.
Já estava na minha mira
E a camisa esbranquiçada,
Tecida de caxemira
De sangue ia ser manchada.

Pra não fazer muito escarcéu
Olhei pra cara do réu
E disse num verso só
De malandro não tenho dó,
Se te levo pros cafundós
Nunca mais verás o sol.

Não que eu tenha grande valentia,
Mas nem olhe pra esta guria.
Se quiser ter outra chance,
Antes que eu te desmanche
Dá no pé desaparece.
Só deixe pra traz a poeira
Vá pulando a porteira,
Pois pra metidos como tu
Que não me cai em simpatia
Que fica azarando as gurias
Dou de rabo de tatú.

Sou de coração grande
Mas avesso a desaforo.
Já distante, vi que me ofendia,
Juntei na rédea o meu moro
Que só de me olhar arrepia
Seguido por dois cachorros,
Quanto mais ele corria
Mas corria meu matungo.
Soltei de vez os caninos
Só escutei o estouro
Quando no rio molhou o couro.

Os meus cães não recuaram.
Nadando também se foram.
Deixei o pingo beber água
Se refrescar um pouco.
Só fiquei esperando
Cada cão trazer um osso,
Desse índio tosco
Que entrou onde não devia.

Voltei num trote pra onde estava
Com a certeza da coisa certa.
Pra esta gente que se acha esperta
Isso serve de alerta
Não tente puxar a coberta
De gaudérios como eu.

Vou encurtar, pois não minto.
Vivi feliz com a guria
Que aquele loco queria
Pra ser sua companhia.

Os cachorros já se foram
O moro também partiu
Mas quando dou uns assobios
Escuto latidos e um relinchar de cavalo,
A lembrança da chinoca,
Da memória não sai
Ela esta junto do Pai,
Mantendo as porteiras abertas
Pois lá chegarei... Na certa.

E digo, com toda a franqueza,
Sem isso tudo que eu tinha
Às vezes sinto até pena
Do peão que estraçalhei.

Não sei quando partirei
Mas pressinto que esta perto.
Não quero levar tristezas.
Vou perdoar o xirú
Pendurar o rabo de tatú,
E os ossos que guardei,
Num gesto de nobreza
Vou enterrar na natureza
E até uma oração farei.

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