Escritas

Lista de Poemas

Que bom seria

Que bom seria se as segundas chances fossem reais.
Se os amores fossem imortais.
Se os pecados não se tornassem imorais.
Se os reencontros não fossem banais.

Que bom seria se a vida fosse de paz.
Se não quiséssemos deixar os outros pra trás.
Se de perdoar todos fossem capaz.
Se a fraternidade prosperasse cada vez mais.

Que bom seria se só tivéssemos alegrias.
Se o sofrer fosse abortado em cirurgias.
Se a felicidade viesse numa magia.

Que bom seria se o mundo fosse de igualdade.
Se o respeito existisse em qualquer idade.
Se o ser humano se despisse de falsidades.

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NEM SEI

Construí imaginários sobrados,
Os mesmos antigos.
Enormes abrigos.
E fiz jardim
Ao fundo.
O mundo de branco,
Pintei.
E te encontrei
Entre cervejas
Que foram abraços.
Foram beijos e desejos.
E te paguei.
Quanto? Nem sei.
E agora,
Estou envergonhado.
Por ter comprado
O que não dei.

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Boate azul

Romantismo nunca foi seu forte. Sempre preferiu a África selvagem a Paris romântica e bela.
A beleza física é que a tornava atraente. Um corpo escultural. Equilibrado em salto agulha provocava suspiros. Uma mulher extremamente sensual e sexy. O cabelo longo não passava sem ser notado, ladeava um rosto perfeito e sorridente.
As palavras lhe saiam desbotadas, quase sem efeitos. Trocou o estudo pelas aventuras adolescentes de menina rebelde.
Ainda muito jovem já desfrutava de elogios e apreços generosamente sedutores.
O primeiro namorado pouco significou. Não correspondia aos seus impulsos.
Mas tarde ao reencontrá-lo protagonizaram um beijo tão eloquente que lembrou o casal apaixonado de Casablanca. Contudo o romance não progrediu.
Assustado com o comportamento da moça o menino pego um voo e foi visto desembarcando no Charles de Gaulle.
Jovem, sentia-se invencível, despreocupada e muito acima de certos valores morais da sociedade. Era linda.
Sonho de consumo de muitos marmanjos. Sabia como poucas usar isso a seu favor.
Assim havia quem lhe pagasse as despesas da balada, dos almoços, de pequenos luxos ostentados com orgulho.
Entre romances e aventuras contabilizou lucros e perdas e considerou positivo. Amou alguns, foi amada por outros.
Via isso como uma vida ótima e intensa.
Mergulhada em minissaias e shortinhos extravagantemente pequenos não se preocupava com nada.
Por certo sempre encontraria alguém disposto a trocar prazer por certos benefícios.
Aos vinte e cinco sentiu que já não tinha mais a mesma influência junto ao seu fã clube. Teve, pela primeira vez, certo medo e uma queda na autoestima.
Num sábado de outono, já quase sem amigos por perto, sentiu-se depressiva e triste.
Fez sua primeira viagem de ida.
Voltaram-lhe, em fantasias, as boas sensações, a alegria e a vida sonhada.
A esta altura, servia seu público na conhecida boate azul. Entre risos, fumo, bebida e luzes já não mostrava o mesmo ânimo para viver.
Não demorou muito para encarar o último tango da vida.
Sua passagem não foi como em Ghost. Não teve beijo de despedida.
Apenas partiu.
A passagem tinha comprado alguns anos antes.

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O poeta

O poeta chega à tardinha sem dizer nada.
Traz nos olhos uma panaceia em elixir.
Fica comigo pela madrugada.
Ao amanhecer tem que partir.

Em outdoors na minha mente
Espalha ideias e vontades.
Consegue entender o que meu amar sente.
Sabe como ninguém aguçar minha saudade.

Com ele vem só a folha em branco.
Quer sorver minha inspiração.
Sentamos eu e ele em algum banco.
E viajamos na nossa imaginação.

O poeta é meu leal confidente.
Por vezes soluçamos abraçados.
Sabe o que sinto e se cala sabiamente
Sofremos juntos, vivemos entrelaçados.

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O FUMANTISMO

Admiro incansável o escritor. Este colega do dia-a-dia. Conta
suas produções com tal entusiasmo que me excita a escrever algo. Qualquer coisa. Se sair em linhas subtraídas chamo poesia, se extenso, conto.
Tarefa guerreira é escrever. Às vezes uma palavra atira-se em outra e quebra a muralha destruindo a frase. Não a recomponho. Se esta, por ventura, vier a ser tombada pelo patrimônio histórico literário, os historiadores que a reelaborem. Pior mesmo, e isto é o mais provável, se não tiver nenhum valor. É enrolar o papel o lotar o balde de lixo. Para mim há uma saída quando faltam palavras. Ascendo um cigarro e elas emergem em meio a fumaça. Mas os escritores (ou não) que não fumam? Deve ser terrível. Talvez consumam 'chicletes' ou sei lá o que fazem. Agora, uma coisa é certa: nada melhor que a fumaça do cigarro para trazer ideias brilhantes. Não importa se o pulmão está cancerígeno. Se a garganta incha, se o coração dispara. Afinal, o escritor não precisa destes em pleno funcionamento, sua tarefa é apenas escrever.
Portanto o escritor pode ser fumante. Se morrer jovem ótimo. Se for vítima do cigarro, excelente. Não e mais fácil à obra fazer sucesso após a morte de seu criador?
Então, fumemos colegas 'escritorinhos'. Fumemo-nos mutuamente, até o dia em que os críticos cedam e reconheçam este novo movimento literário: O FUMANTISMO.'

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Pés nus

Foi bom demais pra mim.
Talvez você também tenha gostado.
Quem dera fosse sempre assim!
Ah... Eu ficaria mal acostumado.

A brisa e a sombra da floresta,
Os pés nus no gramado.
Os esquilos vibrando em festa.
Vendo nosso desejo provocado.

Conta-me o capítulo que eu não vi.
Basta-me te escutar calado.
Estando assim perto de ti
Tudo me deixa encantado.

Penso que faz falta em minha vida,
No abraço lembro-me do que a gente viveu.
Sem querer deixei-te lágrimas na partida,
Mesmo sonhando com um sorriso teu.
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Braços da noite

Lindos braços me acolhem ao entardecer.
Elegante desejo de ali pernoitar.
Inimaginável véu noturno me faz viver.
Se for sonho eu não quero acordar.

Despertamos num mundo em que a alegria aflora.
Infantilizo-te em ternuras e carinhos.
A felicidade que vemos do lado de fora
Vem da certeza de não estarmos sozinhos.

Se necessário, mata-se a poesia
Para o amor alegre e livre viver.
Louvável poema em sinergia
Versos perpétuos pra gente escrever.

Fica um pouco de vida eternizada.
Gigantes na mente mapeados.
Promessas para a retomada.
Sons românticos nos microfones soprados.

Certezas nem sempre a vida nega.
Posso ser “poetal” sabendo que não existe.
Serei apaixonadamente romântico e brega.
Prefiro ser ridículo a ser triste.

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TEMPO

O tempo que tenho,
Fui juntando aos pouquinhos
Quando ganhava guardava.
Já vinha meio desatualizado.

Ou então quando o encontrava abandonado.

Aliás,

Como existe tempo perdido.

De forma que
Posso dizer:
Meu tempo é assim...
Meio reciclado.
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Tinta

No íntimo as cores desbotando.
O olhar ofuscado no labirinto.
Tinta do teto no chão pingando.
Pigmentando um pensamento limpo.

Sem brilho viver não é sorrir.
Se não esta no olhar onde estará?
Umedecida a dor começa a cair.
Peito destituído ao corpo voltará?

Liberdade sem amor é prisão.
É provar um veneno letal.
É parada fora da estação.
Alma esculpida na lápide em metal.

Desamor é placa de contramão.
Entrada na via infernal.
Rua sem retorno ou conversão.
Ruela escura do bosque lateral.

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ÉBRIO

Um uísque.
Duplo, por favor.
Preciso desentalar da garganta,
Este nó, esta dor.

Só não me sirva com desdém,
Sou humano como você, meu bem.
Não faço isso todos os dias,
Só bebo quando me convém.

Anos de vida me fizeram mole,
Saudade é o que sinto agora,
Por mais que eu me enrole
Talvez eu fique ou vá embora.

Este copo aqui, ó, vazio.
Avermelhou-me o rosto,
Desequilibrou-me o corpo.
Atingiu-me a voz.
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