Lista de Poemas

Meu natal eternizado

Um fato, em especial, me faz ver está época do ano de forma muito especial.

Antes preciso dizer que nasci e me criei numa comunidade pobre do interior sem nenhuma infraestrutura, inclusive sem energia elétrica.

Não tínhamos, talvez por isso mesmo, árvores enfeitadas. Não escrevíamos cartas para o bom velhinho pedindo presente e, raramente a gente ganhava algum.

Mas teve um natal; deste que quero falar, em que minha mãe estava muito mal. Eu, na inocência de criança queria fazer alguma coisa por ela. Foi a primeira e única vez que fiz uma cartinha para papai Noel. Era curta e pedia apenas que ele salvasse mamãe, sem nenhuma referência aos anos sem presentes.

Na minha ingenuidade coloquei a escrita entre galhos alto de um pé enorme de pera para que ele a encontrasse facilmente.

Na manhã seguinte, acordei com uma chuva torrencial. Mesmo assim, de imediato fui lá ver e a carta não estava mais.

Nossa! Tive a maior certeza que ele havia vindo buscar a carta.

Fui tomado de cheio por uma enorme e, de certa forma, efêmera felicidade. Era a certeza que mamãe seria curada.

Na família, evidentemente havia uma preocupação grande. Lembro que estávamos em lados opostos do fogão a lenha eu e um dos meus irmãos. Fitei-o. estava triste, pensativo.... Esbocei um sorriso e ele retribuiu de forma muito contida e nada nos falamos.

Tive vontade de dizer para que não se preocupasse pois eu já tinha resolvido o problema da doença da mamãe com a minha cartinha.

Ilusão infantil.

Mas há lendas lindas das quais nunca devemos fugir enquanto a ilusão nos seja possível.

Mamãe faleceu dia 02 de janeiro.

Para a criança que eu era aquilo era um enorme castigo. Por algum tempo me revoltei com o velhinho de vermelho e barbas brancas.

Depois de adulto entendi que realmente fui atendido. Pois foi um presente de papai do céu ou de papai Noel, ter a doce e insubstituível presença de mamãe para nosso último natal juntos fisicamente.

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Natal dos imigrantes


É Natal...

O mundo comemora,

Data universal,

Famílias se abraçam

E oram,

Trocam presentes,

Imaginando me emociono...

E choro.

É Natal...

E eu não abraço meus filhos,

Não vejo a Árvore natalina da casa do meu apreço

Nem a enfeito, pois me sinto apenas um andarilho.

O Sino que ouço não é o do meu país.

As Guirlandas estão em portas que não conheço,

Minha Ceia é a solidão que eu nunca quis.

Alguns anjos me acolhem com voluntariedade

Nesta terra em que a estrela vida me largou

São Deuses grandiosos de generosidade,

Mas me faltam as tradições da terra que me gerou.

Natal não tem fronteira,

É o que se diz desde sempre

Mas até a língua é barreira

Com os de sangue todos ausentes.

Menos mal que a fé

Em qualquer lugar se sente

E crendo se tem sempre uma chaminé

E uma árvore de boas sementes,

Ano que vem se Deus quiser

Farei um Feliz Natal com Minha Gente.

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Ser Gentil

Às vezes é preciso fazer uma prova

Que não seja para nota.

Acender uma vela

Que não seja para agradecer.

Oferecer uma flor

Que não seja póstuma.

Esquecer a hora

Sem menosprezar o relógio.

Ás vezes é preciso usar a vida

Que não seja só para sobreviver.

Crer

Sem que seja só por temer.

Ser gentil

Em doses colossais,

Sem ser por obrigação.

Pois quem pratica a gentileza

Aquece a alma e conquista o coração.

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Crescer

Meu ronco abandonou o caminhão

Que estacionou triste ....

Ficaram intactos os montes de areia,

As ervas cobriram as estradas.

Pena que ele não aprendeu crescer e

O tempo me transportou.

Abandonou-me o menino

E ele nunca mais andou.

Pobre caminhãozinho,

Eternizou-se parado

Na inocência de uma criança.

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Oração da poesia

Salve a poesia que à vida dá graça,

Conosco estejam seus encantamentos.

Bendita sóis entre todos os gêneros e

Bendito sejam os frutos dos seus versos.

Santa Cecília rogai por nós poetas

Abençoai as nossas inspirações

E protegei a todos os leitores

Amém.

(Respeitosamente construída com base na Oração da Ave Maria)

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Deixe-me

Me deixe morrer

Nas ondas azuis

Nas nuvens macias

Nas velas dos castiçais.

Deixe-me dormir

Na selva serena

Na pele morena

Do amanhecer.

Despeço-me - permita,

Antes da lua desligar,

Levo-te assim bonita

Na imaginação passear.

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Natural

Haviam matos, rios e morros,
Ao natural oferecendo sua beleza,
Mas não foi escutado o pedido de socorro
E foi assim, modificada a natureza.

Haviam frutas, hortaliças e cereais
Oferecendo-se puros para a mesa
Envenenados por produtos industriais
Alterou-se o natural da natureza.

Havia o ar saudável para respirar
Oxigenando de todos - à vida,
Destruiu-se pulmões verdes ao desmatar
Desequilíbrios de uma raça suicida.

Apesar dos sinais, prevalece a prepotência,
E o homem finge não saber,
Que no futuro a maior de todas as carências
Será a água potável para beber.

(poema vencedor do Apogeu poético AVL, agosto 2016 - Tema Natureza - modalidade Moderno)
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Depois de você

Eu ainda mantenho a mesma rotina.

Não deixo de fazer as coisas que fazíamos juntos.

Sufoco o vazio dentro de mim para poder manter vivas as nossas lembranças.

Queria ter sabido que eram as últimas vezes para poder dar a estes momentos muito mais intensidade.

Visto a roupa que você elogiava e coloco uma música como se fôssemos dançar. Preparo o jantar. Abro um vinho e coloco duas taças.

Empresto-me uma das minhas próprias mãos para podermos brindar.

Tem horas que caminho pelo jardim admirando as flores e seus encantos. Falo com elas como fazias.

Te chamo quando algo me impressiona - preciso que vejas.

Acaricio teu cabelo e cubro-te a noite, como se ali estivesse.

Às vezes escuto você contando do seu dia, eu também te conto o que eu fiz. - Juro - conto.

O silêncio faz cair uma lágrima e na emoção digo, com o mesmo orgulho, que nossos filhos estão bem, os netos crescendo no caminho que tantos queríamos.

Sim, tua falta aqui é impossível de suprir. Foram tantos momentos, planos, desejos, sorrisos....

Quanta vida vimos brotar em nós e nos nossos.

Não, eu não estou enlouquecendo, ainda que pudesse ser, pois a saudade e a solidão podem levar à loucura.

Sei que um dia você vai aparecer. Vai me chamar. Vai segurar minha mão para não soltar mais.

Assim caminharemos para a eternidade.

Espero paciente.

Quando este dia chegar vamos salvar o que infinitamos nas nossas almas.

No céu seremos novamente nós dois.

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Pinheiro Marcado

Na terra onde nasci os trilhos cortavam o pequeno lugarejo como brilhantes luzindo à luz solar"

Terra adorada da minha infância,
Meu belo berço natal,
Vivi alegrias e pujança
Meu amor por este chão é sem igual.

Não fossem as contingências do supremo,
De lá não sairia nenhum minutinho.
Fronteira municipal bem no extremo,
Lindo distrito no interior de Carazinho.

O ruído do trem de longe se escutava
A estação, de gente, certamente se enchia,
Surgiam em minha imaginação
As emoções de quem chegava ou partia.

Terra de tantos sonhos sonhados,
De agricultura e reais belezas
Do meu primeiro aprendizado
De vivências intensas com a natureza.

Da Escola Veiga Cabral de eternas lembranças,
Do amor inocente platonizado,
Trago grudado em meu peito às heranças
E gratidão ao meu chão: Pinheiro Marcado.

(Projeto AVL- Meu Berço meu orgulho)
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Notas de vida

Uma folha solta passou,

Onde outras já passaram.

Hoje ela foi vista

Pousando sobre a grama

Entre milhões delas.

Sutilezas distraídas,

Gotas cotidianas

Notas de amor à vida.

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