Lista de Poemas
Ondulante
O vento que nos permeia
Balança as águas
Ondula as areias.
Desafiante entra pelas janelas
Sacode as cortinas
Bate nas telhas.
Apaga-me a voz
Grita-me zunindo levemente
Esvoaça grisalho a cabeleira.
Vá ser feliz,
Por favor, vá-se embora
Vai ventar lá fora.
Gramado
Cidade de sonhos
De invernos gelados.
Gramado da luz natalina
Dos belos meninos e meninas
Do chocolate
E da neblina.
Gramado
Dos lagos
Dos cinemas
Dos vales e museus...
Gramado
Dos apaixonados
Da felicidade
Da gastronomia
E da hospitalidade.
Coroada
Tenho em mim cada gosto
Que quiçá, provarei nos lábios teus
A meiguice dócil do teu rosto
Trazendo saudade antes do adeus.
Desejarei poetar teus olhos brilhantes,
As covinhas das tuas bochechas ocas,
Descrever tua beleza cintilante,
Preso no fascínio da tua boca.
Numa poesia meio mágica e inconsequente,
Tirarei dos versos a rima reprimida
Colocarei no mesmo verso inocente
Em ordem invertida, eu, você e a vida.
Mescla
Em suaves devaneios autorais
transformei meu sujeito em composto
misturei consoantes e vogais
só para descrever a beleza do teu rosto.
Fantasia
Para o poeta a vida melhora
Com um toque de poesia,
Se não estiver ao alcance na hora,
Criará ele, em sua fantasia.
Bálsamo
O mar, mistério a explorar,
Acaricia ondas que cabelos não têm,
Como o corpo nu a encantar
Afogando desejos no suave vai e vem.
Bronze em reflexo solar
Na profundidade de tudo há sonhos,
É mágico nestas águas nadar
Bálsamo salgado onde me recomponho.
Este mar de esperança e fé
Onde o fim é impossível ver sequer
Balança na alma
Um corpo lindo de mulher
Míssil
Sofismadas no sorriso estavam às angustias,
Tremores de quem toca o infinito
Na incerteza do que virá ao abrir a porta
Além do bilhete pendurado
No girassol já sem abelhas.
Fecha-se o portão criado
De um mundo invisível
Ante o abismo....
Cante.
Talvez faltem pernas para o pulo,
Um passo atrás...
O embalo
Três...
Lança-se.
É a própria lança,
É míssil futurístico
Que não se prende a muros.
Levante-se...
Sentado
Nem na melhor música se dança.
Faça a troca;
A uma vida enfadonha
Arisque algumas festanças.
Ficou
Restou um rasto de poesia
Em folhas rabiscadas
Um rascunho de poema
Uma caneta trincada
Um caderno envelhecido
Pelo café marcado
Bitucas abundantes
Num cinzeiro enferrujado.
Ficou a vida sem óculos
O poeta foi cegado.
Amantes
O poema pronto precisou de muitos rascunhos,
Quem o lê nem sempre imagina,
As noites de luz acessa e as xícaras de café sobre a mesa.
Quanto se fez e desfez por uma frase,
Por um verso interessante.
Mais do que vício
Poesia é para amantes.
Quiz
Perfeito
E cheio de sensatez.
Realidade não aceita
Desmente o que fez.
Era perfeito,
Mas não condiz
Pouco eleito
Fora do quiz.
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Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)
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