Lista de Poemas
Pé
Em mim
Em mim morrerão os amigos,
Os encantos da juventude
As tardes adultas de matinê
As nadadas nos açudes
As noites de chaminé.
Em mim morrerão os dias
Que antes eu nem percebia
Que poderiam falecer.
Em mim morrerão os que amo
Olhos que brilharam nos meus
A voz feminina da saudade
Os que de mim nasceram
Na plenitude da idade.
Em mim morrerá a lua
O mar azul de encantar
A inspiração não mais brotará.
E a poesia silenciará.
Em mim morrerá a rima
Os versos brancos das composições
De mim morrerá a poesia
E as mais lindas canções.
Em mim morrerá, enfim
O que sempre me cercou
Todos meus versos de amor
De um coração que me matou.
Quiz
Perfeito
E cheio de sensatez.
Realidade não aceita
Desmente o que fez.
Era perfeito,
Mas não condiz
Pouco eleito
Fora do quiz.
Futuro
Como será o amanhã?
Não sei.
Não entendo de futuros,
Observo, apenas.
Sem palavras se diz mais e
O silêncio é futuro que se faz.
Noite Fria
A noite prateada entrou gelada.
Só um zumbido do minuano,
Igualmente gélido se ouvia.
Tímida a lua parecia tremer
Ao ver nos vidros partículas de gelo,
E o fogo na lareira a crescer.
Pensei que tudo congelaria
De dentro vinha o frio que eu sentia,
Mas alma arrepiada me blinda,
Pois a noite, assim mesmo, é linda.
E no amanhecer avistei,
Em meio ao campo de branco lençol,
Um cavalo solitário
Parecendo feito de sol.
Super real
Não faço da poesia um drama
Nem da vida uma fantasia
Crie-me num ambiente sem fama
Onde herói não existia.
Caio sem receios no lugar comum
Sem criar nem dizer nada original
Não conheci super-herói nenhum
Cresci num mundo "super real".
Lá o progresso não tinha chegado,
Lá os poderes eram falhos e normais
Tendo eles seus filhos bem criados,
Heróis de verdade eram nossos pais.
Negou-me, a vida, esta parte.
Talvez pondo outra em seu lugar,
Brinquei com minhas próprias artes
Heroísmo era poder se alimentar.
Princípio
Não costumo abrir mão dos meus princípios, nem dos meios, nem dos fins.
Nem sempre se pode transigir.
Escuro
A noite ocultou as ondas,
Sem silenciar meus ouvidos.
Doce embalos de ninar,
Doces ondas de amar.
Desenhei o paraíso
E nele me deitei,
Ouço a canção de sonhar,
Adormeço ouvindo o mar.
Portas
Natal dos imigrantes
É Natal...
O mundo comemora,
Data universal,
Famílias se abraçam
E oram,
Trocam presentes,
Imaginando me emociono...
E choro.
É Natal...
E eu não abraço meus filhos,
Não vejo a Árvore natalina da casa do meu apreço
Nem a enfeito, pois me sinto apenas um andarilho.
O Sino que ouço não é o do meu país.
As Guirlandas estão em portas que não conheço,
Minha Ceia é a solidão que eu nunca quis.
Alguns anjos me acolhem com voluntariedade
Nesta terra em que a estrela vida me largou
São Deuses grandiosos de generosidade,
Mas me faltam as tradições da terra que me gerou.
Natal não tem fronteira,
É o que se diz desde sempre
Mas até a língua é barreira
Com os de sangue todos ausentes.
Menos mal que a fé
Em qualquer lugar se sente
E crendo se tem sempre uma chaminé
E uma árvore de boas sementes,
Ano que vem se Deus quiser
Farei um Feliz Natal com Minha Gente.
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Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)