Lista de Poemas
Dentro
Quem percebe já entendeu
Que dentro de mim
Habito eu.
Hoje não
Vou apelar ao faz de contas
Hoje não quero o real
Nem vou saber se o sol aponta
Nem quem está bem ou mal.
Não quero notícias nenhuma,
O mundo vou esquecer
Superar medos guardados
Ser feliz pelo fato de viver
Hoje serei corpo sem matéria,
Sem futuro me puxando
Vou sorrir como quem vive em férias
Sonhar como quem está amando.
Cenário
é preciso encontrar ao menos um poema
Ou mesmo um simples verso sem rima,
Uma frase rabiscada na folha dobrada
Para fazer voltar na memória
O que agora é apenas história.
Na necessidade de se ir adiante
Vê-se o cenário da antiga cena
E hoje ensaia-se só.
Nesta hora tem-se a certeza
O que era um caminho
Transformou-se em estrada
De se caminhar sozinho.
Foi-se a vida
A velhice chegou.
Injusto
Fui ensinado a ser correto,
A suportar os solavancos
A ter comportamento reto,
A ser autêntico e franco.
Manter-me honesto e honrado
Evitando o mal fazer
Melhor dormir sossegado
A ver a consciência fenecer.
Vencer mentindo é injusto
Uma vitória enganosa
Para maldade não se faz busto
é uma escolha nada glamorosa.
A vida é implacável em seu custo
Sustento o orgulho em dizer:
Prefiro perder por ser justo
A ganhar por justo não ser.
Que vida!
A algazarra cessou.
Apenas uma lâmpada, ao fundo,
De resto e de alma tudo sombreou.
Um menino sonhando corria sozinho
Perdido, desconecto do caminho.
De dia viu voarem passarinhos,
Mas pernoitou sem sequer ter um ninho.
Sem travesseiro,
Querendo a noite passar ligeiro
Como se fosse dela apenas um passageiro.
Sonhos reais
Horrores,
Temores...
Tremores.
Um timbre de galo .... Distante,
O dia entrante
Angústia alarmante.
Desejou plantar a poesia
Na ilusão de colher o café da manhã,
No orfanato da agonia.
Desacreditou no amor
Angustiado calou.
Sem mundo
Humano imundo.
Matou as aventuras,
Matou as canções,
Sepultou ilusões.
- Que vida meu Deus...
Que vida!
Hoje não
Hoje não quero
Hoje é dia de não querer,
Sem contradizer minha hierarquia
Minhas ordens hoje - desconsidero.
Nem me insista: hoje não quero.
Sou feliz
De presente a estrada matinal
- De chão batido - relva.
Selvagem selva e paraíso.
Natureza, sol, belezas.
Sigo como sou.
Me encanto
- Nó na garganta -
Sou feliz;
Não esqueço!
Faliu a sociedade
E a mãe perdeu o filho
E se fechou.
E outra família perdeu o pai
E se fechou.
E outros perderam outros
Humanos, honestos, bravos...
Faliu a sociedade
O crime reduziu a idade
Os valores reduziram nas cabeças
Intoxicadas.
E a mãe generosa
De coração sem limite
De bondade divina
De amor e luta
Perdeu outro filho,
E a sociedade não viu
O policial não viu
O juiz não puniu,
Mas o filho sumiu.
Coração de mãe cabe mais um,
Mas por Deus,
Há uns que não merecem ter mãe,
Há uns que não tem Deus,
Mãe nunca vai entender
Por qual motivo outro filho
Assassina um filho seu.
Florir
Floriu o poema que plantei.
Flores lindas!
Perfumadas de vida.
Escuto o assovio do menino
Em seus galhos empoleirado.
Doçura de versos germinado,
Na poesia, que mesmo tardia,
Faz sombra para lhe abrigar.
Para ser lido
O livro leva o silêncio
Leva a vida
Seus personagens
Suas passagens
Leva calado
O que foi grafado
Para ser lembrado.
O livro transporta
Tudo o que se quer,
Leva saudades
Em cada linha
Uma historinha
Que alguém inventou
Ou a verdade
Que o autor contou.
O livro é fiel
Leva de tudo, mas
Fica calado
Seu conteúdo
Não é revelado
Se não for folheado.
Comentários (0)
NoComments
Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)
Português
English
Español