Escritas

Lista de Poemas

Nem vi

Desculpem minha falta de memória

Repito os velhos versos

Como a canção antiga

Que cantei na infância.

Desculpem minhas frágeis lembranças,

Vividas desde dos tempos de crianças

Que não querem se apagar.

Desculpem - me

Nem vi a vida passar.

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Passamento

A funda

afunda

penas

A pedra

preteia

o peito

Partiu

pobre pássaro.

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Eu não paro de sonhar

Só o fim dos sonhos me faria parar,

Mas tenho estoque para uma vida

E se necessário vou fabricar.

Eu não paro...

Eu não paro de sonhar.

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Sol

Conte-me do sol prometido,

Disseste-me que ele ainda brilha,

Inquieto-me sem que o veja

A espera é castigo insano.

Vida de nuvens é vida que troveja,

Venha para mim sol que tanto amo.

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A gente

A gente se doa em cada gesto de carinho

A gente se dá em cada flor que oferece

A gente se perde no outro quando ama

A gente renasce quando tem o que viver.

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Poesiaria

Tristes são as poesias de rua.
Falta-lhes a básico:
Rimas
Versos
Palavras.

Me comovo...
Todas elas deveriam morar
Num livro lindo,
Confortável
De capa bem elaborada,
Aconchegante.

Contudo poucas condiçoes literárias disponho.
Louvo cada poeta e seu esforço para adotá-las.
Tenho um sonho utópico, louco, desastrado
De construir uma poesiaria
E hospedá-las confortavelmente.

Pois a poesia sonhada
Estará sempre bem instalada.
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Humildade morta

Talvez nunca chegue para ficar,

Nem nunca levante para ir embora.

Talvez a multidão escondeu

No tremor da respiração

Em que você se perdeu

E foi-se pela contramão.

Nem mais copo, nem mais corpo

Acolhendo os desejos acordados.

Não há boca esperando outra,

Apenas um movimento sem jeito

Um corpo conduzindo a roupa.

Na parede pendurado um recado

De um tempo a ser lembrado,

Um sorriso nunca esquecido

Contrastando com o hoje amarelado.

Findou assim, sem terminar

Foi tudo e sempre tudo será

Amor que ama tem vida eterna

O que morre é a humildade de amar.

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Hoje não acordei

Hoje passei no bosque.

Em trilhas que antes já fiz

Revi vestígios da amarelinha

Em apagados riscos de giz.

Com a chegada da noite

Me fiz anoitecer também.

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Penso em ti

A estrela em que te vejo
brilhará eternamente
Nada é passado
és sempre presente.

Para a ternura materna
Acendo uma vela
A chama me queima,
Viveu por mim
Morreria por ela.

Me deito em véus
De insônias estrelares
Penso em ti
Brilhas no céu,
Mas te queria aqui.

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A vida

Evito ao natural manusear

Vou lendo de lá pra cá,

Prefiro não saber se acabei

Ou se estou apenas a começar.

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