Lista de Poemas
A alma chora
Vejo a beleza
Em poesias que alguém
Faz.
Jamais terei tal perfeição,
Carrego a inquietude
De não desistir.
Não aprendi transmitir
A sensibilidade
Estocada no peito
Querendo sair.
Tento frear.
Nessas horas
Recolho-me e disfarço
Mas a alma...
A alma sempre chora.
Vós
Quase a última voz do verbo
Ofereço-te complacência
Nada em ti renego
Com tua soberba e negligência
Por vezes de tristeza me entrego
O que supões inteligência,
É inflação do ego.
Leveza
Anoiteceu na aldeia
Como um vulto
A aranha
Balança-se na teia.
Que sorte tem ela
Agarra a própria linha
Se lança destemida
Segura de si.
Me vejo imóvel
Não tenho igual certeza
Não me desprendo da teia
Me falta a leveza.
Meia noite de silêncio
Suave música ao fundo
Só a quietude destoa
Baixas vozes melódicas
Aguçam estranhas manias
De empurrar o mundo.
Vento cantando
Sopra feito solidão
Voz única e violão
O mundo se move
Nesta canção.
Canto teus encantos
Repetindo o intérprete
Canto-te em mim
Na minha voz falsete.
Foi-se a meia noite,
A vida, a esta hora,
É o próprio silêncio
Que a gente cala.
Partir
Em pleno devaneio
Já no centro de mim,
Refleti-me desajeitado
E no meu espelho,
Em prantos sorri
Por fim...
Parti.
Vi
Vi ainda ontem
Uma flor balançando
Com o vento suave
Levemente lhe tocando.
Nem vi
Desculpem minha falta de memória
Repito os velhos versos
Como a canção antiga
Que cantei na infância.
Desculpem minhas frágeis lembranças,
Vividas desde dos tempos de crianças
Que não querem se apagar.
Desculpem - me
Nem vi a vida passar.
Medos
Na velha casa de madeira
O quarto ao lado do meu
Um mostro escolheu para morar.
À noite, destemido, ele subia no foro
E fazia a madeira estalar.
A lua espiava os meus medos pelas frestas
- Que vergonha!
Ao longe, uivava algum bicho noturno,
Desconfio que em meio as palhas do colchão
Morava outro, mais barulhento, mais enfadonho.
Hoje a casa é adulta
Do menino já nem sei,
Mas os medos?
Deles nunca me livrarei.
Eu não paro de sonhar
Só o fim dos sonhos me faria parar,
Mas tenho estoque para uma vida
E se necessário vou fabricar.
Eu não paro...
Eu não paro de sonhar.
Passamento
A funda
afunda
penas
A pedra
preteia
o peito
Partiu
pobre pássaro.
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Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)