Lista de Poemas

Idas sem volta

Como óleo e água nos tentamos homogenisar.
De perto pensei que complementaria o teu eletrão solto com o meu protão melancólico,
Julguei ser a margarida no meio desses penhascos destroçados
Ou tu a cafeína do meu dia mal acordado.

Puseste um fim aos caminhos traçados mas sem deixar pegada,
Pernoitei à espera do Sol que me iluminaria a vontade de voltar a acreditar no impossível..
Mas tudo se resume ao temporário e como que por magia tornaste as tuas palvras em algo pouco credível.

E em vão foste, como o último raio de sol do dia.
Como uma migalha de pão que esvoaça pelo passeio me deixaste.
Estarás contente agora? De como me mandaste fora e pisaste?

E eu que acreditei nessas mentiras mal contadas..
Os olhos brilhavam, a voz tremia e a paz serena se encostava na minha alma
Quando te ouvia a ti e às palavras que proferias com calma..
Guardava-as no coração como páginas vincadas. 

Mas apenas o destino sabe o porquê.
Apenas sei que se o amor fosse perfeito como a ciência
Estarias comigo agora e não pensaria constantemente na tua ausência.
👁️ 246

In memoriam

Acorda ela com o cabelo em pé,
com uma meia perdida no meio dos lençóis e almofadas espalhadas no chão vasto.
Uma rotina por que passar, escola, casa, almoço, escola, casa.

Acorda outra vez com o cabelo em pé,
desta vez sem meias se deitou na noite passada,
mas uma camisola vestiu e aconchegou-se às almofadas. 

Cada dia é um novo dia dizem eles,
mas cada dia é o mesmo que o de ontem, e de antes de ontem,
cada dia passa com um sorriso na cara enferrujado,
com frio nas mãos e olhos envermelhados. 

Cada dia é um novo dia,
mas de novo apenas o prato onde ela janta,
de resto tudo continua como desde o primeiro dia
em que os olhos pela primeira vez o sol viram. 

Ela senta-se no cama de mente vazia,
apenas imagens de memórias com ele lhe correm pela visão,
como se revivesse, sentisse e ouvisse tudo outra vez. 

Ela sente saudade.
Ela sente.

Ela sente saudades dos tic tacs que pareciam ilimitados cheios de sentimentos puros.
Ela sente saudades da personalidade
antes de se ter alterado para o: “porque faz parte da adolescência”.
Ela sente saudades de quando sentia felicidade sem prever a melancolia.
Ela sente saudades de se sentir amada.
Ela sente saudades da voz que esperava todos os dias.
Ela sente muito, mas também sente que ninguém sente por ela o que ela sente por tudo
e por ele.
Ela espera para que o sentimento se desapegue dela,
mas sabe que por muito que espere,
nem ele nem o sentimento encontrarão o rumo que ela quer.
👁️ 240

Nodus Tollens

Na paz sinto a solidão 
que desdobra a melancolia sentida
na multidão que me alucina 
a vontade de cá não estar
de fugir aos medos, ao passado, aos erros
de não ter de ver os olhos de quem me ama,
quem tanto magoei, olhos que me olham
espelhados, cristalizados, quebrados
e o que sentem já não sei.

Seguro as mãos fracas de tanto subirem escadas,
do sangue seco por todas as quedas, 
marcado degrau a degrau,
frias porque o calor perdeu-se 
quando pela primeira vez traí a tua confiança.

E esta subida que nunca mais traz a paz.
Tento não apressar, mas na escuridão que me pus
torna-se incapaz não querer o fim luminoso,
a luz que todos procuram e muitos o têm,
porque eu não o mereco, mas quero 
sentir a liberdade de olhar-te mãe,
sem me preocupar nas histórias passadas.
das dores sentidas, das memórias variadas,
que nos afunilam, afundam, escassam 
as horas de tanto afeto que passavam.

Ao teu lado os risos tão altos
que enfatizavam o "amo-te" 
sentido nas chamas deste meu coração velho
estragado e sem compaixão, 
sem empatia por ti,
apenas cansado de tanto bombardear
o sangue que agora corre frio lentamente
que não mereces senti-lo assim.

Porque de mim fiz o escuro
de alguém que sempre me mostrou 
o sol que torna visível as cores da vida,
e eu sei que não voltará,
o tempo solto, já não está acorrentado
a nós, apenas perdido como eu,
não sabe destinguir as horas dos minutos, 
porque ele anda devagar, faz-me sofrer
já não passa a correr, não estou contigo,
prefiro morrer.
👁️ 270

Jogo das escondidas

Quando era pequena jogava às escondidas.
Eu contava e os outros escondiam.
Mas desta vez não contei,
Não contei porque não sabia que estávamos a jogar.
Tu escondeste-te ainda quando as árvores estremeciam
Naquele inverno, sem me dizer nada nem avisar...

Não sei se é suposto contar pelos dedos as horas que espero
Ou insinuar que aparecerás baseado nos cenários que desespero
Ou mesmo aceitar de que não te terei mais.
Mas como me deixo levar pela verdade que não quero?
Tu és como químicos tóxicos que causam danos vitais.

Quando era pequena tudo era mais fácil...
Ter amores e compromissos estava a mil anos de distância
Apenas enchia de alegria este meu coração frágil
E inventava cores e línguas, passando a infância
Com preocupações sem importância. 

Não sei se suspiro, respiro, ou aceito só o nosso destino
Apenas sabia histórias com finais felizes
Se calhar a felicidade espera-nos mas não neste sentido
Em rumos diferentes, e sem bissetrizes
A contar, a esconder e a encontrar aquilo que não nos torna infelizes.
👁️ 246

Comentários (2)

Iniciar sessão para publicar um comentário.
mcegonha
mcegonha
2024-02-15

Profundo; Sincero;<br />Obrigado na sua partilha;

Parabens pela bela poesia.... obrigado por me visitar e mande-me seu email. ok. ademir o poeta;