Nodus Tollens

Na paz sinto a solidão 
que desdobra a melancolia sentida
na multidão que me alucina 
a vontade de cá não estar
de fugir aos medos, ao passado, aos erros
de não ter de ver os olhos de quem me ama,
quem tanto magoei, olhos que me olham
espelhados, cristalizados, quebrados
e o que sentem já não sei.

Seguro as mãos fracas de tanto subirem escadas,
do sangue seco por todas as quedas, 
marcado degrau a degrau,
frias porque o calor perdeu-se 
quando pela primeira vez traí a tua confiança.

E esta subida que nunca mais traz a paz.
Tento não apressar, mas na escuridão que me pus
torna-se incapaz não querer o fim luminoso,
a luz que todos procuram e muitos o têm,
porque eu não o mereco, mas quero 
sentir a liberdade de olhar-te mãe,
sem me preocupar nas histórias passadas.
das dores sentidas, das memórias variadas,
que nos afunilam, afundam, escassam 
as horas de tanto afeto que passavam.

Ao teu lado os risos tão altos
que enfatizavam o "amo-te" 
sentido nas chamas deste meu coração velho
estragado e sem compaixão, 
sem empatia por ti,
apenas cansado de tanto bombardear
o sangue que agora corre frio lentamente
que não mereces senti-lo assim.

Porque de mim fiz o escuro
de alguém que sempre me mostrou 
o sol que torna visível as cores da vida,
e eu sei que não voltará,
o tempo solto, já não está acorrentado
a nós, apenas perdido como eu,
não sabe destinguir as horas dos minutos, 
porque ele anda devagar, faz-me sofrer
já não passa a correr, não estou contigo,
prefiro morrer.
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