Fronteiras do Ser
MARIA DE FATIMA FERREIRA RODRIGUES
Olhei-me inteira
como se fizesse um inventário da vida
Estava plena
Nada me impedia
As marcas são sinais de um percurso
Por que acioná-las agora?
Melhor é deixá-las com o sentido que têm
Do tempo que se foi
Acúmulo apenas
Aprendizados há em demasia
Dores sangradas e cicatrizes curadas
Atos de fé
Ternuras somadas às noites infindas
Caminhadas por trilhas e estradas largas
Sorvo essas lembranças fixadas em meu corpo
Olho, vejo, miro
Reparo
Volto no tempo devagarinho
Conto estrelas
Da janela vejo o Cruzeiro do Sul
Constelação de minha infância
Sempre presente em mim
Porque apagar essas marcas grisalhas
que tantas memórias me trazem?
As tintas já não conseguem ocultar
a imagem que assoma ao espelho
Estou plena
A luz resplandesce e ilumina o meu rosto
Há uma juventude passada
Outra se apresenta
a me cobrar coragem
O ser pede licença, agora Sou.
Comentários (1)
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jeiancoski
2020-07-02
Achei muito lindo!
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