Escritas

Lista de Poemas

Esta noite fui tua





Esta noite fui tua







E o meu corpo



Cansado de esperar



Precisou-te até à medula.







Esta noite fui tua,



Mas não foram "tuas" as palavras



E porquanto foram.







Não atingiremos sozinhos o tempo das aves.



E não ignoro o silêncio



Nem a vontade de voar.







Esta noite fui tua



E as minhas asas planaram sobre tua cabeça



E o teu amor inundou-me de ti.







Esta noite fui tua.



Mas os meus flancos não sentiram tuas mãos.



E eu não consegui e fiquei nua, orvalhada e sozinha no chão.



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O descanso do Guerreiro



Peço ao dia a noite

O silêncio

O teu corpo encostado ao meu.

O abraço forte e seguro

Que nos aconchega e assegura.

Peço à noite um luar

Um brilho no escuro

Onde estenda o teu olhar

Debruçado na minh'a alma...

Peço ao dia um cheiro,

Um afago, uma brisa.

Uma música, um poema

Um sentir de entardecer.

Ensandeço.

Se ando pareço encontrar-te,

Se sonho pretendo amar-te

Quero ficar só

contigo em meu corpo

todas as noites,

de todos os dias,

para o resto de nossas vidas.

Ainda que a vida aconteça todos os dias

E tu não estejas lá,

Dormes concerteza sempre comigo.

Apago a luz, estendo o lençol

E chamo-te. Estás aqui querido. Estás aqui.
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Recordo daquele dia as tuas mãos

Recordo daquele dia as tuas mãos.

Longas e sensíveis.

Doidas como borboletas, rodopiavam no ar

Acompanhando a conversa

Inebriante como um vinho de culto

Recordo a toalha. Branca.

E o teu cabelo escovinha. E o teu ar traquinas.

Recordo que a casa estava cheia

E a pouco e pouco foram passando e cumprimentando-te.

E nós não reparámos

Hipnotizados de esperança.

Recordo a tarde de amor que não foi tua.

E a tua voz.

O encontro que não marcámos.

O jantar que não fizemos.

O pôr-do-sol que não foi nosso.

Mas selámos entre nós a amizade possível.

E partimos. Para os nossos compromissos inadiáveis.

E as tuas mãos foram borboletas.

E os meus cabelos foram nevralgias.

E aquele encontro foi magia.
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Quando sonho contigo





Quando sonho contigo



Não tens corpo, não tens rosto



És sensações e pronto.



Quando sonho contigo



Sei que estás comigo



Sei. E pronto.



Sinto o meu orgasmo violento



Sinto o coração bater no clítoris.



É tão forte como ninguém, nunca, jamais.



Tomas-me toda, porque eu sou toda tua.



És um desejo irracional, imparável.



Sinto um amor tão grande



Íntimo, profundo.







Quando te vejo e te abraço



Digo-te estas coisas sem palavras



Viajo contigo tantas horas



Vagueio à procura do teu húmus



Como um sonâmbulo



Procuro incessantemente a outra metade de mim.



Por vezes, faltam-me as forças.



Quero mover-me, sair de ti.



Não consigo.



Amo-te demais. Amo-te tanto



Que o tempo para ti não passa. Tu não passas.



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Moinhas Mãos

Enquanto escuto todas as vozes

E desfio horas e palavras

Vou perguntando a Deus

Quanto tempo?

Quanto tempo mais

Até te amarrar em teus braços

Nos unir, amar

Perder o tino

Perder a compostura

Perder e ganhar.

Enquanto desfio o rosário dos aflitos

Confronto-me com Deus e digo:

Quero-te, desejo-te, cedo.

Amo o rio que corre no teu corpo e

Que desaba no meu mar.

Não consigo dormir

Abraço-me e procuro-te.

Moinhas mãos trabalham arduamente

Tecendo o tempo que nos separa

Aumentando o desejo e encurtando a espera.

Já não sei o que fazer.

Começo a ficar com o olhar ausente

E as mãos dormentes.

Preciso do teu amor.
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Com título e sem ti

Estava escuro

A noite gelava e eu

Estremecia em teu abraço

De medo e de desejo

A fome impelia-nos

Mais que o medo,

Mais que o terror,

Mais que os bichos acoitados

Lá fora.

Estava frio

O quarto gelado

A pequena cama

O sofá

Não servia

Quiseste-me vestida

Calçada

De pé

Na cozinha

Foi de loucura

Foi de breu

Apenas a lua iluminou
nossos contornos

Amámo-nos muito.

Bateram á porta

Paralisei de terror mas teus braços não me abandonaram.

O nosso coração batia descompassadamente

Junto



Jamais me abandonaste nessa noite.

Nem então paraste.

Levaste-me até ao gozo

E querias mais. Queríamos mais.

Tanto mais.

E a tua coragem então

Quebrou as barreiras, submergiu os campos

Deixou-me presa na barragem do teu amor

Onde o lodo hoje ameaça tudo cobrir.

Partiste por todas as razões

Mas eu fiquei um pouco naquele quadro.

E na tua figura esguia, varonil, protectora

Amigo seguro que partiste e jamais voltaste

Ninguém me protege

Sinto-me tão só sem ti.
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Sem título

A loucura vive
Nesta porta vedada
entre ti e mim.
Por não aguentar mais esta pressão
Vou embora
No rasto do teu corpo
Das nossas noites
Deste cheiro novo que há em mim
Não sei se procuro o mar
Se a serra, se o chão.
Sei que me procuro a mim.
Porque simplesmente desapareci
no dia em que te conheci.
Amo-te
Não suporto mais a soliddão
Errei tanto que já não sei contar
Mas errei com a sensação
absoluta de estar certa
Só que ninguém, senão tu,
percebe porquê.
Sim, sabes de cor
o meu rosto, o meu olhar,
o desejo que se consome em
chama ardente, febre alta,
na noite escura do meu ser
onde fecho os olhos e cerro as mãos
de tanto te querer.
Se não consigo comunicar
contigo esta amargura
Se me empurras para o caminho
então tenho que me perder para
te encontrar..
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Lágrimas secas (como as tempestades de África)





Quem nunca sentiu chorar por dentro

Não sabe o que é o amor.

Começa no seio que desponta,

No sexo que arredonda e brilha

Entra pela circulação

E escava um rio até ao coração.

Emerge num suspiro, num olhar perdido e magoado

Causa febre localizada e vertigem

Arrepia, magoa, já não arde.

Não fere na sua inevitabilidade

Foge por entre os dedos

Crava-se na carne

Arranca-nos o peito e

Prepara-nos a viagem...

Diz-nos que estamos sós,

Mostra-nos o chão e o céu.

Enubla a visão e enobrece o coração de um bravo

Desfalece em seus braços e diz-lhe toda nua,

Sou tua

Depois adormece e mais tarde continua.

Desaba no mar algures onde o farol alumia.
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Verão

Nesta escaldante noite de verão,

Corpos felizes rolam no chão,

Famintos de amor,

Cheios de tesão,

Enrolam cigarros e bebem paixão!
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Eu queria encontrar o verso certo

Eu queria encontrar o
verso certo

Sem rima, sem suor, até sem poesia.

Um corpo, outro corpo.

Respiração. Lágrimas. Transpiração.

Transformação. Afecto. Ligação.

Silêncio. Mãos fechadas, agarradas.

Sem palavras, simples ou compostas.

Caminho, sem destino

e sem saída.

Abismo, abraço, salto conjunto.

Aterragem, de pé, sem danos ou ruído.

Areia, Mar. Tu e eu.

Sal, lágrimas, abraço.

Amor outra vez.

Puros risos pela areia entranhada

Entrada

No corpo que se conhece de cor

E se redescobre, surpreso, admirado, a cada momento.



Amar é:

Fazer amor com a convicção de que se faz um filho.



Nem todos podemos ser heróis.

Alguns somos apenas heróis de coisa nenhuma.

Mas para alguém fomos tudo.

E tudo é muito.
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