Escritas

Lágrimas secas (como as tempestades de África)

maria




Quem nunca sentiu chorar por dentro

Não sabe o que é o amor.

Começa no seio que desponta,

No sexo que arredonda e brilha

Entra pela circulação

E escava um rio até ao coração.

Emerge num suspiro, num olhar perdido e magoado

Causa febre localizada e vertigem

Arrepia, magoa, já não arde.

Não fere na sua inevitabilidade

Foge por entre os dedos

Crava-se na carne

Arranca-nos o peito e

Prepara-nos a viagem...

Diz-nos que estamos sós,

Mostra-nos o chão e o céu.

Enubla a visão e enobrece o coração de um bravo

Desfalece em seus braços e diz-lhe toda nua,

Sou tua

Depois adormece e mais tarde continua.

Desaba no mar algures onde o farol alumia.
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Comentários (3)

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Inez Andrade Paes
Inez Andrade Paes
2021-07-01

BATUQUE AO LONGE<br /> <br />Do fundo da noite/<br />a mesma toada batendo./<br />(É noite de mêdo??)/<br />..<br />A mesma toada por sobre os telhados,/<br />trazendo mensagens que tombam desfeitas./<br /> <br />(Coladas aos vidros/<br />há vozes de greda)./<br /> <br />A mesma toada roçando na porta,/<br />batendo./<br /> <br />Por sobre as ramadas, calcando o capim,/<br />em volta da serra, caindo do espaço,/<br />em ecos de outrora por todos os lados./<br />..<br />A mesma toada escondida na treva,/<br />sem rumo batendo./<br />..<br />Batendo de feltro,/<br />subindo às estrelas,/<br />ficando na noite./<br />...<br />Batendo./<br />Batendo./<br />..<br />Glória de Sant'Anna in Música Ausente (p.p.51,53)<br />

Inez Andrade Paes
Inez Andrade Paes
2021-07-01

Exmos. Escritas. org<br />Bom dia.<br /><br />Venho indicar-vos que no poema lhe faltam versos. Também que nome da autora é Glória de Sant'Anna.<br />assim:<br />BATUQUE AO LONGE<br /><br /><br />"Do fundo da noite<br />a mesma toada batendo.<br />(É noite de mêdo??)<br /><br />A mesma toada por sobre os telhados,<br />trazendo mensagens que tombam desfeitas.<br /> <br />(Coladas aos vidros<br />há vozes de greda).<br /> <br />A mesma toada roçando na porta,<br />batendo.<br /> <br />Por sobre as ramadas, calcando o capim,<br />em volta da serra, caindo do espaço,<br />em ecos de outrora por todos os lados.<br /><br />A mesma toada escondida na treva,<br />sem rumo batendo.<br /><br />Batendo de feltro,<br />subindo às estrelas,<br />ficando na noite.<br /><br />Batendo.<br />Batendo.<br /><br /><br />Glória de Sant'Anna in Música Ausente (p.p.51,53)<br /><br />Melhores cumprimentos.<br />Inez Andrade Paes

joao_euzebio
2011-10-10

Maria que beleza de poema, me senti um viajante neste teu mundo de sonhos e realidade, e como &eacute; bom voc&ecirc;<br /> &nbsp;deslizar pelas palavras e ver que &eacute; bem f&aacute;cil demonstrar nossos sentimentos. parab&eacute;ns