Escritas

Recordo daquele dia as tuas mãos

maria
Recordo daquele dia as tuas mãos.

Longas e sensíveis.

Doidas como borboletas, rodopiavam no ar

Acompanhando a conversa

Inebriante como um vinho de culto

Recordo a toalha. Branca.

E o teu cabelo escovinha. E o teu ar traquinas.

Recordo que a casa estava cheia

E a pouco e pouco foram passando e cumprimentando-te.

E nós não reparámos

Hipnotizados de esperança.

Recordo a tarde de amor que não foi tua.

E a tua voz.

O encontro que não marcámos.

O jantar que não fizemos.

O pôr-do-sol que não foi nosso.

Mas selámos entre nós a amizade possível.

E partimos. Para os nossos compromissos inadiáveis.

E as tuas mãos foram borboletas.

E os meus cabelos foram nevralgias.

E aquele encontro foi magia.
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