Lista de Poemas
Amor ardente
que deixa a alma maltratada,
Tortura com o silêncio
E o desprezo de não ser amada;
Quando tal paixão despertou,
Me acho incerta quanto ao tempo,
Mas ser capaz de a contemplar
Serve para o meu contentamento;
Não sei o que hei de esperar,
Se para mim tanto me dói mais
não poder a ele tocar;
Expresso-me pela agonia,
Essa que me tem quebrada,
De quem ama e jamais foi amada.
Pura imaginação
Era assim,
Como as borboletas
brotam do jardim,
Como a delicadeza
Da pele alva
se esconde sob cetim;
Era assim,
Sorria com rubor,
A bochecha corada
De vermelho escarlate,
O brilho das estrelas
No castanho chocolate;
Sim, os olhos,
Que iluminavam uma cidade,
Ai que belos olhos,
Que carregavam tanta vaidade;
Os lábios que tragavam
Num suspiro de saudade,
Um vulto que se movia,
Um toque de insanidade;
E era assim,
Como se quebrava uma alma
Num leito de escravidão,
Aquela doçura nas palavras
Não pertenciam a mim,
Jamais ao meu coração;
Era pura imaginação.
Pobre alma lusitana
Pobre alma lusitana a minha
Cheia de fado e amargura,
Chamo Deus como quem bebe
E repousa na cova escura;
Deixa que te olhe direito,
Os meus olhos já estão embargados,
Se eu pudesse pedir um desejo:
Que eu pereça e morra aos bocados;
Sob o teu sorriso de encantar
Ouvem-se as cantigas da manhã,
A madrugada hoje deitou-se cedo
Só para ti ela poder cantar;
Tão minha, tão somente minha,
Que sem eu saber não é,
Rendo-me a Deus, mas não a ti,
Meu anjo, como poderia?
Os teus olhos
Meus celestes olhos
Nesta leda madrugada te assistem,
Os teus tão tristes, hoje, tão opacos,
Que deixam o meu coração em pedaços;
Dessa cor que chocolate
Faz lembrar ao raiar do sol,
Vejo a sombra d'uma vida
Sem esperanças de me ter contida;
Não lhe canto a ela, canto-lhe a ele,
Moço que me tem cativa
Ai, essa tamanha formosura
Que me rendo de perdida;
Enfim, repouso meu gesto cansado
Do desprezo de te olhar,
Já devastada estou eu
Que fará se pudesse a ti tocar?
O tempo não pára
Não nos deixa repousar
Afasta-nos da lua
E cega-nos ao luar
Empurra para o precipício
Fere a alma com um olhar
Ilude-nos com um sorriso
Que é fatal que vá matar
Rouba-nos a vida
Doma as belas mágoas
Cura as feridas
Das paixões arrastadas
Sabe mentir
Que nada cura no meu ser
Nada faz para me cegar
Nada faz para tirar de mim
Quem não pode ser meu jamais
E o tempo não pára
Mal sabe ele que não o quero parado
Não sabe ele o porquê de não parar
Não sei eu o porquê dele de mim não gostar.
Um sopro de nostalgia
De repente, um sopro de nostalgia.
Lembrei o que há muito não lembrava,
O gosto a leite com café
Que da cozinha d'avó Maria emanava,
Sob a toalha bordada que tanta nódoa tinha;
Pronta para fugir para o terraço,
Fingia uma sesta com a boneca na mão,
Assim que a vovó se entregava ao sono,
Coitada, embalada na sua própria canção;
A velha surda lá na esquina
Corria sempre pr'á porta e sorria,
Mal ouvia, mas era tão cusca,
Que as vezes que espirrava ela sabia;
Pior que isso somente as outras vizinhas,
Que se comunicavam aos gritos,
Debruçadas nas varandas, todas esbaforidas,
Para não pagarem renda de telefone;
Sentada na cadeira das rosas, na varanda,
Restava eu diante de tanta euforia,
Sorria ao ouvir o Viriatinho cantar,
Quando as mulheres davam tréguas à gritaria;
Do tempo fiz memórias,
Construí sonhos,
Criei espetativas,
Confundi sentimentos,
Apaixonei-me que nem perdida,
Escrevi e cantei o meu povo,
Caí em tormentos rendida
E sorri, porque eu faria tudo de novo.
De repente, um sopro de poesia.
Aquela leda madrugada
Recordo aquela leda madrugada,
No cais, sentada a ver o mar,
Pensando em ti, meu amor,
Sob o amargo consentimento do luar;
As ondas arrastavam-se, preguiçosamente,
Como se não me quisessem ver sofrida,
A brecha de luz que da lua vinha
Permitia a muitos ver-me ferida;
Lembro-me que comecei a sorrir,
Se por desdém ou paixão, não sei,
Talvez pela mágoa de te ver partir;
Deixei o meu pássaro voar,
Não encontrará quem o ame tanto,
Mas, para mim não ouse, nunca mais, voltar.
Nunca mais seria a mesma
O teu cabelo, ele murmurava,
Embriagado de tamanha luxúria,
Quase torpe, naquele ar tépido,
Ao dar-se preso naquela injúria;
Então, ela, por descuido,
Mirava-lhe os olhos sugados p'la ira,
Segurava-o defronte do seu rosto,
Beijava uma lágrima que lhe caira;
Ele tocava-a com desespero
Como se fosse a última vez,
Beijava-a com fervor obsceno
Mas olhava-a com timidez;
Sem ver de quê, algo mudou,
Ouviu-se dar as badaladas,
Ouviu-se as duas almas desditosas
Serem impiedosamente quebradas;
De repente, num tom brusco,
Move-se o vestido aveludado,
Que marcava as linhas e curvas
Daquele corpo pálido, avantajado;
Lá de fora sentia-se a chuva,
Os raios a fazer jus à tempestade,
Não à que Deus diz ser natural,
Mas àquela que trás de volta a realidade;
Então ela se foi,
Fria, apagada, sem nada lhe dizer,
Deixando um coração despedaçado,
Uma ferida aberta que o faria sofrer;
Bastava um sussurro,
Um tragar de saudade,
Um toque de insanidade,
E nunca mais seria a mesma.
Em cinzas
O choque,
O duro sabor da realidade,
Gosto de maldade e desilusão,
Uma pedra dura que depressa
Rachou os fios do meu coração;
Em cinzas ele se ficou
Quando te vi lá no alto,
De vestes, segurando-lhe a mão,
Enternecido, olhando-a
Com tamanha devoção;
E eu olhava-te com pesar
Entre as luzes da boate,
Desviando ruborizada quando,
Por descuido, o meu castanho Encontrava o teu chocolate;
Como se não te fosse ver mais
Queimava-te com o olhar,
Sem saber, derreti-me,
Quando dei por mim a chorar
Uma única lágrima para te consolar;
Eras o mais formoso e galante,
Por momentos de incoerência,
Vidrada em ti, no teu molde, pensei
Que tantos suspiros roubaste
Por entre todas que passaste;
E num momento de fraqueza,
Lá deixei eu que me maltratasses,
Que me fizesses ser a única
Com dor de não poder em ti ver
O que desejei anos que me pertencesse,
Que lutei em silêncio
Para que nunca se soubesse,
E porquê?
Que tal injúria bateu à minha porta,
Que me trás ira, tristeza
Que me põe morta,
Que me faz capaz de te culpar
Pela vida assim o ser,
Mas tudo volta
Com um novo conectar de olhos,
Vago, frio, distante,
As relíquias que tanto estimei,
Que me fazem ter vontade
De agarrar no que sinto e
Jamais repetir que algum dia te amei.
Lembranças
Aqui me sinto repousada
Entre o verde,
Que pelo quente de agosto é abraçado,
Lembro as poucas lembranças que me é possível recordar,
Aquelas que mal ficaram no passado;
De perna cruzada e a cantarolar, Aprecio o que diante de mim a vista alcança,
Duas crianças com ganas de chegar ao céu
Embaladas na própria dança;
Risos e respirações sôfregas,
Quase propositadas, criam harmonias,
Aqui sentada peço a quem me ouve
Que tais garotas não passem as minhas agonias;
De repente, um choque de realidade,
De quem muito sonha e pouco alcança,
E com a lembrança do tempo
De que não mais serei criança.
Comentários (5)
Muito prezo as tuas palavras miuda, não tens só beleza exterior, o que sai de ti é bem mais forte e bem notável. 17 anos e muita boa escrita :D Um Abraço
Lindos poemas!
Suas palavras são verdadeiras e sinceras, consigo sentir quando algo é bom, mas isso é ótimo
Suas palavras são verdadeiras e sinceras, consigo sentir quando algo é bom, mas isso é ótimo
Tão jovem, tão bela e tão talentosa. São três ingrediente mágicos e incendiários. Parabens!
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