Escritas

Lista de Poemas

ALCÂNTARA (APÓLOGO) [Manoel Serrão]





I - ALCÂNTARA ÁFRICA QUILOMBOLA

Ó Deia negritude Odara! Raça de toda a mais bela quão eterna a noite inteira escura de Ébano que não se acaba!

Ó umbrae noite, q'nda é turva noite escura, Odara! Noite enegrecida, sangria sem tranca que não para; noite iguais àquelas sem a luz do sol oculta nas trevas.

Noite de hasta ferro que os marca; noite cativa sem a alforra que os mata; noite sem consolo e esperança que não se basta!

Noites tempestivas de céu fechado; noites negras noites tão eternas de inferno, noites de negros enforcados na praça. 

Noite por todo o mau nesta terra, Odara? A noite há-de morrer pelo punho da nação sufocada! 
    
Ó há-de morrer sufocada! Há-de morrer pelo braço "servil" dessa raça; há-de ser livre, ser a causa dos filhos 
esquálidos dessa pátria; cúm'lo do martírio escravo e dos grilhões pesados: que mata de morte matada; que mata de morte cansada; que mata de morte escrava. Noites sem dias assim? Por todo o mau, odara! A noite há-de morrer sufocada!

Ó há-de morrer, e toda a nação unida, à luz do sol cintilante, há-de vencer! Ó quão brava gente tu és em teus mártires e heróis contra o açoite, Odara; cum'lo da chibata na carne dilacerada; ferida n'alma; ferida na honra e na liberdade; ferida aberta, inda morte viva que não sara!  

Ó quilombola, Odara! Diviso chão da cafua escrava; cum'lo do passado imutável dos filhos do furor das senzalas sem perdão, toda luta verá a sua luz nascer da escuridão.

II - ALCÂNTARA AMERÍNDIA 


Ó amerindia tribal do tupi e dos naturais de Tupã.
Ó pátria guerreira dos tupinambás livres e leais, que d'ante os arcabuzes, com suas azagaias valentes rasgaram de flechas o céu da ganância sem alma.

Ó Tapuitapera das tabas,
aldeiota saqueada! Tribo da terra dizimada. Ó maldito sejas tu, "civilizador das matas"!

Ó amerindia amantética, a mais formosa Índia da raça. A mais bela dos encantados das matas. Ó nativa, derradeiro vestígio da caça! Ó maldito sejas tu Homem Branco, destruídor! Ó arredais! E jura Tupã: há de trovejar d'outro lado do mar, ó maldito sejas tu, "colonizador das raças"! Ó dá-nos as nossas tabas!

III - ALCÂNTARA LUSA


Ó Lusa realeza d'alva saia! Riqueza do luxor áureo; legado barroco da coroa e d'arte afresco colonial. Ó "Presépio" de opulência poética, ancestral esplendor imperial. 

IV - ALCÂNTARA ERMIDA DE PEDRA & CAL

Ó exuberante, vós que tão logo o sol desponta sobre o golfão, oscula o  Atlântico! Vós que antanho entre ermidas de pedra e cal, vira erguerem-se imponentes casarios, sobrados e moradas; fachadas marcadas por mirantes, sacadas guarnecidas, beirais e portadas.


V - ALCÂNTARA LUAU DE MONTELLO

Ó majestosa que nas noites trigueiras sob o luau de Montelo se revela, e que ao toque das campas tu'alma pujante, nua, levita das torres sineiras, espraia-se ao zéfiro sonhando com o Rei acordada; e quão por encanto das ruínas entranhas, renascerdes vós inda mais bela "como o rosto do céu"!

VI - ALCÂNTARA DIVINO ESPÍRITO SANTO & OS APÓSTOLOS DO CENÁCULO


Ó guardiã do luxo e veste da corte, que o devota, e sobre o manto d'alcativa persa, o cetro ostentas; ó vós que entre ruas, largos e praças peregrina o séquito em multidões sobre a cantaria. Ei-los todos reunidos numa só fé e devoção, por celebrar sobre os Apóstolos do Cenáculo a descida do Divino Espírito.

VII - ALCÂNTARA DIVINO ESPÍRITO SANTO E AS CAIXEIRAS

Ó Venusta senhora, que ao toque das caixas - rufam-se os tambores, saúdam o Eterno, e assim, em uníssona a voz ecoam de improviso rimários de desafios, quão em cantos solenes de ladainhas ao Divino louvores.

VIII - ALCÂNTARA DOCES DE ESPÉCIES & LICORES DE AMORES 
 
Ó vós soberana realeza, que co'a alegria flamante à sombra de uma fecunda história, revela-se de açúcares e de beijos -, sabores em doces de espécies; e quão entre novenas ofertais prendas e licores de amores.

XI - ALCÂNTARA DIVINO ESPÍRITO SANTO & APÓLOGO 


Eis aí! Eis o momento! Contando a essência final desse apólogo de fé e devoção ao povo de Alcântara, ver-se ornado de frutas e amanho de murta e flores, erguer-se o mastro por celebra a corte, e lá do alcândor a pomba no lábaro é o ícone supremo da deidade no estandarte: onde se abraçam o rito que saúda o mito, e se eternizam divinos no tempo.

X - ALCÂNTARA SALVE O ESPÍRITO SANTO.
 
Eu o conto aqui, bem sei a quem. E tenho dito o mesmo: o Espírito Santo falará por todas as bocas e por todos os homens! Ó salve o Espírito Santo e a Pomba do Divino! E viva Alcântara consagrada dama imperial!


Nota 01 - Fundada em 22 de dezembro de 1648, Alcântara está entre as mais antigas cidades maranhenses, precedendo até mesmo a capital do Estado – São Luís. A promessa de visita de D.Pedro II, que nunca se concretizou, gerou uma competição entre Barões para construir, o que chamavam de, o mais belo Palácio para hospedá-lo. Daí o requinte e ostentação da arquitetura original da cidade, que chegou a ser capital da província.
Nota 02: A festa do Divino Espírito Santo no Maranhão é um dos muitos festejos que fazem parte da cultura popular do Maranhão, destacando-se como um dos mais importantes, por sua ampla difusão e pelo impacto que tem sobre a população. Hoje, existem dezenas de festas do Divino espalhadas por todo o Estado, levando adiante uma tradição viva e dinâmica.















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CINÉMATOGRAPHIE [Manoel Serrão]








No escurinho d[O] ciúme mata!
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Q.I SEM LIMITE [Manoel Serrão]







Baby Toy! 

Super Toy. 
Cybers infensos.
Robóticos [in] falíveis?
Mas a Poesia É QI sem limite! 
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LÍRIOS [Manoel Serrão]



Ó quer-se livre?
Então correis livros,
E colherdes lírios!
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LIBERDADE DE EXPRESSÃO [Manoel Serrão]










Criados-mudos,
não ficam calados.
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SÃ & SÃO [Manoel Serrão]



Ócio
Sã.
NegÓcio
São.

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BOI AO VENTO [Manoel Serrão]




O que fez o vento voar,
Se eu não vi ninguém assoprar?

Boi Mimoso dá cria acolá,
Quem mandou vê o vento
E a vida levar?

Carne seca, seca vida,
É de mim não me atrapalhar.         [Refrão]

Carne seca, seca vida,
Se há de vir Jah Deus dará.                  [Refrão]

Mas o que fez o vento voar,
Se não vi ninguém assoprar?

Meu Deus! O que voar fez?



Boi ao Vento – Letra e Música – Autoria: Manoel Serrão da S. Lacerda. - Recife [PE] – 23 de setembro de 1984.
Imagem: Artista Plástico, Mestre da arte da Xilogravura no Maranhão Airton Marinho.
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SUPERSOMA [Gestalt] [Manoel Serrão]






Quando "A+B" ñ é "(A+B)", é "C". 

E o todo ser saber é + que a soma das partes: o ABCdário. 
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MARÉ VERMELHA [Manoel Serrão]





Quero arte!

Pintar asneiras
no abismo infinito mais branco.
Que tudo emporca, se espraia...
E faz d'alma maré vermelha!
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EXÍLIICO (Manoel Serrão)




Se para Sartre,
O homem é toda angústia...
Eu exílico na Itaituba vazia?
Sou toda a angústia em meu endereço!


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Comentários (1)

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321alnd
321alnd
2019-03-06

Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.