Escritas

Lista de Poemas

FANTASMAS DE NEVE [Manoel Serrão]



Dei-te a carne e minh. ’alma!
Dei-te o resto e todo o meu passado!

Dual "intestina" espectro de egresso! Aqui 'stou em preto-e-branco à dessemelha das cãs que carrego!
Ó aqui 'stou entre sessões de espirros e um emaranhado de arquétipos eternos!
Aqui se me tens o "livre" do apeio mal fadado? Vês! Já 'stou envelhecido e mofado no meu desassesto de regresso!

E qu'eu aqui 'stou saco de ossos arriado por cima da morte. Ó falto, vês, que te rogo! Deixai qu'eles meus velhos carrascos, vivam como jovens d'utrora foram-me aliados no passado!
Ao passo, que de mim agora só temo do coração a unção, que descenso por sorte em vão não quer a morte. E sem que o exorte, só temo aquando todo meu viver o suporte!
Ó vês! Quão de resto se ali nada fora, e aqui nada sou!
Então ao que mais te presto, senão a lembrança do vento?


E o qu'inda mais na vida se me faz preciso? Qu'inda?
Se eu a vivi ou a sonhei? O que mais quereis, tempo?
Se há Deus, Eu e os meus Fantasmas de Neve na solidão
desse Templo!..
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ANDRÔMEDA & ANDROMAQUE [Manoel Serrão]

Oh Deosa de Cefeu -, Andrômeda da Etiópia -, Gioconda, Odara. Ó vós que d’alli em d’oira hora vira Zeus -, fleur do Olympo – anunciada florescer.

Ó Nubae em veste d’alva saia qu' entre as Ninfas de Nereu foras por Cassiopéia a mais bela de todas proclamada. Ó vós que por Poseidon o ânimo em fúria desperta por Nereu ao teu belo, o fragelo, foras n’uma rocha açoitada.

Ó Grega que de Cetus e de Phineus por Perseu com as cãs da Medusa foras salva, e quão por amour fou  deu-lhe o destino, a quem o herói se casara. Ó vós Bem-Aventurada, que por Atena – a culta e sábia - ungida à galáxia foras eternizada. 

Ó Andrômeda spectac’lo de Bengala! Ó sê sábia, que doravante ninguém tema na mais escura noite, que se apague da esp'rança o último clarão da vossa face.

Ó quasar sê sábia, escutais a queixa silenciosa das coisas... Ó escutais!!! Doravante
quando silente s’espalhar a solidão que a poesia por cá aquietai-nos n'um só instante e povoai-nos os corações de amor e paz. Ó sabeis, silenciar é a forma de melhor dizer a vida que há e aquela que está por vir. Sim que o silêncio ao homem se fale! Nunca o silêncio estulto que o Outro apaga.


Oh! Andrômaca troiana, paixão insana de Pirro, rainha apeada levada ao claustro. Ó vós que d’alli do Époro, - o plasma de Aquiles -, a Orestes por inveja à Heitor em trágica hora a cria lh'a fez cair nas mãos e co' as fúrias à morte, - o vil - ordenara.

Ó Andrômaca dos versos alexandrinos de Racine!!! Obra de raro engenho, de ardor acendido, exclamo-a: Por que té' gora só dest' ao herói a luta em vão o fado, e por destruí-lo uma paixão sempre o acaba?

Ó Andrômaca dos versos trágicos de Corneille!!! E di-lo o herói: ó mal sabeis Andrômeda, o trágico, dono do próprio destino, aqui é maior que a própria sorte.

Não vês – Inda agora: Ó Andrômaca à luz de Barthes! Não vês que sois o elo num só anel de fogo, poal e água -  Ó são terras áridas entre o deserto e o mar, a sombra e o sol fulgor - E o mar? O mar importa como utopia de fuga do realismo ingênuo.

E ei-la [a] de Barthes: um só nada vazio sem pejo, um desvaler, mas sempiterna aberta preenchida e significada.

Ó n'umas justas a gloria merecida: Sejais vós Andrômada o mito ou Andrômaca casta como o trágico a metáfora é o laço maior da liberdade. Não  vês, a poesia é  o risco de arriscar-se a perder o rumo aonde quer que nos leve, sim: será sempre o lugar certo. 

Vede, entre presságios, se não credes no que o oráculo de Perseu predissera: ó mal sabeis como são corna musa sem métricas os meus versos de aprendiz sem estética. Mal sabeis! Mas lá 'stão! Lá ‘stão além d’ eles a plêiade sem temor e tod’alma d’ ave-grou em verbo e carne.

Ó Andrômaca, vós que habitas em fulgidas mansões siderais e todos... Ou nas hecatombes a grei do silêncio à voz da poesia nem os blazares as calara! Ó vês, sem visar a verdade, o poema, chega, a outra verdade: à verdade de sê-lo apenas Belo. Então que ressoem as harpas e as parkers dos Bardos e seremos todos tantos uma só odisseia rumo a um só lugar onde o que se vê raras vezes é o que se vê infinito.

Ó vim dizer-to: consola-te, pois, com as vossas estrelas, como silentes, incriados e eternos à busca do além no fazer poético, os poetas catam palavras em versos devotados escritas nas poesis ao Universo endereçadas que transformam o Mundo, e a dimensão coletiva do Sujeito!





 
  

 

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EU & DEUS [Manoel Serrão]





EU
MEUS
EUS
E
DEUS
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ORAÇÃO [Manoel Serrão]




ORA
AÇÃO.
ORAÇÃO...
ORA CORAÇÃO!

 
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AFRO PERFUME [Manoel Serrão]




AFRO PERFUME
ÁFRICA MÃE
CHEIRO DE CANA AO VENTO
E O SUOR
E O SANGUE
CORREM LENTOS
SOL A SOL
GOTA A GOTA
A COALHAR TORMENTOS

QUEM FALOU
QUE O CÉU É PERTO
O MAR RASO 
OUTRAS TERRAS
RESTOS DE ESPERAR

CORRE
VEM MÃE CATIRINA
SOLTA TUA MENINA
VAMOS VADIAR
QUE O TEMPO                         [REFRÃO]
NÃO ESPERA
A VIDA É UMA FERA
VIVE A DEVORAR.


LETRA E MÚSICA: MANOEL SERRÃO - RECIFE/PE - 25 DE AGOSTO DE 1985.

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U'A MÃO [Manoel Serrão]




U’a mão estendida, s
e for franca: faz-nos forte e são.
Mas si se nos prende o braço e a mão, em vão? Condenados são à solidão!
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SENECTUDE (Manoel Serrão)






Amei-te bem, bela mocidade!

Agora na maior idade:
Se me amares terei a tua idade.
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SENIL + I + DADE [Manoel Serrão]



Amei-te bem, bela mocidade!
Agora que senil na maior idade,
Se me amas terei a tua idade.



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SENIL + I + DADE [Manoel Serrão]



Amei-te bem, bela mocidade!
Agora que senil na maior idade,
Se me amas terei a tua idade.



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SENIL + I + DADE [Manoel Serrão]



Amei-te bem, bela mocidade!
Agora que senil na maior idade,
Se me amas terei a tua idade.



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Comentários (1)

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321alnd
321alnd
2019-03-06

Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.