Lista de Poemas

Prophýlaxis [Manoel Serrão]


 
Matérias segregadas pelas criptas mucosas das minhas cavas respiratórias.
E que pelos esforços de expectora, são-me expelidas pela boca salivosa;
Assim, esputo, catarro, em cusparada, cuspo, e escarro dos meus Eu’s
Todas as almas penosas que me são ostes, desprezíveis e invejosas.


E o peito aliviado contágio, arfa-me, sem ofega, leve e compassado...


 
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UNIVITELINOS [Manoel Serrão]






Unidos pela fome, e pelo sonho...

Ele é discreto.
Ela, exibida.
Ó já não se faz Poesia como antigamente, ainda bem.
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CUTELLU [Manoel Serrão]







A Arte sem ferro
Vence da Vida
A Ira e a Morte!

 
 
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EXORA [Manoel Serrão]









Pelo riso do circo.
Pelo pão do ofício.
Ganha voz o grito!

 
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PADECIMENTO [Manoel Serrão]




O Rei que não reina,

E duvida da morte, a morte!
O Rei que reina,
E acretida no dote, o dote!
Ó que reine, pois, o Trono, e "padeça" 
O povo da "sorte!"
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NEURA TRIBAL [Manoel Serrão]






Essa neura tribal do ser-afeito-mais-que-perfeito
pela perfeição? 

Ainda, vai nos levar a um bom lugar: a sã consciência da imperfeição.
É que seres perfeitos mais-que-enfermos pela perfeição?
Não atingem metas, senão: a-pós-unção!
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ESPADAS [Manoel Serrão]






Acredite-me, minhas poesias,

Nada mais... que espadas de letrinhas!
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ÁLIBIS [Manoel Serrão]

Mostraste-me a Verdade nas poças cavas do mundo.
Escondeste-me a Mentira nas ameias acinzentadas dos muros.
Às vezes Verdade: sou um lugar pleno no Mundo sem rumo.
N’outras, Mentira: sou um lugar vago no Muro sem prumo.

Mas aqui ou ali, quando não estou onde penso que estou no Mundo;
E, não estou onde penso que não estou no Muro!
Ó no mesmo Mundo diviso pelo mesmo Muro?

Onde estou? Não estou onde todos os meus álibis imundos, recitam os versos de Baudelaire contra o[S] Muro[S].
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PÓSTUMO [Manoel Serrão]



Olho o riso da Dor e vejo o choro da Morte que deambulam zombando da Sorte.
A Dor sempre à frente, ora mais trote, ora mais forte; a Morte,  nunca se adianta, nem se atrasa para o Ato Póstumo.
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BELISCÃO [Manoel Serrão]






Jamais fui contaminado pelo vírus da indecisão.

Mas quando fui, nunca tive medo de um beliscão.
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Comentários (1)

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321alnd
2019-03-06

Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.