Lista de Poemas
Inteiro
ou uma citação que cause impacto
quero um poema inteiro
mesmo que seja ácido
Não quero uma esmola
quero o nada que dá impulso
o nada que move a força
a força que move tudo
Não quero uma cópia
quero o original
quero uma trova,
mas que não haja igual
Não quero ser mesquinha
conformada com quase tudo
Sacuda meu corpo com a simplicidade,
mas que seja inteiro.
Então dá-me uma música!
Quero a intensidade
O suspiro profundo
Sair desse mundo
Quero uma palavra
não abreviada
que seja inteira
distinta ou camuflada
Que me faça rir
que me surpreenda
que me faça refletir
que me compreenda
que me faça amante
que me encante
que seja inteira
que me faça inteiro.
Eu tão moleque
tão sérios
tão sabichões tão, tão... E eu?
Eu tão moleque
E eu tão moleque
achava que aos 25 seria adulta
aos 25 tão moleque
achava que aos 30 seria adulta
aos 30 tão moleque
vesti-me como adulta,
mas por dentro,
descalço, sem camisa...
tão moleque...
Achei que aos 35 seria adulta
e aos 40 tão moleque pensei em quem não teve infância
e descobri que uns não têm infância
e outros não têm "adultez"
Olham-me como um ser estranho
e eu tão moleque sigo em frente
deixei de sonhar em ser comportada
fazer o que com o meu eu tão moleque?
Eu tão moleque fui pra guerra
e tão moleque tornei-me soldado
eu tão moleque sou mais sério
que muito adulto comportado.
Poesia Chick Lit 2
http://www.livrariacultura.com.br/s/resenha/resenha.asp?nitem=42269453&sid=921196222162354135577874
Portas
apenas um imenso deserto.
Meu lugar não é entre portas entreabertas.
Meu espaço é um campo aberto
por vezes minado,
por vezes encoberto,
mas só assim pude libertar-me
das portas que me aprisionavam.
Tempo
Injusto tempo
cronológico desencontro
o fim é no tempo certo
certo ele era todo o tempo
Ansiedade muda o tempo por dentro
por fora
tempo mudo
implacável,
irredutível tempo
pontual segue seu curso,
constante, imutável...
A espera de ter paciência para dar um tempo
para o tempo fazer o que tem que ser feito no tempo certo
Tempo, é o tempo que dura o tempo certo
sacuda você o mundo
o tempo é dono de si,
de ti
de mim..."
Prosa poética
Numa rua de pedra
Em Paracatu
Ela acendia uma vela
E entregava seu coração duro
Em troca de um coração de carne
Cheio de virtudes, amor e mansidão.
E eu?
Eu de tanto ver meu coração sangrar
Esfaqueado pelo desprezo,
Cravado de balas metralhadas pelos olhares mesquinhos
queria dela, com toda ânsia e desejo da minha alma aquele coração de pedra.
Um coração de pedra era tudo o que eu queria
e precisava para sobreviver,
e não falecer em hemorragia.
Mas não tinha a tal vela, para fazer o pedido.
Meu coração ingênuo sempre andava desprevenido
Nunca tinha velas, nem barcos, ou ancoradouros
Andava descalço, exposto às ventanias e às flechadas dos Cupidos.
Sua carne dilacerada sobrevivia sangrando,
Minando artéria, alma e ventrículos.
Queria propor uma troca.
Mas como trocar com ela,
se nem olhava pra mim?
Nem imaginava que invejava nela
Aquele coração impávido, de pedra polida
Sem pontas, sangue ou cicatrizes. Nada!
Apenas mineral, que ela queria despedir.
E eu com tantas despedidas
que deixaram o meu coração esburacado
queria apenas um coração novo,
duro como as rochas
Para suportar as novas facadas.
Propriedade, trabalho, valores...
Não importa que a terra não seja minha,
eu quero é semear,
porque no mundo há os que nascem erva daninha
e não saem do lugar,
e há os que nascem passarinhos,
e semeando voam além mar.
Verso
que versa o avesso
do eu perverso,
em verbo pervertido
pelos versos
do universo em que habito,
ao avesso dos seus
versos certos.
Quando eu era morta
Quando eu era morta
o mundo era melhor
as águas menos poluídas
ouviam meu clamor
Quando eu era morta
pulmões adoeciam no ar puro
eu era menos poluída
e o cotidiano mais duro
Quando eu era morta
era menos insignificante
a esperança era maior
e o trabalho gratificante.
Eu... Eu faço coisas indizíveis
Indizíveis
Eu digo coisas
Impraticáveis
Mas assumo as minhas
Insanidades.
Eu como coisas
Intragáveis
Eu trago coisas
Indispensáveis
Sou gente, humano, homem,
mas somos
Incomparáveis.
Eu tenho sonhos
Impossíveis
Eu sofro de
Infidelidades
Meu coração
Interditado
Vive na
Impessoalidade.
Eu tenho muita
Incapacidade
Eu existo na
Invisibilidade
Escrevendo palavras
Impublicáveis
Vivo como réu
Indiciado
Mas assumo as minhas
Indignidades.
O Presente
Outros vivem como um filho adolescente para o que tudo o que se pede é um eterno ecoar de: - já vou, mãe! Quando dá por si, o caminhão da limpeza urbana já passou e o lixo ficou pra trás, ou então o cachorro ficou sem comida, por conta do: - já to indo! É a maldição do gerundismo!
Como se não bastasse, há uma variação na clássica história: “cachorro de dois donos morre de fome!” Embasada em alguma atividade passada ressoa um: - eu já troquei a água, pede pro fulano dar a comida, geralmente o fulano é um irmão. Existe uma birra existencial em viver o presente, em fazer o que tem de ser feito agora.
Por outro lado, uma mãe implora: - anda logo com isso, que não tenho o dia todo! Ou então suspira um: - o tempo não para pra me esperar... Sempre num afã futurístico de que um dia irá descansar. E quando descansa também não vive o presente, vai ao passado para dizer: - na minha época...
No rogo a Deus, dizem: - Senhor, por favor, me atende logo porque não tenho a sua eternidade... Mas no dia a dia, ainda que de forma inconsciente, vive a enfadonha rotina do: - Pra que fazer hoje o que pode ser feito amanhã? Em vez de ouvir a voz da sabedoria: - não deixe para amanhã o que se pode fazer hoje.
A coisa se repete pra todo lado: - Professor! Deixa a gente entregar o trabalho na semana que vem? Ao que o Professor responde: - Não, faz 4 meses que passei o trabalho, não vai ser em uma semana que ficará pronto, entrega do jeito que está. Vem de imediato o ressentimento: – Eu odeio esse professor, tirano! Obviamente nada foi feito em 4 meses... Dentro de mim uma voz diz que esta é a única tarefa da vida que tem a benção dos céus para ser adiado... Sempre deixei para a véspera ou até mesmo o último minuto, há uma concentração de energia e como mágica a coisa fica pronta...
Tudo na vida tem um preço, e o custo disso é que são semanas de angústia e a frase martela na cabeça: - Ai, ainda tenho aquele bendito trabalho pra fazer... Dias de sofrimento e nem um pingo de energia intelectual para a tarefa. Particularmente eu usava como desculpa para a minha indisciplina o pensamento de que, se eu morresse antes do dia de entrega do trabalho terei perdido tempo fazendo o que não queria... A imaturidade tem criatividade...
Há um santo na Igreja Católica que leva em sua mão o dizer: ‘Hodie’ (hoc die), que significa hoje, em latim. A história diz que ele era um militar romano (da época do Imperador Diocleciano), e quando estava prestes a se converter, o demônio por meio de um corvo gritava ‘cras, crás’! Que, em latim, significa amanhã. Mas Santo Expedito respondeu: hoje! Desde então ele foi reconhecido como o Santo das causas urgentes ou da última hora.
O livro: O Poder do Agora, de Eckhart Tolle, é a indicação de leitura para quem está cansado de ter um pé no passado e outro no futuro e fica vendo a vida romper os dias sem concretizar a razão de existir, sem viver o tempo presente.
Obviamente os três tempos têm importância na vida. O problema se instala quando rotineiramente se esquiva do tempo presente; se há silêncio a pessoa prontamente trata de fazer barulho, pra fugir do próprio pensamento em vez de aproveitar a oportunidade para refletir, planejar, sonhar... Num comportamento afoito para sair do presente, inventa de começar mil coisas e quase sempre não termina nada. No fim do dia, não se colocou o lixo pra fora, não deu a comida pro cachorro, muito menos fez o dever de casa. Na ambição de (re)inventar a roda, o que foi feito? Nada!
Se a vida for como uma prova de revezamento, tudo bem não entrar na terra prometida, ou seja, não concluir certos projetos, mas não dá pra ficar empacado, há de se passar a bola para o Josué finalizar a jogada. Então sim, vemos que Moisés não fracassou, cumpriu a missão de tirar o povo do cativeiro.
Trabalhei com gente que sentava em cima de processos e projetos, acho que dava certo prazer na pessoa ver o impacto, ainda que nocivo, que ela provocava no ambiente. Atrasava tudo, atrapalhava o cronograma, era um caos, ninguém ia pra frente, infelizmente isso é muito comum nas empresas e não tem santo que faça a criatura acordar pra vida.
Algumas pessoas acreditam que viver o tempo presente significa se lançar na vida louca. Não, não é. Pelo contrário, essa atitude é mais uma das rotas de fuga do presente, é um se lançar no desespero de quem foge das responsabilidades que o amanhã requer. Equipara-se a quem vive no passado. A fuga para um lugar seguro, pois é conhecido, fácil de acessar e a pessoa se sente no controle daquele tempo que não tem como ser modificado. Eis o ponto: pessoas assim não querem mudar, preferem tentar controlar o que está do lado de fora, numa tentativa de fugir do controle de si mesmo.
Em outros textos, já devo ter dito que algumas pessoas tentam dominar o mar, como se ele fosse abrir passagem. Em vez de controlar o próprio corpo, a própria respiração, a própria angústia de quem se afoga no desespero. Nenhum ser aquático pretende dominar as águas, tem antes o domínio sobre si, vive o momento, não espera a correnteza parar para seguir a vida, até porque ela não para.
O presente é a vida!
Madalena D Fonseca
para o jornal Folha Valle
Cultura & Literatura
Comentários (8)
Sua vocação é ser poetisa
Gostaria que vc lesse. Vanise O caminho e tortuoso Fica distante Carece de palavras Tem o olhar no infinito Busca o sentido Dos poetas e poetisas Para abraçar o tempo Acena no ar etéreo Para voltar a sonhar O sonho da busca Do aguardado sorrir Para todos os amanhãs. Licroceh Usalsolo Ml14ri07re18
No deserto de sentimento,buscamos porta que nos leve ate os amores esquecidos. Ah como é doce encontrar no caminho sua mão acenando para o abraçar e descansar.
Na imagem, seu sorriso No olhar a docura da busca Nos escritos a pureza De um sentimento Sempre no sol, no luar Na inspiração dos sonhadores. licroceh usalsolo
SURGIMENTO Sem uma causa, sem um alerta Eis que surge no caminho O encontro de poemas e versos De buscas e pensamentos Tragados pelo nascer de cada amanhecer Voce chegou. licroceh usalsolo ml11lc5rr18 me informe os nomes do seu livro e como compra-los.
Madalena Daltro nasceu no Rio de Janeiro em 1973. É casada e mãe de dois filhos.
Sua primeira atuação na sociedade foi como voluntária da Cruz Vermelha Brasileira no projeto Operação Ararajuba onde ingressou numa expedição ao interior do Ceará.
Em seguida aderiu ao grupo do curso de teatro da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (TUERJ).
É graduada em Estudos Sociais, especialista em Reabilitação Ambiental Sustentável Arquitetônica e Urbanística, especialista em ensino de História e Geografia e mestre em Gestão e Auditoria Ambiental.
Escreveu diversos artigos acadêmicos, lecionou, entre outras disciplinas; História da Arte e Planejamento Urbano. Em 2012 foi docente do curso de pós-graduação em Perícia Ambiental.
Tem dois livros de poesias publicados e participações em antologias.
Escreve desde que aprendeu a escrever e sempre gostou de transmitir conhecimento, de alma inquieta, tem sede de conhecimento, curiosidade aguçada e amor pelas Artes, História e Literatura.
Seus livros foram publicados pela editora Multifoco.
http://pesquisa.livrariacultura.com.br/busca.php?q=Madalena+Daltro
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Ola, espero poder acompanha-la nos versos e, sendo sensível saberá ler nos escritos que a vida tem três tempos:- passado, presente e futuro. Até o próximo verso.
Muitas vezes fazemos coisas que realmente são impraticáveis, mas, quando assumimos fica bem mais fácil de acertar os passos. Poemas muito bem escritos...
Gostei muito dos seus poemas... E essa é minha sociedade!