Lista de Poemas
Total de poemas: 8
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FELICIDADE
FELICIDADE
Felicidade era grande
Tão grande era quase gigante
Rubicunda vasta nutrida
Sempre presente abundante
Com os grandes olhos castanhos
Sorria um sorriso brilhante
Que abria uma gargalhada impudica solta vibrante
Felicidade ia à praia nadava no mar no Verão
Andava pela estrada ao vento dirigindo fora de mão
Espalhava alegria pelo mundo
Tinha muita para espalhar
Comia e bebia o que queria
E com todos dividia
Bebida doces e pão
Felicidade crescia cheia de sofreguidão
E quando alguém menos grande
Lhe dizia que era feliz
Feliz por qualquer razão
Soltava a sua risada e dizia sem compaixão
Felicidade sou eu só eu sei o que é ser feliz
E feliz é abuso semântico isso é só satisfação
Que acaba dentro de pouco quando passar o tesão
Felicidade estourou no meio duma gargalhada quando comia feijão
Morreu de repente assustada de ataque de coração
E definhou num instante murcha, triste e mirrada
Magrinha do pé para a mão
Felicidade era grande
Tão grande era quase gigante
Rubicunda vasta nutrida
Sempre presente abundante
Com os grandes olhos castanhos
Sorria um sorriso brilhante
Que abria uma gargalhada impudica solta vibrante
Felicidade ia à praia nadava no mar no Verão
Andava pela estrada ao vento dirigindo fora de mão
Espalhava alegria pelo mundo
Tinha muita para espalhar
Comia e bebia o que queria
E com todos dividia
Bebida doces e pão
Felicidade crescia cheia de sofreguidão
E quando alguém menos grande
Lhe dizia que era feliz
Feliz por qualquer razão
Soltava a sua risada e dizia sem compaixão
Felicidade sou eu só eu sei o que é ser feliz
E feliz é abuso semântico isso é só satisfação
Que acaba dentro de pouco quando passar o tesão
Felicidade estourou no meio duma gargalhada quando comia feijão
Morreu de repente assustada de ataque de coração
E definhou num instante murcha, triste e mirrada
Magrinha do pé para a mão
👁️ 14
O AMANTE DO MAR
O AMANTE DO MAR
I.
Dormia à noite na praia
Deitado à beira do mar
Na espuma das ondas mansas
Deixava-se por ele embalar
E quando o mar o chamava
Lambendo-lhe a pele com langor
Metia-se dentro dele
Fazia amor com o mar
Com o mar seu único amor
II.
Quando ele está à minha frente
Tão perto ao alcance de um passo
Esqueço todo o passado
O presente torna-se baço
E avanço esquecido de mim
Só quero sentir o abraço
O imenso amplexo que leva de mim os sentidos
E faz de mim um instante
Uma micro-partícula no espaço
Despido de dimensões
Nu e insignificante
Que só dentro dele me sinto
Pleno maciço gigante
E flutuando sem norte
Sozinho com ele e os astros
Sou eu o ínfimo corpo
Enésimo filho da Terra
Que quando se encontra no mar
Livre solto irrestrito
É infinito sem nada
E é nada no infinito
III.
Quando eu morrer
Hei de voltar
Para poder morar no mar
Hei de voltar
Como cetáceo peixe ou outro ser do mar
Para poder debaixo de água
Livremente respirar
Quando eu morrer
Hei de voltar para ser feliz
Como fui quase… e por um triz
A minha sorte não deixou ou eu não quis
Hei de nadar no mar sem fim
Com o meu amor sempre a meu lado
Como de Delos os delfins
Os namorados dos mosaicos
Talvez então morrer no mar
Mas por amor como Leandro
Sabendo assim que fui feliz
Que fui feliz
Só saberei mesmo no fim
Quando eu morrer
E voltarei
Para ser eu do mar o amor
Se ainda houver mar
Quando eu morrer
E o amor ainda existir
Quando eu voltar
I.
Dormia à noite na praia
Deitado à beira do mar
Na espuma das ondas mansas
Deixava-se por ele embalar
E quando o mar o chamava
Lambendo-lhe a pele com langor
Metia-se dentro dele
Fazia amor com o mar
Com o mar seu único amor
II.
Quando ele está à minha frente
Tão perto ao alcance de um passo
Esqueço todo o passado
O presente torna-se baço
E avanço esquecido de mim
Só quero sentir o abraço
O imenso amplexo que leva de mim os sentidos
E faz de mim um instante
Uma micro-partícula no espaço
Despido de dimensões
Nu e insignificante
Que só dentro dele me sinto
Pleno maciço gigante
E flutuando sem norte
Sozinho com ele e os astros
Sou eu o ínfimo corpo
Enésimo filho da Terra
Que quando se encontra no mar
Livre solto irrestrito
É infinito sem nada
E é nada no infinito
III.
Quando eu morrer
Hei de voltar
Para poder morar no mar
Hei de voltar
Como cetáceo peixe ou outro ser do mar
Para poder debaixo de água
Livremente respirar
Quando eu morrer
Hei de voltar para ser feliz
Como fui quase… e por um triz
A minha sorte não deixou ou eu não quis
Hei de nadar no mar sem fim
Com o meu amor sempre a meu lado
Como de Delos os delfins
Os namorados dos mosaicos
Talvez então morrer no mar
Mas por amor como Leandro
Sabendo assim que fui feliz
Que fui feliz
Só saberei mesmo no fim
Quando eu morrer
E voltarei
Para ser eu do mar o amor
Se ainda houver mar
Quando eu morrer
E o amor ainda existir
Quando eu voltar
👁️ 23
O ENTERRO
O ENTERRO
Quatro homens juntos
Do mesmo tamanho
Em silêncio levemente oscilando
Da direita pelo portão vão entrando
Exibindo o carrego
Em lenta dança
Cabeça inclinada para fora
Pé direito o primeiro que avança
Grande caixa de mogno brilhante
Que parece pesada
Sustêm
A direito no ombro apoiada
Uma mão segurando na base
O outro braço esticado tentando abraçá-la por cima
Todos de preto
Pretos fatos sapatos meias pretas gravatas
As camisas em branco gritante
Um rapaz dezassete dezoito aproxima-se
Sai um deles entra ele
Frente esquerda
Marejados os olhos azuis
Brilhando vermelhos
A aflição é flagrante
Na orelha o ouro da argola reluz na manhã
Como a noite ainda distante
São negros os jeans e a t-shirt
Mão direita por cima mão esquerda por baixo agarrado com força
Vai dali em diante
Até onde a sua gente se agrupa
A caixa é pousada junto à cova aberta no chão
Com todos os rostos virados para lá em silêncio e terror
Véus chapéus e óculos de sol
Preto a única cor
Giram todos o olhar para o belo rapaz quando chega
Abraços carícias palmadas nas costas
De uma mulher um sussurro
Bom menino sem rancor nem vingança
Pai é pai afinal
Do rapaz nem sequer um murmúrio
No grupo em que estou
O caixão já chegou
Esperando a vinda do padre junto à campa jazia
Atrás do monte de terra escavada
Uma mulher veio do grupo e sobre ele se lançou
Tentando abraçá-lo em aparente insana agonia
E gritando minha querida menina
Uma voz a meu lado suspirou
É desgosto de mãe
Mãe é mãe afinal
Em vida porém
Torturou a filha sem dó
Abandonada semanas a fio
Era só um bebé
Gatinhava quando foi escorraçada por ela
Que depois lhe escrevia muitas cartas à máquina
Histórias macabras de violência e terror
Só medo desdém e repulsa oferecia
Sem remorso nem compaixão
Muito menos amor
Obrigava-a a visitas penosas que nunca queria
Juntando fel e veneno
Às feridas abertas e à dor
Que agora a matou
Mas está morta e inerte no esquife
Afastar o abraço que a agarra não pode
E mãe é mãe pai é pai
Diz o povo
São palavras que não se dizem em vão
No mesmo momento
Os dois caixões dão entrada nas covas
Ouvem-se corvos grasnar quando a terra lhes toca
Num país em que os corvos são raros
Fumam uns fungam outros
Um bebé solta um grito à distância
E o dia de repente enoitece
Os estorninhos em bando
Tomam conta do espaço infinito
Embrulhando o azul nos folhos do seu negro véu
Alargando-se a hoste e estreitando de novo
Abrindo-se em mirífica flor
De seguida transforma-se em seta
Dirigida ao além
Perseguindo um enorme falcão predador
Que expulsa do céu
E ao longe uma voz mal se ouve
Este enterro não o esquece ninguém
Quatro homens juntos
Do mesmo tamanho
Em silêncio levemente oscilando
Da direita pelo portão vão entrando
Exibindo o carrego
Em lenta dança
Cabeça inclinada para fora
Pé direito o primeiro que avança
Grande caixa de mogno brilhante
Que parece pesada
Sustêm
A direito no ombro apoiada
Uma mão segurando na base
O outro braço esticado tentando abraçá-la por cima
Todos de preto
Pretos fatos sapatos meias pretas gravatas
As camisas em branco gritante
Um rapaz dezassete dezoito aproxima-se
Sai um deles entra ele
Frente esquerda
Marejados os olhos azuis
Brilhando vermelhos
A aflição é flagrante
Na orelha o ouro da argola reluz na manhã
Como a noite ainda distante
São negros os jeans e a t-shirt
Mão direita por cima mão esquerda por baixo agarrado com força
Vai dali em diante
Até onde a sua gente se agrupa
A caixa é pousada junto à cova aberta no chão
Com todos os rostos virados para lá em silêncio e terror
Véus chapéus e óculos de sol
Preto a única cor
Giram todos o olhar para o belo rapaz quando chega
Abraços carícias palmadas nas costas
De uma mulher um sussurro
Bom menino sem rancor nem vingança
Pai é pai afinal
Do rapaz nem sequer um murmúrio
No grupo em que estou
O caixão já chegou
Esperando a vinda do padre junto à campa jazia
Atrás do monte de terra escavada
Uma mulher veio do grupo e sobre ele se lançou
Tentando abraçá-lo em aparente insana agonia
E gritando minha querida menina
Uma voz a meu lado suspirou
É desgosto de mãe
Mãe é mãe afinal
Em vida porém
Torturou a filha sem dó
Abandonada semanas a fio
Era só um bebé
Gatinhava quando foi escorraçada por ela
Que depois lhe escrevia muitas cartas à máquina
Histórias macabras de violência e terror
Só medo desdém e repulsa oferecia
Sem remorso nem compaixão
Muito menos amor
Obrigava-a a visitas penosas que nunca queria
Juntando fel e veneno
Às feridas abertas e à dor
Que agora a matou
Mas está morta e inerte no esquife
Afastar o abraço que a agarra não pode
E mãe é mãe pai é pai
Diz o povo
São palavras que não se dizem em vão
No mesmo momento
Os dois caixões dão entrada nas covas
Ouvem-se corvos grasnar quando a terra lhes toca
Num país em que os corvos são raros
Fumam uns fungam outros
Um bebé solta um grito à distância
E o dia de repente enoitece
Os estorninhos em bando
Tomam conta do espaço infinito
Embrulhando o azul nos folhos do seu negro véu
Alargando-se a hoste e estreitando de novo
Abrindo-se em mirífica flor
De seguida transforma-se em seta
Dirigida ao além
Perseguindo um enorme falcão predador
Que expulsa do céu
E ao longe uma voz mal se ouve
Este enterro não o esquece ninguém
👁️ 14
MAR ADENTRO II
MAR ADENTRO II
Flutua nada
Deriva mergulha
Debaixo de água
Sobre a água
Sente tudo num sentimento só
Sem separação sem limite sem barreira
O céu a linha de água
Espúria fronteira com coisa nenhuma
Deixa-te embalar pelas ondas
Salpicando o mar com os suas próprias gotas
Dançando com a suave melodia do som em eterno movimento
Enquanto te reclinas e dissipas no infinito
A imensidão
O absoluto
O nada
Vagueando livre e solto
Coisa nenhuma no vazio do universo
Só tu e a vastidão do mar
Flutua nada
Deriva mergulha
Debaixo de água
Sobre a água
Sente tudo num sentimento só
Sem separação sem limite sem barreira
O céu a linha de água
Espúria fronteira com coisa nenhuma
Deixa-te embalar pelas ondas
Salpicando o mar com os suas próprias gotas
Dançando com a suave melodia do som em eterno movimento
Enquanto te reclinas e dissipas no infinito
A imensidão
O absoluto
O nada
Vagueando livre e solto
Coisa nenhuma no vazio do universo
Só tu e a vastidão do mar
👁️ 22
MAR ADENTRO I
MAR ADENTRO I
Mar adentro
Flutuando sobre as costas
Balançado pelo suave marulhar
Que o arrasta oscilando lentamente
Para onde só há água e a imensidão do céu
Embalado por um sonho sem pé e sem limites
Até à Terra do passado onde a vida respira facilmente
Entregou-se sem medo às carícias da baleia azul gigante
Às cócegas de incontáveis cardumes de ínfimos peixes coloridos
Mergulhou num sentimento azul profundo de prazer intenso tranquilo
E deixou-se ali ficar para que o mar o quisesse levar para um lugar distante
Um ser desconhecido do abismo e não o corpo à deriva de um náufrago perdido
Criatura da Terra renovada cheia de vida rica e variada que respira pujante em liberdade
Mar adentro
Flutuando sobre as costas
Balançado pelo suave marulhar
Que o arrasta oscilando lentamente
Para onde só há água e a imensidão do céu
Embalado por um sonho sem pé e sem limites
Até à Terra do passado onde a vida respira facilmente
Entregou-se sem medo às carícias da baleia azul gigante
Às cócegas de incontáveis cardumes de ínfimos peixes coloridos
Mergulhou num sentimento azul profundo de prazer intenso tranquilo
E deixou-se ali ficar para que o mar o quisesse levar para um lugar distante
Um ser desconhecido do abismo e não o corpo à deriva de um náufrago perdido
Criatura da Terra renovada cheia de vida rica e variada que respira pujante em liberdade
👁️ 20
VENICE IN YOUR EYE
VENICE IN YOUR EYE
Não só a água
Não só o tijolo e a argamassa
Não só a flecha do arco gótico de inexcedível graça
Nem o bizantino
Nem o mosaico de ouro
Nem a renascença de direita traça
Nem o barroco fausto
A madrugada e o crepúsculo
O enlevo da alvorada
O desvelo do lusco-fusco
O silêncio
E o murmurar dos barcos
A memória toda que no mar flutua vagarosa
Tem cada um o seu mágico feitiço
Mas por si só não bastam
Juntos sim levantam a varinha milagrosa
Que tudo envolve no manto sublime da imortal beleza
E enche os teus olhos do brilho faiscante da surpresa
E não
Nenhuma visão me mais seduz
Do que olhar-te
Olhar-te àquela luz
Não só a água
Não só o tijolo e a argamassa
Não só a flecha do arco gótico de inexcedível graça
Nem o bizantino
Nem o mosaico de ouro
Nem a renascença de direita traça
Nem o barroco fausto
A madrugada e o crepúsculo
O enlevo da alvorada
O desvelo do lusco-fusco
O silêncio
E o murmurar dos barcos
A memória toda que no mar flutua vagarosa
Tem cada um o seu mágico feitiço
Mas por si só não bastam
Juntos sim levantam a varinha milagrosa
Que tudo envolve no manto sublime da imortal beleza
E enche os teus olhos do brilho faiscante da surpresa
E não
Nenhuma visão me mais seduz
Do que olhar-te
Olhar-te àquela luz
👁️ 20
TEMPO RASO
TEMPO RASO
Estradas empedradas vias ínvias vias largas
Caminhos de tempos idos
Imunda escuridão esplendor brilhante
Gastos pelos pés e rodas dos séquitos dos séculos
Cúpulas e torres templos dos deuses todos procurando os céus
Sacrários e altares no interior escondidos
Colunas muros de mármore e fontes grandes e pequenas
Escorrendo sobre o tempo esculpindo a pedra lentamente
Villas paços parques e jardins de cardeais e senadores
Sedas carmins e veludos tintos de sangue e vinho
Assombrações de papas e imperadores
Sabedoria banalidades mentiras e verdades
Pilhagens estátuas vitórias ostentação de circunstância e pompa
A loba vencedora divinizada estranhamente
Tudo dela
O mundo
O circo
Banhos do povo e praças e teatros
Anfiteatros diários de dor e de labuta
Cloaca máxima sons e cheiros em permuta
Ruas de Roma ruas de glória
À superfície
Por baixo uma outra história
Assoma em todo o lado
Estrato sobre estrato
Tempo arrasado
Abandonado
O futuro do passado
Estradas empedradas vias ínvias vias largas
Caminhos de tempos idos
Imunda escuridão esplendor brilhante
Gastos pelos pés e rodas dos séquitos dos séculos
Cúpulas e torres templos dos deuses todos procurando os céus
Sacrários e altares no interior escondidos
Colunas muros de mármore e fontes grandes e pequenas
Escorrendo sobre o tempo esculpindo a pedra lentamente
Villas paços parques e jardins de cardeais e senadores
Sedas carmins e veludos tintos de sangue e vinho
Assombrações de papas e imperadores
Sabedoria banalidades mentiras e verdades
Pilhagens estátuas vitórias ostentação de circunstância e pompa
A loba vencedora divinizada estranhamente
Tudo dela
O mundo
O circo
Banhos do povo e praças e teatros
Anfiteatros diários de dor e de labuta
Cloaca máxima sons e cheiros em permuta
Ruas de Roma ruas de glória
À superfície
Por baixo uma outra história
Assoma em todo o lado
Estrato sobre estrato
Tempo arrasado
Abandonado
O futuro do passado
👁️ 14
AMANHÃ TREINO
AMANHÃ TREINO
Amanhã durante o treino
Vou suar as minhas lágrimas até ficarem secas (como pó)
E amansar a minha dor
Vou engolir cada soluço
Para dar tudo no supino
E o meu peito vai inchar de forma espetacular
O meu bíceps vai ficar a latejar (até rasgar a manga da camisa)
Vou andar de bicicleta durante horas sem sair do meu lugar
E vou correr milhas e milhas e ficar (no mesmo ponto)
Vou ensinar o coração a conseguir bater melhor
E vou dar tempo a um amigo ou dois se lá estiverem (amanhã)
Vou finalmente dizer aos que me xingam aquilo que devo (fazer)
Vou enfiar o dedo na proteína (e batê-la)
E vou chupá-lo em pleno vestiário (em frente a todos os rapazes)
Antes de engolir cada gota até ao fim
Tão saudável e tão bem vou voltar a ter vinte anos (e o tempo vai parar)
Sem remorso nem lamento
Vou conseguir uma coxa gigantesca (com peso morto e muito agachamento)
Não as duas escanzeladas que me deixam sempre as calças bem folgadas
E vou voltar a andar na rua de cabeça levantada (amanhã)
E depois morro
Amanhã durante o treino
Vou suar as minhas lágrimas até ficarem secas (como pó)
E amansar a minha dor
Vou engolir cada soluço
Para dar tudo no supino
E o meu peito vai inchar de forma espetacular
O meu bíceps vai ficar a latejar (até rasgar a manga da camisa)
Vou andar de bicicleta durante horas sem sair do meu lugar
E vou correr milhas e milhas e ficar (no mesmo ponto)
Vou ensinar o coração a conseguir bater melhor
E vou dar tempo a um amigo ou dois se lá estiverem (amanhã)
Vou finalmente dizer aos que me xingam aquilo que devo (fazer)
Vou enfiar o dedo na proteína (e batê-la)
E vou chupá-lo em pleno vestiário (em frente a todos os rapazes)
Antes de engolir cada gota até ao fim
Tão saudável e tão bem vou voltar a ter vinte anos (e o tempo vai parar)
Sem remorso nem lamento
Vou conseguir uma coxa gigantesca (com peso morto e muito agachamento)
Não as duas escanzeladas que me deixam sempre as calças bem folgadas
E vou voltar a andar na rua de cabeça levantada (amanhã)
E depois morro
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