O AMANTE DO MAR
leonelpedrosogoncalves
O AMANTE DO MAR
I.
Dormia à noite na praia
Deitado à beira do mar
Na espuma das ondas mansas
Deixava-se por ele embalar
E quando o mar o chamava
Lambendo-lhe a pele com langor
Metia-se dentro dele
Fazia amor com o mar
Com o mar seu único amor
II.
Quando ele está à minha frente
Tão perto ao alcance de um passo
Esqueço todo o passado
O presente torna-se baço
E avanço esquecido de mim
Só quero sentir o abraço
O imenso amplexo que leva de mim os sentidos
E faz de mim um instante
Uma micro-partícula no espaço
Despido de dimensões
Nu e insignificante
Que só dentro dele me sinto
Pleno maciço gigante
E flutuando sem norte
Sozinho com ele e os astros
Sou eu o ínfimo corpo
Enésimo filho da Terra
Que quando se encontra no mar
Livre solto irrestrito
É infinito sem nada
E é nada no infinito
III.
Quando eu morrer
Hei de voltar
Para poder morar no mar
Hei de voltar
Como cetáceo peixe ou outro ser do mar
Para poder debaixo de água
Livremente respirar
Quando eu morrer
Hei de voltar para ser feliz
Como fui quase… e por um triz
A minha sorte não deixou ou eu não quis
Hei de nadar no mar sem fim
Com o meu amor sempre a meu lado
Como de Delos os delfins
Os namorados dos mosaicos
Talvez então morrer no mar
Mas por amor como Leandro
Sabendo assim que fui feliz
Que fui feliz
Só saberei mesmo no fim
Quando eu morrer
E voltarei
Para ser eu do mar o amor
Se ainda houver mar
Quando eu morrer
E o amor ainda existir
Quando eu voltar
I.
Dormia à noite na praia
Deitado à beira do mar
Na espuma das ondas mansas
Deixava-se por ele embalar
E quando o mar o chamava
Lambendo-lhe a pele com langor
Metia-se dentro dele
Fazia amor com o mar
Com o mar seu único amor
II.
Quando ele está à minha frente
Tão perto ao alcance de um passo
Esqueço todo o passado
O presente torna-se baço
E avanço esquecido de mim
Só quero sentir o abraço
O imenso amplexo que leva de mim os sentidos
E faz de mim um instante
Uma micro-partícula no espaço
Despido de dimensões
Nu e insignificante
Que só dentro dele me sinto
Pleno maciço gigante
E flutuando sem norte
Sozinho com ele e os astros
Sou eu o ínfimo corpo
Enésimo filho da Terra
Que quando se encontra no mar
Livre solto irrestrito
É infinito sem nada
E é nada no infinito
III.
Quando eu morrer
Hei de voltar
Para poder morar no mar
Hei de voltar
Como cetáceo peixe ou outro ser do mar
Para poder debaixo de água
Livremente respirar
Quando eu morrer
Hei de voltar para ser feliz
Como fui quase… e por um triz
A minha sorte não deixou ou eu não quis
Hei de nadar no mar sem fim
Com o meu amor sempre a meu lado
Como de Delos os delfins
Os namorados dos mosaicos
Talvez então morrer no mar
Mas por amor como Leandro
Sabendo assim que fui feliz
Que fui feliz
Só saberei mesmo no fim
Quando eu morrer
E voltarei
Para ser eu do mar o amor
Se ainda houver mar
Quando eu morrer
E o amor ainda existir
Quando eu voltar
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