Lista de Poemas
O pássaro
de melodia que embora dolorosa,
pousava triunfante em meu papel.
mas lhe arrancaram uma fibra nervosa
agora já de voz rouca
não mais em minha boca
vem derramar seu mel.
voz cansada, canção fraca...adoeceu talvez
eu o vi padecer dia após dia
até que de minha folha voou
hoje raramente me lembro de sua melodia.
o que aconteceu, amigo?
o que houve contigo?
acaso a fonte onde bebias secou?
Teu nome
Teu nome é para mim como uma prece
Chamo-o com uma adoração louca
Quando digo, sinto o que me parece
Uma carícia ao sair da minha boca
Posto que tu és como Deus
Teu nome não se fala em vão
Apenas sussurrado entre os lábios teus,
Um segredo guardado em meu coração.
À noite um suspiro tremulou no peito meu
Quando o disse em meu sonho – isto só eu sei.
Não me olhes assim... que culpa tenho eu?
Culpado é quem te deu esse nome de rei!
Teu nome que já foi meu mantra sagrado,
Mantive-o em segredo por amor
É o sinônimo de um sonho despedaçado...
Hoje só de ouvi-lo sinto uma pontada de dor!
O primeiro encontro
Se meus olhos cegos de paixão
Encontrarem com os teus
Nesse dia... Ai meu deus!
O que eles dirão?
Quando eu finalmente encontrar
Teus olhos verdes-claros
De beleza e brilho raros
Ficarei pálida como o luar.
No acelerar do coração
Quando as mãos se unirem
E se as palavras sumirem?
O que faremos então?
No calor da tua tez
Deslizo os dedos vacilantes
Até teus lábios delirantes
Suspirarem de languidez!
Da palavra já esquecida
Ficará claro o desejo...
Dar-te-ei só um beijo,
O melhor de tua vida!
Foi então que o encontro
Subitamente virou desentendimento
Deixou na boca o gosto amargo
De tristeza e desalento.
E o que antes eram suspiros de deleite
Hoje são soluços de saudade,
Chegou ao fim nossa ilusão...
Despertamos para dura realidade.
“Não será sempre assim”, ele dissera,
Mas com a distância entre nós
Também, pudera!
Tudo acabou como dissabor
Só não acabou ainda
Oh não, o nosso amor!
Beleza inatingível
Quem me dera que num verso meu
Pudesse transmitir toda tua beleza
Que trouxesse a luz do teu sorriso
Num gesto de gentileza.
Um verso apenas que coubesse
Todo esse meu amor por ti
Para que possa finalmente saber
Que cada palavra tua me faz sorrir
Mas é de uma beleza inatingível,
Tal verso tão célebre
Seria, de fato, impossível.
Pois toda poesia que se cantou
Não pode de maneira alguma
Ser mais bela do que quem a inspirou.
Despedida
I
Se um dia, de mim te lembrares,
Faz de conta que morri
E quando te entregares
Aos lábios de outra paixão
Lembra-te dos versos que escrevi
Que falavam desta emoção.
II
Pensa em mim como saudosa lembrança
Que tens do teu passado
Passado cheio de esperança,
De desejos vãos,
De um sonho renegado
Que morreu em minhas mãos!
III
Não passarei de lembrança vaga
Que em teu coração virou dor
Até que um velho poema traga
Recordação para teus dias
E lembra-te do sonho de amor
Que no vazio tecias.
Quando ao pensar sozinha
Quando ao pensar, sozinha...
uma lágrima a face me inunda
é a falta que me fazes, alma minha,
é ver minha vida desgraçada e moribunda.
Quando ao pensar, sozinha...
um suspiro o peito me treme
é que longe de mim teu Amor caminha
é que meu coração apenas chora e geme.
Quando ao pensar, sozinha...
nenhuma esperança nos olhos vive
é a lembrança dos amores que nunca tive.
Anjo, se trago este olhar perdido,
esta tristeza sem sentido
é que nosso Amor nunca passou de ilusão.
Adoração
Amo tua face pálida
Quando em sonho descansas
Amo teus lábios silenciosos
Tocando-me dos cabelos as tranças
Amo teu corpo inerte
Em sono profundo e demente.
No seio gélido nem um suspiro
E o coração que repousa inocente
Se soubesse a dor em meu peito
Agora dorme no amor dos anjos
Envolto no calor do leito.
Retrato de um amor que não deu fruto
Adoração! À luz fraca das velas
E do silêncio do luto.
Desilusão
é por tanto te amar,
tenho ainda mais odio de mim
por não saber te desprezar.
odeio os versos meus
por só cantarem teus primores
não sei te dizer adeus
embora me cause tantas dores.
tento me convencer
de que não te adoro mais
sinto logo o peito doer
sei que não sou capaz...
do amor que não vivi
só me resta saudade
derramei só por ti
cada gota de minha mocidade.
ando a chamar-te, amor
mas teu coração não escuta
o único remédio para esta dor
é um cálice de cicuta!
17 de maio
E pelo anjo que suspiro tremendo
Meu olhar se enche de pranto
E de amor vou padecendo.
Deito-me nessa solidão
Que a noite escura afoga e dor
Fecho os olhos e em silêncio
Te mando minhas juras de amor.
Em minhas noites sonho muito
As ternuras do meu amante e amigo
Sonho que sou tua querida
Sonho teus amores, meu bem, eu sonho contigo!
Penso delirante em beijar-te os lábios
Oh! Deixa-me repousar em teu peito
Sentir o aroma inebriante de teus cabelos...
A febre ardente me consome no leito!
Bem sabes que pálida aos teus pés vivo
És do céu a estrela mais brilhante
Levanto a ela meus olhos em pranto
Suspiro...és também a mais distante!
Assim na solidão amo-te à distancia
E sonho, meu bem... ai como sonho!
Quando te procuro só encontro saudade
É o que me deixa com olhar tristonho.
E adoro-te tão apaixonadamente
Que ao fim da noite só tenho um desejo
Anjo de meus saudosos sonhos,
Trocaria minha vida por teu beijo!
Com o porvir da aurora, ao amanhecer
A manhã clara me lembra os olhos teus
Respiro os suaves aromas
Que emanam dos lábios seus.
Comentários (3)
Que profundo! É verdade, sem amor de nada vale tudo.
Oh Larissa, meu Deus, não acredito que tu tens um gosto pelo Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage, esse poeta maravilhosamente corajoso, livre... Sou novo aqui, claro...tenho 4 dias nem isso e dei de caras logo contigo, uma linda senhora de ocolos tão elegante a gostar do Bocage. UM ABRAÇO DE PORTUGAL :D ESPERO QUE AINDA ESTEJA POR AQUI...
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