Escritas

Lista de Poemas

Luz

LUZ


Luz de um astro,
Rastro do mais absoluto inferno,
Da mais imponderável fornalha.
Transcende a si e a fonte,
Rondando o impalpável
E o impossível eterno.

Sendo luz é onda,
E anda,
Entre o abissal e o píncaro.

Oscila,
Entre o cósmico
E a partícula,
Da partícula,
Do infinitamente ínfimo.

Entre o plano e o multidimensional.

Entre a harmonia e o caos,

Assim é a mulher amada,
Caótica e harmônica,
Louca e santa,
Aleatória,

Mas antes...
Intencional.
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O pecado que ainda não fiz

O pecado que ainda não fiz

Chego em casa, a imagem da Santa chora.
Nem pequei ainda, Nossa Senhora!
Não encaro a imagem e peço perdão
Pelo que não fiz. Sinto solidão,
Frio, medo, silêncio e abandono.
Ela nada me diz e eu finjo ter sono.
Deito-me a observar a lua nova,
Que passa e lentamente vai embora.
Fecho os olhos, abrem-se os olhos da alma.
A tez da amiga distante me acalma,
E sua voz preenche todo o espaço,
Oscilante entre o choro e o riso fácil.
Choro de olhos fechados e peito aberto,
E durmo a pensar sobre o inatingível.
Será que há o plenamente perto?
Há o longe totalmente impossível?
Beijo os lábios da lua distante,
Na ilusão infernalmente feliz.
No sonho não há espaço nem Dante,
Cometo o pecado que ainda não fiz.
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👁️ 468

O escolhido

O ESCOLHIDO


Fosse eu,
o escolhido,
O teu querido,
O teu deus


Fosse eu,
O teu sonho antigo,
O diário amigo,
Íntimo e fiel.


Eu te adoraria,
Venerar-te-ia
em genuflexão.


Pecaria misturando crenças
Monoteístas e ateias
Construiria para ti um templo de invocação,


E te adoraria sem fim,
Com devoção.


Fosse eu,
Somente eu,
O escolhido entre a criação,
Atiraria pétalas
E ramos de alecrim.


Isso, se eu fosse, menina,
O DIABO da tua imaginação.
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O Passarinho (soneto)

O passarinho

Por que tu foste de mim, passarinho.
Por que tão longe da minha janela,
Buscaste teu ninho, tua quimera,
Justamente quando me vi menino.

Quem irá à próxima primavera
Fazer-me sorrir sem estar mentindo,
E me dispor a dar um grito fino
Como quem ao primeiro amor se entrega.

Quem me trará no aroma matutino
O gosto da vida que se arremessa,
Do cantar febril de quem faz um hino.

No anoitecer, rezo agora, sozinho,
Para o amanhecer trazer à janela,
A vida, no teu cantar, passarinho. Google+
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Bolhas de sabão

Todas as manhãs eu te invento,
Ponho-te na palma da mão e solto ao vento.
Depois, feito um louco, saio à tua procura.
Muitas vezes eu encontro,
Todas as vezes tu és bolha de sabão.
Pacientemente, na próxima manhã, eu te invento,
Ponho-te na palma da mão e solto ao vento.

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Dupla face

Um olho seu me enxerga,
O outro me evita.

Uma frase me enverga,
Uma outra me excita.

Os lábios bicotam,
A língua muxoxa.

Seu riso me encanta,
Seus dentes me cortam.

Uma mão me toca,
Outra a porta indica.
Uma perna só insinua,
A outra se oferta nua.

Uma lágrima é dor,
A outra dissimula o riso.
Riso dissimulador,
Calculado, preciso,
Angélico e ameaçador.

Eu falo,
Você cala...
Você grita,
Eu silencio.

Eu grito, berro, no cio,
Você emperra, empaca,
Indiferente à dor...
Indiferente à minha dor.

Um dia é Freud, outro Jung.
Num dia tudo é relativo,
No outro, quântico,
Yin e Yan.

Urro em desatino e cântico,
Passivo e ativo,
Comum e excêntrico,
Barroco e romântico.
Não! Romântico, não.
Chama, reclama, clama por mim,
Atira-me na cama,
E foge...

Antes do fim. Google+
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Helton timoteo
Helton timoteo
2025-06-25

Helton timoteo

Mondolfo
Mondolfo
2025-06-25

Mondolfo