Lista de Poemas
Fim da procura
Um dia eu sonhei você,
Idealizei você,
Descrevi você em versos utópicos.
Estudei poesia,
Estudei filosofia,
Metafísica,
E Deus.
Tantas... Tantas páginas apenas para lhe entender em mim.
Visitei paisagens em sonhos e a vi correr pelos campos,
Colhi flores brancas para os seus cabelos,
E quando molhou as mãos no riacho,
Pareceu-me que toda a vida na terra
Fora feita ao seu dispor.
Idealizei você,
Vi seus olhos nas chuvas,
Seus cabelos num bando de pássaros,
Sua voz baixinha no arfar de folhas,
Sua pele nas névoas das montanhas,
Seu sorriso eu vi em cada sorriso.
Idealizei você,
Sonhei você.
Beijei bocas que não eram a sua,
Mas era a sua boca que eu beijava.
Amei e fui amado.
Só meu corpo amou,
Minha alma lhe esperava.
De tanto esperar, encontrei...
Encontrada, eu me encontrei,
E me perdi.
Idealizei você,
Descrevi você em versos utópicos.
Estudei poesia,
Estudei filosofia,
Metafísica,
E Deus.
Tantas... Tantas páginas apenas para lhe entender em mim.
Visitei paisagens em sonhos e a vi correr pelos campos,
Colhi flores brancas para os seus cabelos,
E quando molhou as mãos no riacho,
Pareceu-me que toda a vida na terra
Fora feita ao seu dispor.
Idealizei você,
Vi seus olhos nas chuvas,
Seus cabelos num bando de pássaros,
Sua voz baixinha no arfar de folhas,
Sua pele nas névoas das montanhas,
Seu sorriso eu vi em cada sorriso.
Idealizei você,
Sonhei você.
Beijei bocas que não eram a sua,
Mas era a sua boca que eu beijava.
Amei e fui amado.
Só meu corpo amou,
Minha alma lhe esperava.
De tanto esperar, encontrei...
Encontrada, eu me encontrei,
E me perdi.
👁️ 400
Bombus hypnorum
Como dois mangangás
Meus olhos buscam as acácias
E esfregam-se nas pétalas
E se banham de pólen e néctar.
Mas são olhos e não dois mangangás.
Sorte dessas abelhas gigantes
Que não param para chorar.
Se não encontram uma acácia,
Caçam a flor do maracujá.Google+
Meus olhos buscam as acácias
E esfregam-se nas pétalas
E se banham de pólen e néctar.
Mas são olhos e não dois mangangás.
Sorte dessas abelhas gigantes
Que não param para chorar.
Se não encontram uma acácia,
Caçam a flor do maracujá.
👁️ 515
PASSAGEIROS DO SOL
PASSAGEIROS DO SOL
Passageiros do sol temos sido.
Temos sido passageiros da luz.
A noite nos incomoda.
Ao limiar do entardecer.
Nossos corações pulsam mais forte,
E pulsam mais a cada bater do relógio,
Para alcançar um limite na madrugada.
Nossos corpos cansados
Adormecem lentamente,
Ainda arfantes...
Arfantes...
De tanta...
De tanta solidão.
Passageiros da luz,
Temos vivido o dia.
Aquele amor notívago
Se foi como a noite que sempre esconde os podres no escuro,
No inconsciente do inconsciente.
Passageiros do sol temos sido.
Temos sido passageiros da luz.
A noite nos incomoda.
Ao limiar do entardecer.
Nossos corações pulsam mais forte,
E pulsam mais a cada bater do relógio,
Para alcançar um limite na madrugada.
Nossos corpos cansados
Adormecem lentamente,
Ainda arfantes...
Arfantes...
De tanta...
De tanta solidão.
Passageiros da luz,
Temos vivido o dia.
Aquele amor notívago
Se foi como a noite que sempre esconde os podres no escuro,
No inconsciente do inconsciente.
👁️ 653
A Visão
A VISÃO
O poeta sente frio,
Surge um rio álgido de entre seus dedos,
Tremores inexplicáveis destroem seus edifícios.
Perdido, não mais sabe onde está.
Escondido nas grutas fechadas dos seus medos,
Um grande frio, muitíssimo frio.
Agulhas no peito,
Algemas na língua,
Garganta seca.
Vontade de ser um deus,
De inventar novas seitas,
De parar o tempo,
Reinventar o espaço.
De morrer e ser Lázaro,
De ser bom e mau.
À visão da eleita,
O poeta é simples mortal.
O poeta sente frio,
Surge um rio álgido de entre seus dedos,
Tremores inexplicáveis destroem seus edifícios.
Perdido, não mais sabe onde está.
Escondido nas grutas fechadas dos seus medos,
Um grande frio, muitíssimo frio.
Agulhas no peito,
Algemas na língua,
Garganta seca.
Vontade de ser um deus,
De inventar novas seitas,
De parar o tempo,
Reinventar o espaço.
De morrer e ser Lázaro,
De ser bom e mau.
À visão da eleita,
O poeta é simples mortal.
👁️ 358
Nunca nunca esquecido
NUNCA, NUNCA ESQUECIDO.
Meu grande amor,
Amor chorado,
Cantado em verso,
Amor solitário,
Unilateral.
Amor perdido,
Deixado para trás, mas nunca, nunca esquecido.
Amor de menino, que virou gente grande e se comportou como tal.
Ah! Teus cabelos dourados, teu pescoço com sal.
Um quarto de século se foi,
Sobrevivemos ao bem e ao mal . Eu, em carne e osso,
Mais em osso,
Tu... Nem sei.
Como vai a vida da qual eu não participei?
Tuas alegrias,
(Tiveste alegrias, suponho.)
E tristezas,
E alergias.
O vestibular,
A gripe forte,
O corte no dedo,
O acidente que quase foi.
Eu perdi manias,
Adquiri outras tantas...
Perdi minha Maria,
No céu faltava uma santa.
E a tua Maria, como vai?
E a música que nos unia,
O "rock" mudou, não dá mais para ouvir.
E as baladas, as danceterias, o cigarro e o álcool.
Tiveste uma paixão louca?
E "amassos" no portão?
E tua primeira vez, ai... ai...
E deu em casamento, em filhos?
Filhos...
Noites inteiras sem dormir.
E nas tantas noites alerta, lembraste de mim,
E do meu amor infantil, e riste?
De manhã a vida sempre continua,
A tua vida eu não sei... A minha é triste, triste...
Meu grande amor,
Amor chorado,
Cantado em verso,
Amor solitário,
Unilateral.
Amor perdido,
Deixado para trás, mas nunca, nunca esquecido.
Amor de menino, que virou gente grande e se comportou como tal.
Ah! Teus cabelos dourados, teu pescoço com sal.
Um quarto de século se foi,
Sobrevivemos ao bem e ao mal . Eu, em carne e osso,
Mais em osso,
Tu... Nem sei.
Como vai a vida da qual eu não participei?
Tuas alegrias,
(Tiveste alegrias, suponho.)
E tristezas,
E alergias.
O vestibular,
A gripe forte,
O corte no dedo,
O acidente que quase foi.
Eu perdi manias,
Adquiri outras tantas...
Perdi minha Maria,
No céu faltava uma santa.
E a tua Maria, como vai?
E a música que nos unia,
O "rock" mudou, não dá mais para ouvir.
E as baladas, as danceterias, o cigarro e o álcool.
Tiveste uma paixão louca?
E "amassos" no portão?
E tua primeira vez, ai... ai...
E deu em casamento, em filhos?
Filhos...
Noites inteiras sem dormir.
E nas tantas noites alerta, lembraste de mim,
E do meu amor infantil, e riste?
De manhã a vida sempre continua,
A tua vida eu não sei... A minha é triste, triste...
👁️ 408
Por onde anda
Por onde anda o anjo de olhos tristes,
Voz de brisa,
E pele de nuvem,
Que brinca de me amar,
E enquanto brinca,
Devolve-me a vida...
Aonde anda meu ar.
Por onde anda o anjo,
Que fala e enrubesce,
Que sorri e enrubesce,
Que me olha nos olhos e vê no fundo a alma,
E enquanto enrubesce, eu fico roxo.
Por onde anda o anjo,
Que nunca mais me deixará só,
Que se está longe, não se vai de mim.
E quando está perto, paro o pensamento.
Que, quando amanhece, faz render-me em agradecimentos,
E quando anoitece...
Não... Trevas nunca mais,
Nunca mais insônia,
Nunca mais inércia.
Por onde anda o anjo-pétalas-orvalhadas...
Anjo-pássaros-cantando...
Anjo-água-de-bica...
Anjo-peixes-no-riacho...
Anjo-descalço-no-areal...
Anjo-frutas-no-quintal...
Anjo tudo que esqueci,
Deixei de ver.
Por onde anda,
O anjo que desvendou os olhos meus.
Voz de brisa,
E pele de nuvem,
Que brinca de me amar,
E enquanto brinca,
Devolve-me a vida...
Aonde anda meu ar.
Por onde anda o anjo,
Que fala e enrubesce,
Que sorri e enrubesce,
Que me olha nos olhos e vê no fundo a alma,
E enquanto enrubesce, eu fico roxo.
Por onde anda o anjo,
Que nunca mais me deixará só,
Que se está longe, não se vai de mim.
E quando está perto, paro o pensamento.
Que, quando amanhece, faz render-me em agradecimentos,
E quando anoitece...
Não... Trevas nunca mais,
Nunca mais insônia,
Nunca mais inércia.
Por onde anda o anjo-pétalas-orvalhadas...
Anjo-pássaros-cantando...
Anjo-água-de-bica...
Anjo-peixes-no-riacho...
Anjo-descalço-no-areal...
Anjo-frutas-no-quintal...
Anjo tudo que esqueci,
Deixei de ver.
Por onde anda,
O anjo que desvendou os olhos meus.
👁️ 407
Estrela que passa
(Peço licença ao poeta Manuel Bandeira)
Oh! Vulcana, feita de caos e luz,De cujo corpo paina resplandece,
Uma aura indecente torpe que induz
Ao frio coração, o fogo, e ferve.
E abrasa e liquefaz o duro aço.
Oh! Profana, de toque tal que arde
Feito beijo roubado e vão abraço
De adeus. Que aperta, queima, embora tarde.
Oh! Dama, volátil como bom sonho
"vem feito chama, vai feito fumaça",
sobram cinzas, sobra pó e carcaça.
Oh! Cigana estrela no céu tristonho,
Que eu queria fosse estrela que passa,
"Vem feito chama, vai feito fumaça".
Oh! Vulcana, feita de caos e luz,De cujo corpo paina resplandece,
Uma aura indecente torpe que induz
Ao frio coração, o fogo, e ferve.
E abrasa e liquefaz o duro aço.
Oh! Profana, de toque tal que arde
Feito beijo roubado e vão abraço
De adeus. Que aperta, queima, embora tarde.
Oh! Dama, volátil como bom sonho
"vem feito chama, vai feito fumaça",
sobram cinzas, sobra pó e carcaça.
Oh! Cigana estrela no céu tristonho,
Que eu queria fosse estrela que passa,
"Vem feito chama, vai feito fumaça".
👁️ 403
Karol santo, Carol nem tanto
Karol santo, Carol nem tanto
Quando Karol Wojtyla chegou ao céu,
Na sua mochila de campanha havia então...
Um uniforme surrado das batalhas vencidas,
Um cajado e uma velha bíblia.
Sem paramentos,
Sem ouro,
Sem mitra,
"Franciscanamente" rico.
Recebido foi com intimidade por Pedro:
- Entre amigo, quisera todo Karol fosse santo como tu.
- Entre amigo, sabemos qual Karol tu foste.
- Entre amigo, mas ainda há uma Carol sem fé...
Ainda Carol que mente...
Ainda Carol que se avilta...
Ainda Carol serpente...
Que envergonha os pais,
Que desperdiça a vida.
- Alegra-te amigo, tu salvaste Marias, Joanas e uma Carol.
Ah! Se inda houvesse a foice,
Se inda fosse o martelo...
Carol perderia as mãos,
Carol perderia a liberdade,
Carol perderia a vida,
E o pai perderia Carol,
E a mãe perderia o pai.
- Bem-vindo, Karol Wojtyla, que a Carol do mundo tem tempo.
E Karol Wojtyla se aquietou pensativo.
Tinha salvado Carol, da foice e do martelo.
Mas subiu aos céus, com um olho no novo inferno.
Quando Karol Wojtyla chegou ao céu,
Na sua mochila de campanha havia então...
Um uniforme surrado das batalhas vencidas,
Um cajado e uma velha bíblia.
Sem paramentos,
Sem ouro,
Sem mitra,
"Franciscanamente" rico.
Recebido foi com intimidade por Pedro:
- Entre amigo, quisera todo Karol fosse santo como tu.
- Entre amigo, sabemos qual Karol tu foste.
- Entre amigo, mas ainda há uma Carol sem fé...
Ainda Carol que mente...
Ainda Carol que se avilta...
Ainda Carol serpente...
Que envergonha os pais,
Que desperdiça a vida.
- Alegra-te amigo, tu salvaste Marias, Joanas e uma Carol.
Ah! Se inda houvesse a foice,
Se inda fosse o martelo...
Carol perderia as mãos,
Carol perderia a liberdade,
Carol perderia a vida,
E o pai perderia Carol,
E a mãe perderia o pai.
- Bem-vindo, Karol Wojtyla, que a Carol do mundo tem tempo.
E Karol Wojtyla se aquietou pensativo.
Tinha salvado Carol, da foice e do martelo.
Mas subiu aos céus, com um olho no novo inferno.
👁️ 411
Rainha das flores
Se com a astúcia do olhar humano
Que olha a fêmea com olhar de bicho,
Esmiuçada for a rosa,
O homem não lhe tocará o âmago.
Pois, verá de Deus os caprichos,
E não verá na flor, a rosa.
Na alma dela há um amor insano,
Daquele amor de dor sem queixa,
De aloucar todos os arcanos
E acasalar monges e gueixas.
Quanto abandono há na rosa!
Quantos planos e desencantos!
Quanto mistério há na rosa!
Quantos crimes passionais!
Mas não há o pecado original.
Rameira e indecorosa?
Antes, benta e celestial.
Que olha a fêmea com olhar de bicho,
Esmiuçada for a rosa,
O homem não lhe tocará o âmago.
Pois, verá de Deus os caprichos,
E não verá na flor, a rosa.
Na alma dela há um amor insano,
Daquele amor de dor sem queixa,
De aloucar todos os arcanos
E acasalar monges e gueixas.
Quanto abandono há na rosa!
Quantos planos e desencantos!
Quanto mistério há na rosa!
Quantos crimes passionais!
Mas não há o pecado original.
Rameira e indecorosa?
Antes, benta e celestial.
👁️ 407
Mentiras
Mentiras
Sei que mentes sérias coisas
E até o que mentes eu sei.
Foste uma rainha perigosa,
Uma rainha de muitos reis.
Sei por que gostas das rosas,
Sei dos espinhos nos teus seios
E das sementes destes, eu sei.
Teu passado tem vários veios
(o fim esconde os meios),
Fizeste as próprias leis.
Teu passado é quase inacessível,
Mas deixou marcas de ver.
No teu presente, pouco invejável,
Sei que mentes para viver.
Sei que mentes certas coisas,
Mas é o teu maior poder,
Cada vez que sorris falsa,
Cessa meu impulso de morrer.
Google+
Sei que mentes sérias coisas
E até o que mentes eu sei.
Foste uma rainha perigosa,
Uma rainha de muitos reis.
Sei por que gostas das rosas,
Sei dos espinhos nos teus seios
E das sementes destes, eu sei.
Teu passado tem vários veios
(o fim esconde os meios),
Fizeste as próprias leis.
Teu passado é quase inacessível,
Mas deixou marcas de ver.
No teu presente, pouco invejável,
Sei que mentes para viver.
Sei que mentes certas coisas,
Mas é o teu maior poder,
Cada vez que sorris falsa,
Cessa meu impulso de morrer.
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