Lista de Poemas
𝑴𝒖𝒏𝒅𝒐 𝒐𝒖 𝒗𝒆𝒏𝒕𝒓𝒆?
Vida de príncipe:
Tudo lhe é servido,
Até do frio é protegido,
Só alegria e paz de espírito...
Ah, que felicidade!
Até a impetuosa tempestade —
Sem oxigênio, corpo moído,
Seu mundo em completo desastre.
Agora, só dor e choro,
Privado de tudo o que conhecia.
Era tudo o que amava,
Era o mundo que tinha.
Num lugar, outrora,
De segurança e conforto,
De vento em popa,
A lugar algum, agora...
Até os olhos se abrirem,
Com o fluir do tempo.
Desfrutar a verdadeira alegria
E compreender o processo.
Quiçá, ó céus,
Esse mundo é um ventre?
Talvez, quando morremos,
Na verdade, nascemos.
Luanda, Maio de 2025
𝑷𝒐𝒓 𝒒𝒖𝒆 𝒐 𝒕𝒆𝒎𝒑𝒐 𝒑𝒂𝒔𝒔𝒂?
Ah, esse caminho...
Ainda vive em mim o aroma dessa estrada,
Indestrutível no crisol do tempo,
Que me levava onde minha flor prócere morava.
Hoje, pisoteado, sem qualquer consideração,
Circulam de qualquer forma por esse panteão.
Sou consumido pela consternação
Ao ver tamanha e desmesurada profanação.
Essa vereda era só minha, quando por ela transitava
Com o espírito vestido de júbilo e anseio.
Dói-me profundamente na alma
Saber que já não tem o meu amor como destino.
A quem a roubou de mim, agradecerei,
Se me conceder a graça de ao menos voltar a ver
Aquela beldade — mesmo que pela última vez,
Mesmo que à distância.
Ah! Por que o tempo passa?
Careço, sim, livrar meu coração
Desse grande mal que nele padece,
Ao dizer-lhe que foi a melhor coisa que conheceu,
Que aquele lugar nele ainda é seu,
E que o único culpado por tê-la perdido sou eu.
Ah! Por que o tempo passa?
Por que o tempo passa?...
Luanda, Maio de 2025
𝑻𝒆𝒏𝒉𝒐 𝑴𝒆𝒅𝒐
Carrego milhões de sonhos
nas costas de um corpo cansado.
Milhões de anseios me cercam,
como pássaros num céu pesado.
Vejo tantos vencendo ao lado,
e o medo cresce —
feito sombra em pleno dia,
feito nó no passo apressado.
É fobia, sim —
não de tentar,
mas de tombar no silêncio
onde ninguém vem me levantar.
Os planos, os sonhos,
não são capricho:
são mapas de fuga
do vazio onde me deixo.
Às vezes, a força me falta,
e a alma se dobra no escuro.
Mas o mundo exige firmeza,
e o fracasso... é um muro.
Sofro quieto,
como quem grita sem som.
Engulo tempestades
com a boca de um monge em jejum.
Este mundo não tolera tropeços.
Ou brilhas, ou és ninguém.
Prefiro a morte à névoa
de viver sem um "amém".
Socorre-me, Deus —
antes que eu me apague por dentro.
Dá-me espada e abrigo,
dá-me chão, dá-me vento.
De que vale existir
sem jamais florescer?
Que farei da vida
se ninguém souber me ler?
Sem olhos que me vejam,
sem palmas no fim,
sem um gesto de afeto,
sem um abraço em mim...
Luanda, Maio de 2025
𝑪𝒂𝒔𝒕𝒆𝒍𝒐 𝒆𝒎 𝒓𝒖í𝒏𝒂
Quando eu era pequeno,
morava num castelo —
de pilares firmes,
cheio, seguro e belo.
Havia grandes árvores,
davam sombra e fruta;
e flores, tão pequenas,
que o olhar de todos escuta.
Maldito o tempo
Que por lá soprou.
O jardim secou,
Foi-se o ar de júbilo
Que ali por mui tempo pairou.
Os pilares, que se abraçavam,
hoje jazem separados.
A cobertura que nos escondia da noite,
e as paredes que do frio nos guardavam,
foram ao chão,
e com elas — tudo.
Nada resta, senão chorar
E, quando puder, visitar
O lugar que outrora era paraíso
Mergulhar nas águas dos tempos idos.
As manhãs frias, devido a cama molhada
Xixi feito às madrugadas
Quando pelo culpado se procurava
Pois quase tudo, inclusive a cama,
Se partilhava
Levávamos “cocos” das manas
no banho forçado.
Duras, zangadas —
era delas o fardo
de lavar quem já corria pelado.
Ah, aquando da alimentação:
Jantar, almoço e mata-bicho,
A luta por melhores pratos
Pelo pão mais comprido.
Quando éramos inventores:
De brinquedos, nomes e palavras,
Quando era fácil bater polícia
E receber-lhe a arma.
Quase não havia doença,
nem a maldita morte,
nem essa separação surda
que hoje ronda cada porta.
Havia só esperança,
uma dor que nem pesava,
brincadeira, aposta,
e um mundo que nos bastava.
Por isso, é lá que me escondo,
quando o mundo pesa mais.
Na ruína do castelo antigo,
só se ouve — paz,
e amor demais.
Luanda, Maio de 2025
#PENSAMENTOS_SOLTOS
A Teoria da Relatividade está certa; vive pouco tempo quem vive rápido. A pressa é inimiga da vida longa.
#PENSAMENTOS_SOLTOS
A Teoria da Relatividade está certa: vive pouco tempo quem vive rápido. A pressa é inimiga da vida longa.
#PENSAMENTOS_SOLTOS
Percorro as veredas do conhecimento com amor, paciência e prudência, para não tropeçar e cair no abismo da ignorância ou da loucura.
#PENSAMENTOS_SOLTOS
Inimizade com o mundo não é apenas inimizade com Deus, mas também com a alma – com o espírito.
#PENSAMENTOS_SOLTOS
A morte é a janela para a realidade.
#PENSAMENTOS_SOLTOS
Não há esperança para a humanidade, além de uma divindade. E não há uma divindade mais provável que Cristo.
Comentários (3)
Tens uns poemas de arrepiar mano
Olá, irmão! Obrigadão, tuliodias!
Olá irmão!
Kanienga L. Samuel (José) é um pensador e poeta que escreve com o coração ferido e os olhos bem abertos. Entre a filosofia, a crítica social e a poesia, suas palavras nascem do espanto diante da dor humana e da esperança teimosa de que ainda podemos ser mais do que produtividade e aparência.
Crente de que a poesia é um sussurro de eternidade no barulho do mundo, seus versos abordam temas como a solidão, a pressão social, a fé, o fracasso e o brilho — esse novo imperativo silencioso que aprisiona gerações.
Nascido em Angola, escreve para não sufocar e para acender, com outros, uma pequena chama no meio da escuridão.
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