Lista de Poemas
Subtil ....

Subtil o que sofro,
Quero sentir de outra forma pois sinto
Em forma de nada o meu querer,
Falta-me o oscilar do salgueiro ao vento,
Falta-me o sonho dentro do sonho,
-Fala-me da realidade curva e as cores,
Da forma que tem o tempo sem ter,
Em forma de álamo o meu querer …
Paisagem num quadro, uma subtileza
Em cristal, um átomo a oscilar no tempo,
O espaço, um intervalo nulo, o meu ser
Embala-me no vulgar soprar – o ar,
Poeira inquieta o que tenho e não quero,
Milimétrico eu, vulgar sopro o que penso
Ser viver neste viver sem vida, que quase
Toco sem que me toque ela outra …
Falta-me a sensibilidade negra do corvo,
Fala-me da ausência e da conclusão do dia,
Da hora tardia, fala-me da promessa
Não cumprida, do sermão e da dúvida
Necessária pra nos mantermos espíritas
E em forma de ar, o nosso ser sitiado,
Enfermo e em forma de nada mais
Que ar e ar, de mar cercado e sem saída.
Quero sentir-me de outra forma que não preso
Ao corpo nem à vida, sútil ao sopro,
Subtil é o que sofro.
Jorge Santos 09/2018
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👁️ 312
Ridículo q.b.

Há música na palavra dita…
Há música nas palavras ditas,
Não ouso cantar
Em publico, sinto-me ridículo
Quando dou por isso,
Estou a cantar alto sozinho,
pois que o hábito não faz
O monge e eu canto como maldito
Da rua, embora não seja cego,
Sou louco quanto a loucura
Que me habita por dentro,
Sendo esse o meu desatino,
Quando dou por mim sozinho,
Cantando baixo, baixinho.
Sou ridículo, sinto-me músico,
Sem ser nem isso, q,b.
Um sem ofício, fulano tal,
Maldigo o ruído que faço,
P’los cantos da boca sujos,
Como se não bastasse sab’a gemada,
A língua batendo constante,
Nos dentes fingindo ser harpa.
Trinta destinos tive à escolha,
Nenhum de ser poeta, quanto
Menos músico eu, etc, etc, etc …
Jorge Santos 08/2018
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👁️ 347
Como paisagem ao morrer o dia, o voar do ganso...

Como paisagem ao morrer o dia,
Tudo se esconde em sombra e erva esguia,
Assim parece o tacto e o chão ermo
E falto, que me larga a mão e parte
Na passagem do fim, para o norte fundo,
A chuva não vem longe, vem de través,
Me segredam os dedos, ralos os cabelos
Que penteio, por dentre dez mil deles, redondos
Como a paisagem, o horizonte e a morte
A chuva não vem longe, acredita profundo,
Acredito nos homens que não morrem de vez,
Acredito que o “Homem” não morre hoje,
A Terra está doente, não me embala
E eu sofro pelo mar em volta e em luto,
Pla Terra, pla flora e a chuva não vem,
Nem chora, assim padecem meus olhos doendo,
Doente, eu e tudo, tudo se esconde
Em sombra e erva podre,
Como paisagem ao morrer o dia, o mundo
Enfermo, tal como entre duas espadas
E o punho, a parede de ferro e brasa,
O feno, o funcho, o abrunho, o ouriço…
O voar do ganso mudo.
Jorge Santos 08/2018
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👁️ 294
Sofro por não ter falta ,

Sofro por não ter falta,
Ausência se faz sentindo
A mesma falta, a partir
Do que não é preciso,
E só dói ao principio,
Eu sofro por não ter falta,
Medito a sós comigo,
Repetindo o mesmo “mantra”,
Vezes e vezes sem conta,
Ausência só faz sentido,
Quando há em uma parte
Do corpo, transição.
Eu sou um quarto do caminho,
Desconheço os fins
E a distância, a atitude
É uma doença contagiante,
Congénita, tal como a má morte,
Estou morrendo de conteúdo,
Como morre mudo um pato,
De desmérito, pode ser fraca
E inoportuna ou tamanha,
Sofro por não ter falta,
A felicidade é rara e falsa, a alma não
É minha …nem é dada à sorte.
Sofro por não ter falta,
Finjo, ignoro, sou feliz
Como quando se nasce,
Ausência se faz sentindo,
A morte não se sente,
Embora faça parte do que sinto,
Falta-me do voar a asa e a verdade,
Os deuses não me deram uma,
A outra não a quero,
Não me cabe escolher qual delas minha,
Sofro de não ter falta,
Sofro de ser agora, já tarde …
Jorge Santos 08/2018
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👁️ 269
A verdade é Tenente ...Tio Lawrence.

Teu “Lawrence”
O viver Almirante,
A verdade Tenente,
Capitã minh’alma,
Venho ao mundo
Temente, tamanha
A sede de viver, gigante …
Almirantes, todos
Que o mundo possa
Conter, dementes vivamos
Capitães da areia,
Fundeemos castelos,
Quer sejam ou não âncoras
De verdade, nem os barcos
Rabelos, os portos-Porthos,
Dromedários, caravelas, deserto.
Teu “Lawrence”, tio Lawrence…
(Vontade Tenente)
Jorge Santos 08/2018
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“Entre duas aspas”

Ficarei a ser, sendo o que entendem que digo,
E de mim, enfim é o que consigo dizer entre
Aspas, digo-não entendo tanto quanto quero-
Porque haveria de querer eu, seria sério sendo,
Isso não sou, por aí não vou, passarei por
Mímico, sendo o que não sou, – entendem
O que digo, pois eu duvido mesmo a sério
Da minha certeza toda e aposto na duvida,
É um vício o ser quem não sou, a razão
É simples e natural como todas as coisas,
É o que consigo dizer não dizendo, “dividando”
O seno pelo humano interno intenso, sendo
Ficarei a ser o que entenderem que sou,
Gradiente de cinza, incompreensível voo
De moscardo sem voo, necessidade de nada
Ser, destino imaginário ou o que possa ter
Entre aspas “à míngua desse dom”, seco, indivino.
Perdoai-me, pois não me entendo nem m’dispo
Quando por vezes me “desdigo”, “dividando”
Seno Coseno hipérbole, eloquência de Fibonacci
“Pro bono”, contradigo-me sendo o que não sou,
Dando o que não tenho, ocultando por onde vou
Paradigma este sentir sem ser voar sem asas ter
Lembrar pra esquecer passar sem mudar pés
Nem mãos do lugar suposto que ocupo na sala
Menos-oval do mundo, enfim, é o que consigo
Dizer “entre duas aspas”, entre duas águas
Sinto que entendem não de facto, o que digo …
Jorge Santos 08/2018
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👁️ 284
Puder-eu-o-ter
Puder-eu-o-ter
Mar que há em mim,
Puder eu o ter não no lugar
Que tem o mundo, mas no peito,
Profundo, perdido e fundo.
O mar que há em mim passei,
Saudarei da margem dele
O mar sem farsas falas, pois
Que hei-de por ele passar,
Eu sei que é o mesmo
Porque me corre nas veias
E é salgado tal e qual o sal
No mar imerso e imenso.
Abraço o nosso e o falar
Que não se distingue
No mar entorno que volta fatal
E eu vou ao ritmo da maré,
O mar que há em mim
É supremo, confesso-me
Imperfeito não me alimenta
A beleza, não compreendo
Os elementos nem o critério
Da natureza, da espuma,
Apesar de fluída e me aperta
O peito, estéril, amiga,
Ouvir o som das águas
E morrer, é como descrever
A própria calma e saltar
Dos ribeiros para o domínio
Que me corre nas veias,
O destino é sentir que vou,
Sem deixar de ser o mar
Que volta e me tem, puder-eu-o-ter,
Confesso-me ...
Jorge Santos 08/2018
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👁️ 265
-O corte do costume, se faz favor –

-O corte do costume, se faz favor -
" - É o costume?" - Digo eu, perguntando como sempre faço, embora sem esperar pela resposta, como se fosse um ritual castiço - O costume, se faz favor - é a réplica espontânea, mesmo nas tascas das s'quinas ou no restaurante onde se almoça quase todos os dias do ano e na taberna do copo de três, que infelizmente já não existe ou apenas nas historias do "era uma vez".
" - É o costume!" Costuma servir de resposta e é lançado como um dado, prontamente e na primeira frase, depois do cliente sentar lento e logo a seguir ao bom dia ou à boa tarde, ditos como numa praxe que nos habituámos no ocidente.
São fundamentais estas palavras que trocamos com qualquer cliente conhecido numa qualquer e normalizada oficina de barbeiro e também a frase mais comum, rotineira até à exaustão e dita no local onde trabalhamos eu e meu pai desde que me lembro, tenho cinquenta e poucos anos, ele oitenta maduros e muitos mais de sagacidade, a memória mais activa e infinita do mundo, enquanto a minha, a imediata me basta pois é dele, em si mesmo como homem bom, que me lembro desde sempre, do meu atencioso pai, atenciosamente atendendo clientes acostumados à sua cadeira de barbeiro, bem ao lado da minha, apesar de não falamos muito somos "unha com carne" desde sempre; houve um tempo em que eramos três, três cadeiras sendo a do meio pouco usada ou foi usada por um curto espaço de tempo, agora apenas duas, sendo menor o número de clientes "do costume", menor o vulgar protocolo cliente/ barbeiro-de-bairro.
Faço a viagem diária do costume, tomo o pequeno-almoço do costume, janto o jantar costumeiro com a família com que costumo sem excepção, partilhar as minhas refeições à beira, os meus humores e as minhas ralações costumeiras, não me costumo desacostumar de um casulo que me proteja do exterior e dos outros, pois tenho sempre os mesmos costumes seja qual for o dia a semana o mês ou o ano, sou um ser naturalmente enfático sem ser autista, assim como qualquer outro normal ser humano de costumes ditos fixos.
Tenho um cliente autista profundo, com o qual troco apenas meia dúzia de palavras ou nem isso, não costumamos falar demais nem demasiado, nem posso, não exagero no que digo nem quando afirmo serem meia-dúzia as palavras com que conversámos faz até esta data mais de vinte anos, vinte anos em que é e tem sido cliente habitual; fui e sou das poucas pessoas em quem ele confia para trocar certas curtas palavras e para lhe prestar ou proporcionar um serviço mensal ou bimensal dependendo da ápoca dos meses e do anos serem menos quentes, mais húmidos ou mais frios.
Também ele se protege num casulo invisível, indivisível e bidimensional, à sua medida e à do mundo exterior, cria rotinas talvez para subverter a ânsia que é sobreviver numa "super-colectividade" de ansiosos eficientes, não dizemos as palavras da rotina, "é o costume" ou o "está um dia de sol"," como vai a saúde" etc. Entende-nos o tempo que nos conhecemos, igualmente sem palavras, assim como nós os dois, dirimidos intérpretes, dirimidas actuações sem conversas do - O costume, se faz favor - como sempre, perdurará noutra gente, noutros tempos "como-de-costume", autistas ou não, pais de filhos, filhos com pais, tal e qual como sempre.
Se faz favor, etc e tal ...qual e tal gregos na liturgia papal Romana ou da antiga Pérsia, ainda não Otomana e no sal do mar, que habitualmente sabe muito a peixe.
Joel Matos (2018 Junho)
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Ao principio …
Ao principio ...
O principio impunha-se à vontade arbitrária de criar, sem que se arriscasse concluir como e de que forma se reproduziria a vida a partir do nada, do primevo, do zero,do nulo, do ovulo.
A vitalidade não tem forçosamente uma raiz, a vontade sim e o principio é a origem, o folículo do ovário, uma opção especial, especifica, a qual caracteriza o começo, o principio de tudo, a realização da vida e do mundo.
A vontade deu origem ao primeiro fruto, porém este inaugurou o morrer e o tom poético do outono invadiu, primeiro o mar e depois a terra, a serra e a floresta e o ar, tinha-se inventado o tempo, pois a morte não é o fim da vida, mas a revogação natural do tempo, de velho em novo, de novo em velho, assim tem sido sempre até agora e assim será eternamente.,
Logo o sonho estabeleceu que houvesse lua e a lua apareceu, em crescente, ditando os ciclos menstruais da mulher e à floresta, deu razões para crer, crer na paixão da seiva ao subir do caule às rubras pétalas.
No princípio era o óvulo, o veludo do musgo e o músculo da ameijoa, da anémona e o caranguejo-ermita, na concha abandonada, a praia a perder de vista, o beijo dos namorados de mão dada, os desejos insinuados, o calor e a vontade de fazer amor, mais que tudo, mais que nada, na esfera , na atmosfera ténue das vontades arbitrárias, o planeta Terra, o Mundo.
Joel matos 07/2018
http://joel-matos.blogspot.com
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Colossal o Oceano,
De colossal o oceano,
Imortal o sono,
Os sentidos belos
E a magia de todos que me inspiram; inspiraram-me
Inclusive os ventos, as tempestades, as ondas e o iodo,
De verdade minha ânsia é de naufragar no azul do mar,
Colossal o oceano, profundo.
Serei eu o lastro fundido mais fundo deposto
Quando da criação dos inquietos
Mares deste e doutros mundos,
Imortal o sono nos rostos, profano o Mar-Morto.
Jorge Santos (07/2018)
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👁️ 309
Comentários (4)
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nilza_azzi
2019-08-22
É bom ler o que escreves; tens ritmo, domínio da línguagem poética e abordas temas intensos.
namastibet
2019-01-09
obrigado a todos que me leram
ricardoc
2018-04-23
Igualmente! Estou me familiarizando com a plataforma. Abraços, RicardoC.
131992
2017-10-26
muito intenso seus poemas, adorei.
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