Lista de Poemas

É Meu Mal

Um relâmpago tinha-me dito
Que te encontraria um dia
Que faria?
Não sabia.
Só viver não mais escondido.

Esse amor - é só paixão?
Nem sei a verdade toda
Na tua boca
Andava louca
Com o que me dissera o trovão.

Nem o tempo, nem as lágrimas de cristal
Que da minha face desceram
Escorreram
E esconderam
Tudo o que sinto - és meu mal?


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A arder lentamente

Eu não sinto
Quando sinto
O que sinto cá dentro

Eu não minto
Quando assento
O que sinto, que é denso

É no vinco
Que piso
No meu pensamento

É distinto
Meu riso
Que cá dentro não tento

Será meu vício
Num fundo preso
Que acende a malícia


Foi no solstício
Da vela acesa
Que acabou a delícia

Meu vício aceso
No fundo findou
Solstício preso
No fundo mudou

É meu trauma que não terminou
Minha alma que nunca voou
Numa vénia ainda se prostrou
E a vela escura, tão linda, acabou.


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Ví(-te)cio

Vi-te sentada
À beira da praia
Na areia molhada
À beira do mar
Da praia salgada;

Vi-te molhada
Sentada na areia
Do mar salgado
À beira da praia
Sozinha a contar;

Vi-te na areia
À beira da água
Sozinha na praia
A secar a mágoa
Molhada do mar;

Vi-te sozinha
Sentada na praia
A contar baixinho
Estrelas da areia
Molhadas por ti;


Vi-te depois
Com estrelas salgadas
Tiradas da água
Contadas, molhadas
Choradas, por fim.


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Um Sonho Não Sonhado

Numa duna me deixei adormecer
Com esperança de conseguir sonhar
Deixei de ver, deixei de conhecer
Deixei-me voar, deixei-me escapar

Numa duna me deixei sonhar
E sonhei que nunca consegui adormecer
Perdi-me no ar, perdi-me no mar
Fugi para conhecer, fugi para te ver

Um sonho acabou
Um sonho escapado
Um sonho voou
Um sonho tirado

Do ar
Ao mar
Do vento
Ao relento


O sonho nem começou
Eu nem adormeci
Quem me imaginou
Deveras esqueci

Um sonho do ar
Um sonho do mar
Um sonho do vento
Um sonho ao relento

Acabou o sonho
Voou com o vento
Do ar escapado
E do mar foi tirado

Acabou o sonho
Voou com o vento.


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Tempo fantasma

Tenho a impressão que dois momentos já passaram e eu não vi
Foram dois momentos que voaram e que eu senti

Tenho a sensação de sentimentos já passados, que não voltarão
A existir a emoção cá de dentro, do coração.

Tenho a impressão que já não vejo e vou continuar sem ver
Tantas emoções que já não tenho e me vão ajudar a sofrer

Tenho a sensação de alguns momentos que voaram e que já não vou viver
É esta a razão dos sentimentos que não tenho e tento esquecer.


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Há Um Olhar Encantado

O teu olhar não mente
Que escondes segredos que estás já a cantar

E olhas simplesmente
Para nós, quais tencionas encantar

Olhos nos olhos já sabes que encontrarás

Meus olhos verdes teus amigos
Com que podes sempre contar

E tens mais olhos, e barriga
E mais sentidos sem sentido p’ra abraçar

E tu devoras e nem ligas: tens asas e voarás

A voz é tudo e tu és mundo
Que sem crer vais conquistar

Mas a amizade que em ti nutro
Mais nada quer do que o teu vibrante olhar.
Fútil: qué quisto quer dizer?

Percebi... Tantas coisas que eu queria nunca ver;
Percebi... Tudo. Ou nada? Vá-se lá saber;
Percebi... Ou não? Diz-me se acerto
Este aperto no meu peito
É ou... É o meu coração
Que sem guelras não consegue... E não aceito;

Que ele viva sem o sangue que lhe des-te
Porque é que o fizes-te?
Se não querias...
Hoje vivo porque entendo que não sou;
Que de nós o tempo, esse, já voou
E conheço já tuas doces fantasias;

E que não entendo... Nem percebo mesmo nada;
Uma coisa só já aprendi:
O tempo é uma questão
De saber ou não como o passar
E eu não passo sem esta lição
De novo repensar,
Matutar as letras que disso não passam;


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Valsa à Gina

E Gina, que gira e torna a girar
Nas voltas que o mundo ainda tem p’ra dar

E tomba, que volta e torna a cair
Nos teus braços rolo e rolo a sorrir

E fundo mergulho e nado sem ar
Nas águas profundas, fundas do meu mar

E nado, nas voltas, giras sem sentir
Que gira é a Gina do amor a fugir.


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Cem Sentidos

Não via nada,
Não por ter fechado os olhos
Ou por ter a janela fechada.

Estava preocupada,
Não por ter perdido os sonhos
Ou por não estar preparada.

Não vejo tudo,
Não por estar adormecido
Ou por não conhecer o mundo.

Agora estou mudo,
Não por não a ter ouvido
Ou por não conseguir ver o fundo.

Não verei o mar,
Não por já não o sentir
Ou por não saber nadar.


Sinto agora o ar,
Não por não saber subir
Ou por não saber voar.



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Encontro O Céu No Teu Mar

Dos teus olhos brotam pérolas cinzentas
Tão cinzentas, quase azuis feito Oceano
Um Oceano cheio de ondas violentas
Um mar azul quase cinzento, tão bonito

Nesse teu mar velejo e sonho encontrar
Caricias, beijos, ardente espuma do teu sal
Vou no meu barco pequenino a velejar
Nas ondas grandes violentas - nunca vens

Quero sorver teu mel, meu mar, doce ideal
Nas conchas serve o cheiro,... invento - dá-me mais
É teu o fel que já não sinto no meu cais
Invento as horas que dispenso... é meu mal

Meu doce fel que antes sonhava ser azul
Agora cinza, sem sorrir diz-me que amarga
E eu velejo, estou de volta, encontro o sul
Não nado já, nos olhos teus o sonho acaba.

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As Três (Des)Graças

Sonhei um dia que eram três

O Amor, o Ódio e a Beleza.

Ah! É verdade - Era uma vez...

Bem, o melhor é começar, concerteza

Pois é assim

A Beleza era gorda

Gorda quer se farta

E disse que me amava.

“ - Pois, sim!”

Pensei eu.

Depois disse, lá p’ró fim

“ - É verdade, eu não minto!”

E... mentiu?

Não sei.

“ - Eu sei” - disse o Ódio

E eu gostava do Ódio

Porque eu não o odiava.

Mas o pior é que não o amava

Pois sendo assim, era fácil

Depois do beijinho, eu casava

E nem sequer namorava.

“ - Não é preciso”

Disse de seguida

Quase para consigo

O Amor, que por acaso

Nem era nada de especial.

Mas bastou dar-lhe atenção

Pediu logo a minha mão

E disse que me amava.

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