Lista de Poemas

Vaidades

O vendo e amarelo por cima
Do chão de pedra compensada imperial.
Viva flor da noite, inerte,
Pálida, Kali disse amém para
A minha estrela no céu de janeiro.

Andei ocupado tocando nuvens
Até a planície mais ao sul.
Hoje, mais um dia cheio de qualquer coisa;
Continuo oprimindo meu tempo,
Embaixo da sombra do ipê,
Acima do pátio púrpura,
E entre eu e eu mesmo.

Não, não havia rio na cidade
Nem na que eu nasci
Nem na que eu vivi
Logo não havia bondade ou pensamento
Nos meus olhos cansados e quase mortos
Que por hoje estão apenas apartados, amém

E aí eu contei:
Não existem segredos entre mim e o mundo

Doente! Ai de mim que com essa moléstia nua,
De noite em noite padeço em tremedeira,
Beijo da fria névoa, que da triste e morta macieira
Flagela meu frágil corpo à sombra da pálida lua!

Mas que anjo é esse? Ó, ser abissal
Traz tu até mim um sofrimento colossal
E errante! Piedade! não sois doente, então
Livre essa gente deste mal, ó maldito vilão!

Queda d'água esvaecendo, minto
Cabeças rolando pelo asfalto seco
De quem, com cabeças vazias tardaram,
A implorar por uma onda contínua
Da supervida insistente, que persiste,
Em prolongadas horas de atividades orgânicas e descontroladas.
Eu vi santos e profetas miraculosos sendo esmagados
Até restar somente uma poça de sangue;
Eu vi o céu tornar-se nublado no exato momento
Em que ergueram as bandeiras.
Tragédia anunciada: no mesmo dia, eu vi
Um raio destroçar um lindo corpo de áiries no meio da rua.
Do centro do espelho eu vi meu corpo travestido de Falso Profeta
E, dois dias depois, me peguei falando como se fosse tudo verdade.
Eu senti o trágico papel da lágrima caindo e vi,
Durante um mui silencioso amanhecer,
Atores que não cansavam de fingir, ano pós ano,
Dia após dia,
Essa mesma repetição infrassenssível-sensorial.

Nas bordas de um papel sulfite, que que há?
Dados em profecia? Loucura? Presunção?
Ou apenas um ou dois ou três ou quatro unidades
De qualquer coisa?
Outras identidades me responderam:
"Sai do mato veiaco", eu, surdo e careca de saber
Respondi, calmo, "joguei com todas as minhas cartas,
Camarada.".
Eu só vou, viu? E só vou voltar, viu? Eu só vou viajar, viu? Eu só vou jogar, viu? Eu já volto, viu?
À glosa, é inevitável dizer: estamos vivos, ao gozo regozijo a minha vontade de gritar e continuar vivendo.
Hoje não, estou cansado

Ou eu desço ou eu subo não tem jeito de sair como dantes
Pontas na rua e o fim do ritmo
Bom nome para um livro.
A lua enveredou para trás do monastério;
Cético como um saci engarrafado,
De olho preso na sola do enquadramento pastel;
E que severa mancha na memória se desagarrou.
Estou perto de me sabotar, isso não está dando certo;
Sonho com poesia todas as noite, porém,
Não me deixam acordar e, tampouco
Lembrar da minha paixão.
Eu estava, estava mesmo, estava apaixonado.
Tudo estava em seu devido lugar, na miríade.
Mas o sonho, de fato, mostrou-se inconclusivo.
Então eu acordei. Mas que importa?
Vaidade, era tudo vaidade

Como uma princesa encantada
Esperando seu príncipe encantado
Voltar da galopada
Austero, empopado,
Com o mormaço atento, me vejo pela rua
Pegando a parca pena à sombra nua,
E que do pecado ao norte, fez-me envenenado
A tratar este céu como um pano bordado
Com o rosto de um vampiro,
Sugando este ar que respiro.
Sua tristeza por certo não é natural.
De fato não é essa sua pujança,
Que não sobrepõe alguma esperança
Sobre a inevitabilidade de se viver no mal!
Então eu percebi que tudo era igual,
E que não havia tempo para erguer-me para a verdade:
Daquele janela tudo aquilo que eu assistia era vaidade...
Há pessoas nessa casa, eu sei!
Pessoas vivas, pessoas mortas,
Sonhando, varrendo, chorando,
Pessoas correndo e passando devagar.
Limpas, sujas, pessoas que nos resumem a todos nós, eu e
Você, nós
Pobres, famintos e dissidentes do futuro.
É, é a mais pura verdade. Há gente nessa casa.

O que há com meu céu?
No meu inferno ele se espalhou, e
eu balancei, e balancei minha
cabeça, e balancei minha cabeça.
Os dias de atuação Eu ouvi meu
inferno Todas as noites e recebi
um suborno de algo grande, eu sou
um inferno, ou eu tive uma
demonstração Eram seus dias
falsos, mas eles foram tocados pelo
frio e pareciam ser os golpes 
usados nos dias falsos sob o
suborno em Imadaenya, os dias
falsos. Fui arranhado à noite e 
estava sozinho

Mas tinha uma garota loira, olhos azuis
Aonde? Pdm?
Eu acho que ela faz é nutri
É
É que doidera
É a vida
Então estamos de volta à casa
Subindo este pilar
Sem o meu camarada, ele dizia
É, ela nem existe mesmo

Hipnótico potente
Faz inflar o peito
Faz crescer o ego
Faz erguer o braço
Faz bater o carro
Faz abrir a perna
Faz descer a mão
Faz picar o braço
Faz tomar o gole
Faz acordar cedo
Faz matar o véio
Faz descer suave
Faz ficar travado
Faz comer a puta
Faz tomar o remédio
Faz ver papai noel
Faz picar tabaco
Faz rodar no mato
Faz botar o fogo
Faz chutar o prato
Faz cuspir nos outros
Faz cagar no chão
Faz vender a alma
Faz imaginar o eros
Faz virar o outro
Faz dizer o sim
Senhor, sim senhor, sim sim, sim senhor senhor senhor senhor sim sim sim sem problemas senhor sim senhor era sim vaidade senhor, era tudo vaidade

Ah, o Sol está queimando a minha cabeça!
Será que algum dia ele irá deitar-se e gozar de um sono eterno?
É da noite que eu preciso.
Em posições perigosas, em três lances eles conseguem o arremate.
Não acredito que eu caí nessa.
Para de dar voltas. Só quero ir direto ao ponto
Mas faço disso um ponto de virada

Contentar-se com o pouco
E viver à sombra do Louco,
Como num passo de um segundo,
No qual se ergue a alma do Mundo;
Onde piscam por alguns instantes
As incontáveis perdas dos Amantes.
Tolo! Lascivo! conte estrelas à sua própria sorte,
Mova-se, não espere sentado o beijo da Morte,
Haja vista, não tardará vosso Julgamento
Nem a fúria ardente nesse peito escapará desse tormento.
Resolução do tempo, não tardo, entrego, mas, ainda assim
Não adianta, demasiado atarefado e indigno até
De me mostrar. Adiante eu recebo. Para lá,
Eu já não tenho mais
Silêncio.

Ai! chegou a noite, chegou meu Deus, e agora?!
Ali vem vindo a sombra de tudo, e nada
Dela perguntar o que eu penso sobre isso.
Afinal de contas, não era o meu espírito
Tão vaidoso quanto meu coração?
À luz da lua, é temporada de caça.
Sujas ruas cuspidas, oh incautos malfeitos
Que poluem, infames!, o corolário: Idólatras e vaidosos!
Eis o que lhes aguarda:
Meu som e a minha fúria. Perdão,
Isso já foi dito antes. Aconteceu foi que
Eu bebi e violei o chão com pus e sangue.

Ai Senhor, guiai!, guiai a minha mão
E não me deixe errar. O caminho à minha frente
Leva a Ti, Senhor, guiai!
Guiai a minha mão e não me faça
Errar a escrita.
No baricentro ou melhor, na tangente, ou
Sei lá o que, enfim, o exposto do monstro
Saindo do mar
E destruindo o mundo.

Os poucos falando o português não interpretam a vontade:
Ai minha nossa! Que desperdício de tempo foi lê-los em inglês!
Do luso ao africano, todos eles foram deuses
Em matar o tempo, Deus meu, o tempo!
Jesus Homem: meu deus, porquê me abandonastes?!
Jesus Deus: eis aqui o pão do Céu.
Eu vivo estou morrendo pouco a pouco eu,
Me perdendo no limite e então eu
Paro e continuo e não percebo
A linha tênue caminhando, pouco a pouco,
E venho me encontrando.
A verdade: eu sou um homem e é,
Sinto a alma do mundo no encontro do vazio com o pensamento.
De lá não vejo nenhum valor,
Nenhuma memória.
Apenas a transgressão, a morte da ação de Todos.

Acordando nessa torrente colérica de sensações,
O misto do alegre: o vivo e do triste:
Até um oto dia.
Já o é, mas não me escolheram, então eu vou embora.
Vou fumar na casa ao lado.
Pensando bem,
Melhor não. À frente está o anjo do desejo,
Navegante do deserto, cavaleiro de boas almas.
O homem, que esquecido, fê-lo adiante
Pela estrada, até o largo do rio,
Foi deixando pelo caminho um verso de barro
Que é para a gente normal entender,
Rir
E
Compartilhar

Bom, eu não tenho um, tampouco é minha pretensão de encontrar.
A trilha para o Jesus é estreita e traiçoeira,
Faz-me questionar se vale a pena subir, mas já sei:
Na metade eu arrebentei o meu joelho.

Dizem; os enforcados todos eles em dado momento
Parecem dançar: contorcem-se e tentam livrar-se do nó.
"Um espasmo natural, de certo!.", bradou o entendido no assunto,
Ele, que vê o mundo como dizem como é.
Mas, Eu, faço pouco dessa fala e atento "Não é verdade,
O enforcado, ao dançar, quer é fugir dos demônios do inferno,
Que sedentos pela alma, e invisíveis para nós, os lúcidos, agarram suas pernas!". Eu,
Que sou o Poeta, não vejo o mundo tal como o tal esclarecido:
Eu vejo o mundo como Ele é!

O tempo trouxe até a esquina
Uma certa voz dessemelhante, 
Das tais fábulas adversas, incontáveis fantasias
Perceba, a estátua mal move,
Mas a sombra cresce todos os dias.

Vaidades:
Considerem o homem, que dá janela vê o mundo.
Considerem o sabor na maresia em seus lábios
Secos, rachados, feridos. O flúor na água
Continua intangível.

Observem o oposto da folha:
Estaria ela riscada? Ou ainda branca?
Ou solta e seca tal qual
Aquela boca que beija?

Observem essa gente que vai passando.
Estariam todos conjugados com a terra?
Ou ainda lúcidos? Talvez, mas ainda
Está cedo para levantar da cama.

Tudo havia sido feito.
O lastimável sorriso se encontra alhures no tempo.
A dança já fora dançada pelo meu pai e avô.
Para hoje, resta-me apenas o dever de cuidá-la

Porém, a vela que acendi está demasiada gasta,
As paredes estão rachadas e desmoronam;
Do chão emerge o rio,
E o rio conduz os corpos ao esquecimento.

E foi embora, como tudo haverá de ir algum dia,
Todavia, perder não constava em meu semblante.
Sentir o perfume da chuva, cai, cai o rochedo
No mar, e o mar, senti esse perfume, semelhantes foram
As voltas e lembretes, não fugai, estava tudo intocado.
Não sinto. Fujo, mas quero novamente
Augusto, um beijo, encontrei um patamar:
Não há o fim, é a lembrança!
Voa, barba branca, até o palácio das areias,
Voltaste com notícias? Não esperava!
Aqui está, novamente, a memória antes esquecida:
Eis as nuvens no céu, eis as estrelas me olhando!
Através de um contato celestial, minha estrela,
Dessemelhança arcaica. Pensei:
Ora, já não está tarde para voltar nisso?
Se eu vivesse no presente
E não no passado,
Talvez eu compreendesse que o meu futuro
Está adiante, aquém de tudo isso.

Eu abro os braços para a Cidade dos Mil Ângulos,
Lugar onde não sou bem-vindo.
Mantenho um Cristo acima dos meus olhos
Para proteger o meu Sonho e
Assegurar que eu me mantenha na mesma estância.

Encontro da natureza com a luz dos homens:
Esta está danada a desmoronar.
Sete povos encontrando
Paz na terra e amor no céu.
Livre salto indecoroso, medalha permanente.

Leite sondado de álcoois indiferentes
Da visão do mar azul.
Bebê-lo-íamos sim, com toda graça e majestade.
Vivê-lo-íamos, sim, mil anos de potestade.

Astrossantos divididos em Alfa-Centauri,
Os cantos acordam em uma quinta-feira
De junho, um anel de prata é irrelevante
Para a boca, ó, vampira de almas!

Dissonando, dissonando, até o fim,
Crescendo-me os poucos amarelos-Sol, no dia
Amanhecido e apaixonado, do lado esquerdo do peito.

Encontram-se quase indiferentes,
Coluna cervical e rocha seca.

Um tetragrama maldesenhado
Ceceia o invento de Jorge de Lima.

Tudo fez parte da criação,
Tão somente os peregrinos foscos e

Espaçamentos vorazes de céu e mar,
Congelando o coração do colibri.

Em meio à rosa de negra face
Tu, ó enfant terrible, me renasce

Num novo tempo, abalroado
Com o cheiro dos deuses dançantes,

Junto à Lua Nova, encobrindo
De negro, à sombra, esse Sol

De um povo mui antigo.
"O navegante atordoado, remando, encontra

"Toscas formas pelo largo da baía celeste.
"Ó pobres funestos, parem de me chamar!"

Não, não era nada. A fonte
Queimou,

O sangue, bela bebida a quem vós
Me oferecestes, travou coagulado

Adjunto ao litoral. Termina por aqui
O fim, de novo, amanhecido.

Ei-los, em busca, miseráveis,
De tudo em todos; intocáveis
Céus, terras e mares.
Perfume das flores pelos ares

Partido e feitos, chorando,
Carregados de mi, tolos, rastejando
De todos, para tudo: intocáveis,
Da terra, em busca, miseráveis!

Navegantes cientes por todos os ares
E cidades voando em insípidos mares,
Partilham em meio ao verme, rastejando,
O triste corpo da criança, chorando.

Dimensão: em posto, então, fora arrancado
Do perto rijo, o sonho, pois, tal atacado
Nas tristes verdes formas inconstantes;
Em lindas verdes formas flamejantes.

Contudo posta a fúria, era então a vaidade
Do peito aberto envolto em pura maldade:
Verdes, nas formas lindas, inconstantes!
Formas, tristes, em verdes flamejantes,

Puro ser! Oh memória querida!
Oh despojo da alma, recanto celeste,
Que vindo e passando, tens pena de mim?
Tens pena de mim, oh, ser adulante?!
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Excerto

Hipnótico potente
Faz inflar o peito
Faz crescer o ego
Faz erguer o braço
Faz bater o carro
Faz abrir a perna
Faz descer a mão
Faz picar o braço
Faz tomar o gole
Faz acordar cedo
Faz matar o véio
Faz descer suave
Faz ficar travado
Faz comer a puta
Faz tomar o remédio
Faz ver papai noel
Faz picar tabaco
Faz rodar no mato
Faz botar o fogo
Faz chutar o prato
Faz cuspir nos outros
Faz cagar no chão
Faz vender a alma
Faz imaginar o eros
Faz virar o outro
Faz dizer o sim
Senhor, sim senhor, sim sim, sim senhor senhor senhor senhor sim sim sim sem problemas senhor sim senhor era sim vaidade senhor, era tudo vaidade
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A valsa do tempo

Não há pretexto para julgar, ademais,
Os necessários e até então chamados
Indeferidos desgastes do corpo
E da alma: tudo se mostra assaz importante.
O que passa para lá jamais volta,
E aquilo que fica jamais passa:
De modo que a experiência se torna inconclusiva
Se o pensamento permanece imutável.
Tantos caminhos a serem percorridos, porém,
Todos estão envoltos por um nevoeiro que,
Pormenorizado, só faz desviar a vontade
Para ruas sem saída.
Não me foi dada a opção de transformar a pedra em pão.
Logo, nada posso fazer se já escolheram para mim
O rei entre os Homens.
As nuvens vêm e com elas a chuva, que depois passa e
Dá lugar ao Sol, que depois passa e
Dá lugar à Lua, que depois passa e
Dá lugar a um novo dia, e assim é feito
Até que a morte nos separe: o corpo cai,
A terra traga, o sangue ferve e continua a correr
O rio da sua aldeia, de modo que não há
Mais novo elemento nessa valsa do tempo e de crenças
Futuras a passadas, até estarmos, inevitavelmente,
Defronte com o fim.
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Imóvel

Que da imagem fez-te pronta:
São mil nulidades o que te exaltam.
E do verbo, que me resta a não ser insistir?
Quiçá viver em um pôr-do-sol tuberculoso,
Ou em ondas do mar que trazem, miraculosas,
A oração egrégia livre da sintaxe que fora pressuposta
A acabar de vez com o pensamento:
À sua imagem e semelhança.
Debalde é a esperança de se realizar a vontade;
O mundo jaz no maligno.
E eu, eu continuo imóvel.
Imóvel, meu Deus, imóvel...
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O afogado

Esqueça, esqueça, já é tarde, ou melhor,
Ficou tarde: Não olhe para a lua:
Cingir-lhes de preto e branco para depois
Atestar loucura desmedida, em paz.
O mar da minha janela e o Jesus postos invisíveis,
E meus olhos perdendo latitude; passam os anos,
Passam as cores: eu só enxergo o azul-claro em verticais horrores.
A máquina por pouco me atinge.
Parando para pensar, atingiu: tal evento jamais se esvaziou
Da minha memória.
Ah, o Azul me fascina, é verdade.
Talvez eu esteja devendo algo à Ele; talvez eu deveria
Simplesmente entregá-lo a razão fundamental
Que me mantém de pé: o ar dos meus pulmões
Em um abismo preto e branco                         Oh, a luz....
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A canção de amor de Policarpo

Devagar e solene e constante, rasas pinceladas
O solo intangível, parca proteína,
Da água suja fiz o sal, o verde, o vermelho
E do alto da montanha cuspi o azul.

Ascendi o carvão, denotei a queda da prata
E disse, flamejante, à quem interessar,
o meu nome é um grito na rua,
Possa andar calmamente pelo estuário.

Faço o Tejo em parca linha
Para que outros tenham a mais-vontade
De contá-lo ao povo em outras linhas
Mais bonitas do que estas.

Misto que sy o, é asy, não:
É o que? Não sei, asy? Asy:
Sept okrok kek kek koáx kururu,
O sapo, a rã a salamandra no ovo.

A partida dos yagaru posto que a naue gaçom:
Hy un tempo forte onde alguüs abá
Snhvam que xe r-apé kukuî;
Asy seguj o curso do ty.

Xe r-akub, asy como essa terra noua.
Na bespera fezemos asab o tyîasy,
Para mor dêpick ityk o capitam
Que ëfim tra tou de nos seguij.

Eis aqui vosso santo nome,
O filho d'êndy está entre nós
Em um grito kyririm chegou até àmana
Efim a guatá q ouuemos

Pyryk, tyryk, sykyîé, asy virã vijr;
Alguűs deles se forã meter a belé
Como aues: katu mba'e moendy.
T-atá os fez oje tambem.

Byr entã emeryto eflluyo
Partij portanto pós a parva preça
A alma aíb apek asé
Devotei-lhes de vontade, enfim,
Servos da verdade, cansados, enfim,
Beijei-os nos lábios, fiz mais que moendy, enfim,
Tratei-os como meus, amei-os, enfim
Deixei-os dauerme lhados e de boõs rostros, enfim,
Cantei-lhes a jnocemçia e fim.
👁️ 282

O Edifício

Caminho entre as pedras de um solo compensado
Passando a ponte o que encontro é um sapo amassado.
E mais ali, adiante, uma passarela e o sol quente;
Vejo uma casa cheia de gente.
Encontro andando um pouco mais para cima
Uma echarpe vermelha e cheia de rima.
Mas deixo-a no canto, preciso subir ainda mais
Pois no meio já é difícil manter a respiração
E o caminho se estende para além do coração.
Se acabo me atrasando no meu passo,
Eis à minha direita, bruxas em meu encalço!
Para fugir me resta guinar à esquerda e
Rezar para me esquecerem, e fundamentar
Essa minha passagem vulgar.
Ainda na direita moram canibais violentos,
Que quando famintos tornam-se barulhentos:
Querem atrair a carne que Deus lhes negou em demasia.
Então, lembro-me do que o Profeta dizia:
"Descanse a mão no parapeito e veja a rua.
Olhe para os caminhos talhados em rocha crua.
Esqueça o som que vem do galinheiro,
O som do céu ecoa o ano inteiro!
Mas saiba que não ouvirá nada lá do fundo,
Subir este caminho é a razão que fez o mundo!"

Indeferidos desgastes da alma, descendo
Doidos exigem vingança
Eu determino o léxico hierônimo, subindo
Que eu vejo no céu, que vejo?
É o desejo, partes familiares, a raiz
De um a três, respiração basculante
Não tenho ciência, descendo
Eméritos contrastes fluindo, subindo
Cães peregrinos do partido tísico, descendo
Vetor inerte de Kali, deus em seu coração, subindo
Não vejo nulidades, apenas simpatia cadavérica
Sapo subindo, olhando para cima, o que viu?
Não foi o escopo celestial, mas
A bota que o destruiu.
A roda dos autos, aparato mecânico, descendo
O pó de ébano, subindo
Água de bica escorrendo, ponte de madeira sobre o riacho e depois
O séquito fúnebre do menino afogado, descendo
Para o jantar à beira do lago
Onde o sol marca-lhe o rosto, subindo
Velhos amigos subindo, outros,
Tão novos, descendo
Pergunto que está fazendo?
Traçando o obstinado caminho
Mas me diga, foi eu que me tornei telúrico
Ou foi o sonho que se firmou inconclusivo?
Ademais, futuro, lembra-te do nome:
Abril rasteja na minha memória e
Às terças faço-me de iogue e
Sinta-se em casa, subindo e
Preparei-lhe um ótimo jantar: camarões, ostras lagostas e
Um enxame de vespas vem ai e
Puídos e sujos é lamentável ver isso nesse estado e na minha frente e

é engano doutor eu não estou doente
não estou, não estou, não estou
loucos? diziam: dê-me a tez do dinheiro
eu não quero dinheiro, eu rasgo dinheiro
e não é por isso que eu sou louco
Ah... a chuva vem vindo, vem vindo, vem vindo
E com ela o dínamo, atrás, subindo
Antelogo que o tempovoe; face trajando puro para o noroeste
E pago pecados à Deus, até ali atrás, adeus, pago pedaços...

Todos caminhos levam ao mesmo lugar, subindo
E eu não subo mais este pilar
Ir à casa de Madame Outono
Está fora de cogitação.
Grito, estou ótimo, disfarço o hálito,
Olho para o céu e uivo feito um cão
E penso em contar a história sem Eu,
Mas falho desde o primeiro fio de cabelo.
Não posso mais fazer parte disto.
Queiras vós ficar deitado, de olho no teto
Enquanto Madame Outono faz contigo
Aquilo que bem entender.
Desisto, por fim, o mundo é inquieto!
Nunca vou me acostumar com tal constatação.
Não me importa o tempo.
Que é o amanhã, se é hoje o momento da dúvida?
Que é o ontem, se é agora a hora da morte?
A história do tempo faz tanto sentido quanto
A história do Eu: findados no primeiro fio de barba!
Atrás da linha do trem vem a dose diária de ópio,
Finda a tarde e mato as moscas no meu quarto,
Acendo velas e incensos para Madame Outono, e, por fim,
Deito no catre pensando morrer
Mas para fins de efeito,
Dormir é mais que necessário,
Porém nunca suficiente.

Pego nessa estagnação artificial, não penso sair
Não penso pensar, penso irrestrito, mas não consciente.
Da mesma forma que o afogado não pede
Outra dose de água salgada,
Eu não peço sentido, não peço razão.
Se os iguais, por iguais, se fazem além,
Para o além vão as almas partindo
Porém, caindo, se faz um alguém
Que no caminho acabou se perdendo:
Meu corpo, aparente, se fez, descendo;
Minha alma, máquina, se faz, subindo.
👁️ 263

odeio sonetos

Se quiseres rimar, aprendas com o mundo.
Não gaste vosso léxico com sujeiras!
Imagine, imagens tão verdadeiras
Passando o infinito em um segundo!

Queres acreditar neste vagabundo,
Que continua pelas noites inteiras,
Lembrando das inúteis e vis caveiras,
Das razões mortais deste solo imundo?

Então, seja da forma que melhor convém.
Não queiras agradar o verso, pois ninguém
Pode testemunhar tamanha beleza!

Não viverei enquanto esse caos existir;
Essas roupas de rima não irei vestir;
É o mundo que sabe da minha tristeza!
👁️ 291

Eu sou o que sou

Eu sou o que sou
Quando olho no espelho
E vejo a face que vi durante
Toda a minha vida, ou seja,
Eu vejo a dúvida eterna
Metamorfoseada na minha face humana.

Mas, e se um dia, por acaso, eu olhar através desse espelho e ver,
Inevitavelmente, aquilo que se vê
Quando se olha um pouco mais,
Aquilo que se encontra adiante, 
Além do reflexo, além dos meus olhos?
A partir daí,
Seria eu o que eu sou, ou seria eu algo mais?

Eu sou o que sou, pois ainda reconheço o reflexo,
Ou por que eu ainda não fui capaz de ver este adiante?

E se um dia eu ver o adiante? Seria eu, de fato, algo mais,
Ou eu não seria mais nada?

Eu não serei mais nada
No dia em que a dúvida cessar, pois,
Eu sou o que sou
Quando olho no espelho
E vejo a face que vi durante
Toda a minha vida, ou seja,
Eu vejo a dúvida eterna
Metamorfoseada na minha face humana.

Então, se hoje eu sei que
Eu sou o que sou,
Então não me resta mais nenhuma dúvida,
Logo, eu já não sou mais nada.
👁️ 166

De olhos abertos

Abri a porta.
Ganhei a rua.
Desci um pouco.
Voltei.
Tranquei a porta.
Três, quatro,
cinco vezes.
Se eu vivesse no presente,
E não no passado, eu teria
Com toda certeza do mundo,
Deixado a porta destrancada.
Mas, como se já não bastasse
Toda essa caminhada morro abaixo,
Me parece que essa última vez que eu pisquei,
Foi, na verdade, a primeira vez que abri os olhos.
Eu subo a rua.
Destranco a porta,
E tranco de novo.
Nove, dez,
Vinte vezes.
👁️ 170

Comentários (3)

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wilson1970
2020-09-23

Parabéns pela tua poesia !

thaisftnl
2020-04-09

Gostei muito da sua escrita, magnífico!

petit_bateaux
2019-10-28

voce eh fera dms, vamos ser amigos ?