Lista de Poemas
castanheira
quando eu tinha seis anos me disseram
que uma vez, quando eu morresse
talvez eu voltaria em algum outro corpo
então eu fiquei desesperado
com a simples ideia
de passar a eternidade
contemplando a minha própria existência
que uma vez, quando eu morresse
talvez eu voltaria em algum outro corpo
então eu fiquei desesperado
com a simples ideia
de passar a eternidade
contemplando a minha própria existência
👁️ 488
miserável terra que chora
era o tempo quando eu olhava o mar
da quarta grade da gaiola,
que eu era, de fato, pura e genuinamente feliz
no tempo em que eu acreditava em amor
meu Deus, faz-me este milagre
pois quero acreditar em qualquer coisa para me livrar
da inocência desse mundo.
o sol posto em poente ao meio dia
escurece meus olhos quando olho o olho do céu
uma tísica moléstia pegou meu coração
roto de maldade, está mais pesado
que o operador da balança; jamais, protesto, jamais
café frio? escute, joga na pia, a estante caiu? então levanta
quem é você? sou uma mulher, antes fosse lua pálida no céu
canto de sirenas dentro da pia, apaga-te, apaga-te ágape de fogo
e houve luta, assim disseram, até demais
vendo-me no espelho, vejo um corpo fraco e suscetível, porém
até lá, vou caminhado pelos meridianos fazendo o sinal da cruz
me dê papel e caneta, preciso escrever!
não mato, não morro
não vivo de novo
não choro não sangro
não fico sozinho
não finjo solenidade ou simples preocupação
não canto não grito
não ignoro esta parede babilônica
bem na minha frente, graças a Deus, e anos antes também
nimrode passeando
nu na avenida champs-élysées
na miserável terra que chora,
em campos elucidados de razão sem fim,
se fez o tudo e o todos
e todos titãs passeavam na alameda san rafael
e marcavam de se encontrar no passeio público
para fumar com todos os santos e depois
tomar uma xícara de café.
enquanto francesas solícitas serviam o imperador,
floresciam todas as flores na tarde derrocada;
que postas, então, em fortuna intocada
juntamente com a sombra da alma amada,
e o grito de uma mulher desesperada,
ouviram o brado retumbante e aclamador
vindo de uma boca una e santificada
anunciando outra vez uma história inacabada,
a inefável voz de Cristo redentor
da quarta grade da gaiola,
que eu era, de fato, pura e genuinamente feliz
no tempo em que eu acreditava em amor
meu Deus, faz-me este milagre
pois quero acreditar em qualquer coisa para me livrar
da inocência desse mundo.
o sol posto em poente ao meio dia
escurece meus olhos quando olho o olho do céu
uma tísica moléstia pegou meu coração
roto de maldade, está mais pesado
que o operador da balança; jamais, protesto, jamais
café frio? escute, joga na pia, a estante caiu? então levanta
quem é você? sou uma mulher, antes fosse lua pálida no céu
canto de sirenas dentro da pia, apaga-te, apaga-te ágape de fogo
e houve luta, assim disseram, até demais
vendo-me no espelho, vejo um corpo fraco e suscetível, porém
até lá, vou caminhado pelos meridianos fazendo o sinal da cruz
me dê papel e caneta, preciso escrever!
não mato, não morro
não vivo de novo
não choro não sangro
não fico sozinho
não finjo solenidade ou simples preocupação
não canto não grito
não ignoro esta parede babilônica
bem na minha frente, graças a Deus, e anos antes também
nimrode passeando
nu na avenida champs-élysées
na miserável terra que chora,
em campos elucidados de razão sem fim,
se fez o tudo e o todos
e todos titãs passeavam na alameda san rafael
e marcavam de se encontrar no passeio público
para fumar com todos os santos e depois
tomar uma xícara de café.
enquanto francesas solícitas serviam o imperador,
floresciam todas as flores na tarde derrocada;
que postas, então, em fortuna intocada
juntamente com a sombra da alma amada,
e o grito de uma mulher desesperada,
ouviram o brado retumbante e aclamador
vindo de uma boca una e santificada
anunciando outra vez uma história inacabada,
a inefável voz de Cristo redentor
👁️ 505
Velhos tempos, mesmo novo mundo
I
nas falácias refugio-me, eis um começo
trabalhar nas letras talvez, palavras que esqueço
cantigas e mentiras sustentam o fato e a razão
mas são versos como estes que dominam o coração
cantar então uma história inacabada
com quadros incertos, falha derrocada
para então (só então) a memória aturdir
e louvar os pecados do tempo que está por vir
ademais, passado, esquece meu nome
longe da razão, aqueles mortos de fome
mortos de azar, perderam sua história
e rastejam no chão, a mais pura escória
as águas do outono são as asas de saturno
tão belas, tão virgens, lembram o céu noturno
pois este, que mesmo calado, me atormenta
nesses anos que passam, e já foram quarenta
paz, Senhor, é o que eu quero para mim
pois não vivi o amor, e é agora, no fim
onde mais percebo a voz que me encanta
junto do delírio, que dela, me espanta
pois então, foi-se a minha juventude
fontes interminável de néscia atitude
para os que ficam, em breve virá o adeus
mas para os mortos, lascivos, continuarão amigos meus
II
digo adeus às faces, pois elas não entendem
já as novas verdades não me surpreendem
sei que a tentativa não é mais necessária
e deu um jeito ou de outro a vida continua precária
respiro a cada passo, e sei, que em vão
todos os dias, caminhando em solidão
jamais chegarei ao meu destino final
a lua contrasta, me leva para o mal
por que, pergunto, qual a razão indivisível
de viver por aqui, sendo invisível
e além das palavras, viver em um lugar
sem a sombra do caminho que vou trilhar
fico cansado, vivo com medo, e talvez
experimento alguns infortúnios com sensatez
nas coisas que me levam até o mar
quero viver em mentiras, posto a sonhar
paz, Senhor, é o que desejo para o fim
pois é nesse mundo ruim
que minhas palavras alentas
transformam-se em tormentas
será o fim desta terra voraz
os púlpitos de um destino fugaz
é nesse cenário tão triste e sem perdão
que cairei morto na poeira, no chão
nas falácias refugio-me, eis um começo
trabalhar nas letras talvez, palavras que esqueço
cantigas e mentiras sustentam o fato e a razão
mas são versos como estes que dominam o coração
cantar então uma história inacabada
com quadros incertos, falha derrocada
para então (só então) a memória aturdir
e louvar os pecados do tempo que está por vir
ademais, passado, esquece meu nome
longe da razão, aqueles mortos de fome
mortos de azar, perderam sua história
e rastejam no chão, a mais pura escória
as águas do outono são as asas de saturno
tão belas, tão virgens, lembram o céu noturno
pois este, que mesmo calado, me atormenta
nesses anos que passam, e já foram quarenta
paz, Senhor, é o que eu quero para mim
pois não vivi o amor, e é agora, no fim
onde mais percebo a voz que me encanta
junto do delírio, que dela, me espanta
pois então, foi-se a minha juventude
fontes interminável de néscia atitude
para os que ficam, em breve virá o adeus
mas para os mortos, lascivos, continuarão amigos meus
II
digo adeus às faces, pois elas não entendem
já as novas verdades não me surpreendem
sei que a tentativa não é mais necessária
e deu um jeito ou de outro a vida continua precária
respiro a cada passo, e sei, que em vão
todos os dias, caminhando em solidão
jamais chegarei ao meu destino final
a lua contrasta, me leva para o mal
por que, pergunto, qual a razão indivisível
de viver por aqui, sendo invisível
e além das palavras, viver em um lugar
sem a sombra do caminho que vou trilhar
fico cansado, vivo com medo, e talvez
experimento alguns infortúnios com sensatez
nas coisas que me levam até o mar
quero viver em mentiras, posto a sonhar
paz, Senhor, é o que desejo para o fim
pois é nesse mundo ruim
que minhas palavras alentas
transformam-se em tormentas
será o fim desta terra voraz
os púlpitos de um destino fugaz
é nesse cenário tão triste e sem perdão
que cairei morto na poeira, no chão
👁️ 487
Um corpo que vai
Quando eu passo para lá, as pessoas de aquém
Perguntam, extasiadas, o meu nome, quem eu sou
Por que a minha pressa, para onde é que eu vou
Mas para os que choram também, respondo que sou ninguém
Flâmulas negras hasteadas no céu estralado
Trazem nuvens carregadas de embriaguez
Para as quiméricas noites repletas de sensatez
Pouparem-me do terror de ser julgado
Ainda que em boa hora a maré venha a subir
A água doce que cai do céu se exalta
E as taças de vinho sentem a minha falta
Mesmo que eu não tenha algum lugar para ir
Chorar do lado de cá não trará nenhuma lembrança
Talvez, partindo para lá, minh'alma encontre esperança
Perguntam, extasiadas, o meu nome, quem eu sou
Por que a minha pressa, para onde é que eu vou
Mas para os que choram também, respondo que sou ninguém
Flâmulas negras hasteadas no céu estralado
Trazem nuvens carregadas de embriaguez
Para as quiméricas noites repletas de sensatez
Pouparem-me do terror de ser julgado
Ainda que em boa hora a maré venha a subir
A água doce que cai do céu se exalta
E as taças de vinho sentem a minha falta
Mesmo que eu não tenha algum lugar para ir
Chorar do lado de cá não trará nenhuma lembrança
Talvez, partindo para lá, minh'alma encontre esperança
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Carta que eu escrevi um dia e nunca enviei
Quando eu entrei no reino de Morfeu,
Jamais, como pude pensar, jamais imaginaria,
Os impactos oníricos que testemunharia
Alguém tão descrente e néscio como eu!
Caladas foram as horas que passei;
Também, pensei, não pude, com razão,
Eliminar as tristezas do coração,
Nem as lágrimas que um dia gastei!
Por que eu sou refém, Senhor,
Destes sonhos sem esplendor?
Talvez a verdade eu nunca conheça!
Mas seu, que antes que amanheça,
Irei, mais uma vez, ficar à mercê
De uma miríade onírica de você!
Jamais, como pude pensar, jamais imaginaria,
Os impactos oníricos que testemunharia
Alguém tão descrente e néscio como eu!
Caladas foram as horas que passei;
Também, pensei, não pude, com razão,
Eliminar as tristezas do coração,
Nem as lágrimas que um dia gastei!
Por que eu sou refém, Senhor,
Destes sonhos sem esplendor?
Talvez a verdade eu nunca conheça!
Mas seu, que antes que amanheça,
Irei, mais uma vez, ficar à mercê
De uma miríade onírica de você!
👁️ 419
Ironia
Não gastarei mais lágrimas com você
Já gastei meu sangue, meu ódio
Mas não gasto mais meu choro
Nem minha memória
Não vou gastar rimas
Nem métrica
Versos
Pontos ou vírgulas
Não vou gastar meu português
Não vou usar palavras bonitas
Nem adjetivos
Para te descrever
Meu penar, a tristeza
E a saudade que eu sinto
De você!
Você não merece...
Já gastei meu sangue, meu ódio
Mas não gasto mais meu choro
Nem minha memória
Não vou gastar rimas
Nem métrica
Versos
Pontos ou vírgulas
Não vou gastar meu português
Não vou usar palavras bonitas
Nem adjetivos
Para te descrever
Meu penar, a tristeza
E a saudade que eu sinto
De você!
Você não merece...
👁️ 550
Imagens
Ei-los, em busca, miseráveis,
De tudo em todos; intocáveis
Céus, terras e mares.
Perfume das flores pelos ares
Partido e feito, chorando,
Carregados de mi, tolos, rastejando
De todos, para tudo: intocáveis,
Da terra, em busca, miseráveis!
Navegantes cientes por todos os ares
E cidades voando em insípidos mares,
Partilham em meio ao verme, rastejando,
O triste corpo da criança, chorando.
Dimensão: em posto, então, fora arrancado
Do peito rijo, o sonho, pois, tal atacado
Nas tristes verdes formas inconstantes;
Em lindas verdes formas flamejantes.
Contudo posta a fúria, era então a vaidade
Do peito aberto envolto em pura maldade:
Verdes, nas formas, lindas, inconstantes!
Formas, tristes, em verdes flamejantes;
Puro ser! Oh memória querida!
Oh despojo da alma, recanto celeste,
Que vindo e passando, tens pena de mim?
Tens pena de mim, oh, ser adulante?!
👁️ 463
A fênix
Oh, minha fênix; fênix milagrosa!
Que da luz daquele archote,
Desviou-se deste caminho brichote,
E das cinzas ergueu-se assim formosa!
De tão novo assim, tem o tempo lhe incomodado?
Voe! A cinza no catre de um tuberculoso,
Faz-te tomar distância desse ninho maculoso,
Assim que o fogo lhe tenha apartado!
Mas, Oh! Não navegues por ares tão distantes:
A saudade que deixas, fica, como era dantes
De renascer neste trono tão sagaz!
Oh, minha fênix, por que ficastes para trás?
Foi essa imagem esplendorosa, que de tão linda,
Que te faz não decidir voar ainda?
Que da luz daquele archote,
Desviou-se deste caminho brichote,
E das cinzas ergueu-se assim formosa!
De tão novo assim, tem o tempo lhe incomodado?
Voe! A cinza no catre de um tuberculoso,
Faz-te tomar distância desse ninho maculoso,
Assim que o fogo lhe tenha apartado!
Mas, Oh! Não navegues por ares tão distantes:
A saudade que deixas, fica, como era dantes
De renascer neste trono tão sagaz!
Oh, minha fênix, por que ficastes para trás?
Foi essa imagem esplendorosa, que de tão linda,
Que te faz não decidir voar ainda?
👁️ 461
ipê
Pobres que Circe implode. Som
Que risível é o prazer
Mas que pena tenho eu que sentir
Pena que anjo? eu tenho nojo. Anjo
Do alto rampampam eu te acompanho tss tss
Oh Marília eu quem sou eu? O
Bom pastor Dirceu, a quem a graça vós trouxeste
À pura alma de Glauceste, o tiquetaque do relógio
Meia-noite à Cronos estais em mãos, entregue
Ao pai, que estão perdidos em matas e rodovias
Voltar marcado e flagelado não faz surgir nada
De novo sob o Sol, palavra do Snõr
Graças aos seus, além, mar de utopia e sonhos cansativos
Haja tempo antes que se faça a hora
Outro dia, mas que interno vou pular
E treinava o sorriso no espelho o senhor Bloom
A poucos passos do seu grande dia, pela sua dolorosa paixão
Me diga aonde foi que eu errei, e nada, realmente
Me surpreende mais.
Que risível é o prazer
Mas que pena tenho eu que sentir
Pena que anjo? eu tenho nojo. Anjo
Do alto rampampam eu te acompanho tss tss
Oh Marília eu quem sou eu? O
Bom pastor Dirceu, a quem a graça vós trouxeste
À pura alma de Glauceste, o tiquetaque do relógio
Meia-noite à Cronos estais em mãos, entregue
Ao pai, que estão perdidos em matas e rodovias
Voltar marcado e flagelado não faz surgir nada
De novo sob o Sol, palavra do Snõr
Graças aos seus, além, mar de utopia e sonhos cansativos
Haja tempo antes que se faça a hora
Outro dia, mas que interno vou pular
E treinava o sorriso no espelho o senhor Bloom
A poucos passos do seu grande dia, pela sua dolorosa paixão
Me diga aonde foi que eu errei, e nada, realmente
Me surpreende mais.
👁️ 481
A vida pelo espelho
Eu vejo a vida em olhos cheios de lágrimas
Refletidos em um espelho.
Não gosto da vida; maltrato-a sempre que posso.
Em minhas mãos o florescer torna-se tedioso
E o pôr-do-sol me deixa cansado.
É isso, estou cansado e não gosto da vida,
Da vida nas ruas
Da vida nas casas
Da vida nas línguas
Da vida nos cabelos
Nas cinzas do fogo que queima, na água que corre, no vento que grita, na terra que chora
Da vida na terra meu Deus, até disso me canso, me canso
De coisas que não me atingem,
De coisas que não vejo, e estas são a maioria.
Essa arte de ver o mundo pelo espelho
Manteve-me distante de abcessos, é verdade,
Mas também me tornou este cansado e tedioso que sou.
Faria bem eu em estilhaçá-lo então?
Sim, de certa forma, posso ter essa certeza
Pois quebraria a distância entre
A flor e o pôr-do-sol e a vida, porém,
Para onde iria a minha imagem,
Aquela, que tanto me habituei
A contemplar
Durante todo esse tempo?
Refletidos em um espelho.
Não gosto da vida; maltrato-a sempre que posso.
Em minhas mãos o florescer torna-se tedioso
E o pôr-do-sol me deixa cansado.
É isso, estou cansado e não gosto da vida,
Da vida nas ruas
Da vida nas casas
Da vida nas línguas
Da vida nos cabelos
Nas cinzas do fogo que queima, na água que corre, no vento que grita, na terra que chora
Da vida na terra meu Deus, até disso me canso, me canso
De coisas que não me atingem,
De coisas que não vejo, e estas são a maioria.
Essa arte de ver o mundo pelo espelho
Manteve-me distante de abcessos, é verdade,
Mas também me tornou este cansado e tedioso que sou.
Faria bem eu em estilhaçá-lo então?
Sim, de certa forma, posso ter essa certeza
Pois quebraria a distância entre
A flor e o pôr-do-sol e a vida, porém,
Para onde iria a minha imagem,
Aquela, que tanto me habituei
A contemplar
Durante todo esse tempo?
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Comentários (3)
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wilson1970
2020-09-23
Parabéns pela tua poesia !
thaisftnl
2020-04-09
Gostei muito da sua escrita, magnífico!
petit_bateaux
2019-10-28
voce eh fera dms, vamos ser amigos ?
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