Lista de Poemas
AUTOPSICOGRAFIA
Cansado de sonhar, acordei!
Mas o sono, este que um dia amei,
Ainda cospe em meus olhos
Fantasias maravilhosas, amores,
Daqueles que amamos, senhores;
Desses, trancados em ferrolhos.
Quis eu não sonhar por amor!
Por amor a mim, pobre sofredor,
Que cego dormia, mas agora vê
Essa ilusão mundana que é sonhar.
Que utopia desleal é se ufanar
Das alegorias que criamos... por quê!?
Quem poderia saber!? Ninguém o sabe...
A realidade é dura, mas é a verdade.
Não há mais lugar para fugir de mim!
Itamar FS
Mas o sono, este que um dia amei,
Ainda cospe em meus olhos
Fantasias maravilhosas, amores,
Daqueles que amamos, senhores;
Desses, trancados em ferrolhos.
Quis eu não sonhar por amor!
Por amor a mim, pobre sofredor,
Que cego dormia, mas agora vê
Essa ilusão mundana que é sonhar.
Que utopia desleal é se ufanar
Das alegorias que criamos... por quê!?
Quem poderia saber!? Ninguém o sabe...
A realidade é dura, mas é a verdade.
Não há mais lugar para fugir de mim!
Itamar FS
👁️ 285
LÁGRIMA
Derrama-se densa, em lenta pena,
Nas maçãs tão claras, vis e pecadoras.
Outrora à âncora, comprimida e alenta,
Demorava-se a brilhar encantadora.
Vai-se à beira do torpor da rubra face,
Maviosa, fenecida e sem alarde,
Salgar-te à memória, à dor do encrave,
Com seus fúnebres contos de saudade.
Embora tu, ausente do infirme eco do engano,
Possas pensar que basta a ti, um simples pano,
Para que o orvalho trivial possas secar; _
Vais abrandar, frigidamente, somente o tanto
Que tuas mãos tão decadentes em seu pranto
Poderiam tenuemente alcançar.
Itamar FS
Nas maçãs tão claras, vis e pecadoras.
Outrora à âncora, comprimida e alenta,
Demorava-se a brilhar encantadora.
Vai-se à beira do torpor da rubra face,
Maviosa, fenecida e sem alarde,
Salgar-te à memória, à dor do encrave,
Com seus fúnebres contos de saudade.
Embora tu, ausente do infirme eco do engano,
Possas pensar que basta a ti, um simples pano,
Para que o orvalho trivial possas secar; _
Vais abrandar, frigidamente, somente o tanto
Que tuas mãos tão decadentes em seu pranto
Poderiam tenuemente alcançar.
Itamar FS
👁️ 348
EXÍLIO
Quando eu estou trancado,
Sou apenas um homem,
Preso em seu próprio mundo.
Quando eu abro a porta,
Sou apenas um homem em um mundo
Ocupado demais para ser livre...
Itamar FS
Sou apenas um homem,
Preso em seu próprio mundo.
Quando eu abro a porta,
Sou apenas um homem em um mundo
Ocupado demais para ser livre...
Itamar FS
👁️ 418
ESPELHO
Ao ver-te assentar em minha porta,
Com essas penas e dessa forma,
Animo-me em receber tua visita.
Não penses que não sei de tua história,
És só mais um, que na memória
Sentiu o horror da despedida.
Entra, assenta perto desse louco,
Diz se o que vês é só agouro
Ou se é só mal da solidão.
Nota que o teu medo não é novo,
Também sou eu, um mesmo entojo,
Não és tu, só, a Escuridão.
Então, o que viestes aqui fazer;
Viestes pra me ver morrer
Ou só pra não ficar sozinho?
Conheço bem esse desejo de querer
Olhar nos outros o sofrer
E aliviar o próprio caminho...
Quando o nosso Pai te disse: filho,
Guarda o teu mal ao teu juízo -
O que levou a tua queda?
Foi o segredo que devera não ser dito;
O querer mais descabido;
Ou estava cheio aquela terra?
Ó, inquilino miserável, vens a mim
Como um culpado, assim,
Querendo meu conselho!?
Nunca o terás, Hediondo Querubim,
Somos um só, e pronto, em fim:
Duas faces, um espelho...
Logo tu, que em cima d'uma macieira
Fez-nos saber da verdadeira
Razão de nossa existência;
Por que, Diabo, tua sina derradeira
É tão igual a nossa, e deixa-
Nos iguais na penitencia!?
Dúvida minha, é apenas parcimônia
Que teima queimar, ness'acrimônia
- Doudo desejo. Fomos vencidos...
Tu és meu sono e eu tua insônia,
Festins d'antiga Babilônia:
No fim, seremos esquecidos
Em tão cruel tentação de'star ferido
E agonizar, cego, perdido
À procurar um céu aberto...
Por isso tudo que eu sou levo comigo,
Somos um só, e, igual, Amigo:
Ardemo-nos no mesmo inferno!
Itamar FS

👁️ 306
MEU INFERNO
Pelas janelas oculares do meu crânio,
Percebo contos, desencontros e encontros.
Pelas veredas de saudades que eu ando,
Deixo pra trás, poemas, versos e encantos.
Só não persisto em entender esse meu pranto,
O qual me fez acreditar num céu bonito.
Sem harmonia e com tristeza leve, canto:
- Eu vou fazer do meu inferno um paraíso!
Itamar FS
Percebo contos, desencontros e encontros.
Pelas veredas de saudades que eu ando,
Deixo pra trás, poemas, versos e encantos.
Só não persisto em entender esse meu pranto,
O qual me fez acreditar num céu bonito.
Sem harmonia e com tristeza leve, canto:
- Eu vou fazer do meu inferno um paraíso!
Itamar FS
👁️ 349
AO SERVIÇAL ABUTRE
Voa, mesquinho serviçal de asa umbrosa!
Segue o destino tão banal de tua sina,
Banqueteando-se em vil carnificina,
Desse entulho bestial que decompora.
Chama o rebanho esfomeado, dá seus gritos
Para pousar com frêmito arquejo gutural;
Põe-me as entranhas estendidas, invital,
Há de servir de inspiração para teus filhos!
Ave negreira, irrevogável pestilenta,
Vem espalhar o teu turíbulo necroso,
Fazer do ar nossa memória agourenta...
Mostra a brancura desse ser choruminoso
Sobre o contraste sepulcral de tua pena,
E dá-lhe a chance de brilhar ao sol, de novo!
Itamar FS
Segue o destino tão banal de tua sina,
Banqueteando-se em vil carnificina,
Desse entulho bestial que decompora.
Chama o rebanho esfomeado, dá seus gritos
Para pousar com frêmito arquejo gutural;
Põe-me as entranhas estendidas, invital,
Há de servir de inspiração para teus filhos!
Ave negreira, irrevogável pestilenta,
Vem espalhar o teu turíbulo necroso,
Fazer do ar nossa memória agourenta...
Mostra a brancura desse ser choruminoso
Sobre o contraste sepulcral de tua pena,
E dá-lhe a chance de brilhar ao sol, de novo!
Itamar FS
👁️ 301
MORTE
Como ousas invadir a minha história,
Gentileza dos vadios? Me encontrasse
Desprezível, e com terra amordaçasse
O meu amor, meu vazio e minha glória.
Majestosa orquestra rubra, Natureza,
Porque devora-me a mão e minha alma
Se tua sede não sacia e nem acalma
Tua fome, tua dor, tua tristeza?
Quantos amantes o teu peito inda corteja,
Ó criatura espantosa, carniceira;
Para ser pai de tua cria verminal?
Quantos ainda arrastarás para igreja
Para ouvir teus votos, dama derradeira,
E decompor em tua cama nupcial?
Itamar FS
Gentileza dos vadios? Me encontrasse
Desprezível, e com terra amordaçasse
O meu amor, meu vazio e minha glória.
Majestosa orquestra rubra, Natureza,
Porque devora-me a mão e minha alma
Se tua sede não sacia e nem acalma
Tua fome, tua dor, tua tristeza?
Quantos amantes o teu peito inda corteja,
Ó criatura espantosa, carniceira;
Para ser pai de tua cria verminal?
Quantos ainda arrastarás para igreja
Para ouvir teus votos, dama derradeira,
E decompor em tua cama nupcial?
Itamar FS
👁️ 455
O DIA QUE EU MAIS CHOREI
Quando embalsamei o meu corpo
No elixir sagrado - Vinho Panteístico
Que os deuses sorvem do ''místico''
Rebanho - Salguei-me; In Assorto!
Chovia em todo meu ser, navalhas,
Perfurando-me o peito e os olhos;
E o mar, que chocalhava-me os ossos,
Chocalhava também as minhas falhas...
E só, no se ir das ondas, eu naufraguei
Meu barco nos corais: tanta beleza
Tinha no olhar, tanta sede; - Afundei
No azul de um céu que encontrei...
E ao beber de minha própria profundeza,
M'embriaguei, Tornei-me Deus, e me afoguei!
Itamar FS
No elixir sagrado - Vinho Panteístico
Que os deuses sorvem do ''místico''
Rebanho - Salguei-me; In Assorto!
Chovia em todo meu ser, navalhas,
Perfurando-me o peito e os olhos;
E o mar, que chocalhava-me os ossos,
Chocalhava também as minhas falhas...
E só, no se ir das ondas, eu naufraguei
Meu barco nos corais: tanta beleza
Tinha no olhar, tanta sede; - Afundei
No azul de um céu que encontrei...
E ao beber de minha própria profundeza,
M'embriaguei, Tornei-me Deus, e me afoguei!
Itamar FS
👁️ 477
JERUSALÉM
Metrópole clandestina, império dos caídos,
Tuas ruas: tantas cruzes, tantas dores,
Congestionam-se; o matizar de tuas flores
Inda tenta arfar ao breu dos esquecidos.
Ah! Jerusalém, Brasão de todos os vencidos,
Herança imácula, capsula ígnea de odores,
Tua gênese abstrata purga-nos de horrores
Na broca bruta de teus filhos exauridos.
Ó, morada eterna, passagem auriu de paraísos:
Exila, aparta, expira, agrilha, apaga
Os lamentos de minhas dores ancestrais...
E assim, no abraço douro de teus cristos,
Que possa, em fim, a minha podre alma autófaga,
Dormir em paz no céu do deus do Nunca Mais.
Itamar FS
Tuas ruas: tantas cruzes, tantas dores,
Congestionam-se; o matizar de tuas flores
Inda tenta arfar ao breu dos esquecidos.
Ah! Jerusalém, Brasão de todos os vencidos,
Herança imácula, capsula ígnea de odores,
Tua gênese abstrata purga-nos de horrores
Na broca bruta de teus filhos exauridos.
Ó, morada eterna, passagem auriu de paraísos:
Exila, aparta, expira, agrilha, apaga
Os lamentos de minhas dores ancestrais...
E assim, no abraço douro de teus cristos,
Que possa, em fim, a minha podre alma autófaga,
Dormir em paz no céu do deus do Nunca Mais.
Itamar FS
👁️ 388
INSÔNIA
Grita ao meu ouvido esse monstro -
Me desperto; é noite, já é tarde,
Algo me observa, então, covarde,
Eu finjo sono, mas não o encontro.
Cubro-me, e agora estando absconso
Penso: fora só sonho que agora evade,
Não há segredos, nem há conclave;
Somente eu, sorrindo insonso...
Em vão, me deito... Vou refletir:
Que besta é essa, sempre a surgir
Quand’olhos fecho, quando descanso?!
Porque que o sono eu não alcanço?!
E a besta sempre a me exaurir...
Aconteceu que amanheceu e eu não dormi!
Itamar FS
Me desperto; é noite, já é tarde,
Algo me observa, então, covarde,
Eu finjo sono, mas não o encontro.
Cubro-me, e agora estando absconso
Penso: fora só sonho que agora evade,
Não há segredos, nem há conclave;
Somente eu, sorrindo insonso...
Em vão, me deito... Vou refletir:
Que besta é essa, sempre a surgir
Quand’olhos fecho, quando descanso?!
Porque que o sono eu não alcanço?!
E a besta sempre a me exaurir...
Aconteceu que amanheceu e eu não dormi!
Itamar FS
👁️ 303
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'' Por mais que eu me esforce a vida será apenas uma breve lembrança de tudo aquilo que na verdade gostaria de viver.'' _ Itamar FS
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