Lista de Poemas

COMÉDIA MODERNA

A vida é só um palco primitivo cheio de doentes
encenando para outros doentes como é ser saudável.

Itamar FS
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MONOFOBIA

O terror de estar só é apenas ausência
de alguém
para registrar a experiência,
o que sobrar é solidão.

Itamar FS

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DÓI...

Dói...

Quando seus olhos contemplam a ida do motivo de sua felicidade, 
e você se vê acorrentado, obrigado a ter que suportar o erro opcional 
de ter que deixa-la ir, sozinho.

Dói...

Procurar uma desculpa para se castigar 
em busca de igualar a maldade de te-la deixado partir, é tão comum...
Nos jogamos a um exorcismo de emoções, 
presente, passado, futuro. Futuro... Futuro... Sem ela...

Dói...

Esperamos que o tempo nos faça renascer das cinzas que nós mesmos idolatramos, achando que ela também venha renascer. 
Mas ela não vem. Não vem! Ela já foi!
Ela partiu e não achou uma mão que a impedisse de se ir.

Ela está com frio, com medo, com febre.
Ela está vazia, preenchida, transbordada.
Água, vinho, sangue.
Rosa, espinho, lágrima.

Ela chora por não encontra-lo e
Por saber exatamente onde ele está.

Dói...

Itamar FS


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FILHO ÓRFÃO

Nasce o Filho! De qual pai é esta criatura
Que chora como um cão estrangulado, faminto,
Esperneando como larvas, moscas n'absinto;
- De que úlcera escorreu essa injúria?

Vem das Miríades - deidades prostitutas?!
Qual agonia essa praga vil reclama,
Logo ao nascer? Em qual seio qu'ela mama,
Nessa amálgama orgia entre putas? 

É só estorvo, monstro nu - feto infeliz!
O teu umbigo sangra, tem pus em teu nariz...
SER abortado, em teu ventre não há Órgão!

Ninguém jamais irá fechar-te a cicatriz,
Nem vais achar irmão algum, nem meretriz
Pra te criar, porque, aqui, és Filho órfão!

Itamar FS

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O JUÍZO DAS FERAS

Na febre acre dos meus dias de agonia
Meu corpo sofre amargurado, contristente
Entre o pecado, ao pé de muita magoa ardente
Todo o terror em meu suor se esvaia.

Estando longe do prelúdio dos meus dias,
Prevejo o céu ou o inferno encontrar
No fim das horas, no soturno ou no algar:
Seria os anjos ou diabos meus vigias?!

Já o Senhor - este que a todos cala -
Espera ouvir de mim um grito, uma palavra
Que seja posta a pagar-lhe a vivência.

Creio que embora seja eu, um ser insano,
Não bastaria a ele eu ter que ser humano
E ter-lhe pago meu perdão na existência?!

Itamar FS


 
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INCÓGNITA IRONIA

⁠Amar é a mais incógnita ironia da vida:
É querer sempre liberdade pra sentir,
Estando sempre preso por querer.

Itamar FS
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DOCE ILUSÃO!


Eu te tinha, mas, por querer demais,
Perdi o Às da minha pequena mão...
Pois nela não cabia segurar-te, de tão grande,
Amor; e em mim guardaste uma solidão.

Eu queria mais, sem querer demais,
Pra não perder-te, em parte - riso do meu coração.
Só restaram palavras de conforto, quando,
Em minha mão ficou teu rosto...Doce ilusão!

Itamar FS

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PÉTALAS MORTAS

Contorcem num abraço frio essas pétalas
Tristes, sozinhas, e afogadas sem razão
Num jarro fútil, símile ao amor na solidão
Que jaz à amar, sozinho, tísicas sépalas.

Essas rosas que, antes vivas, decoravam
O jardim das fantasias dos poetas...
Hoje ornam as saudades mais profetas;
Aquelas que os olhos postulavam...

Agora, fenecendo-as, vão as horas;
Assim como fenecem a um sonhador,
Quando este é condenado a não dormir...

No esquálido estalado dessas rosas
A vida se resume  e,  nesse odor,
Um dia tudo que floresce há de sumir...

Itamar FS

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SÃO SÓ PALAVRAS ...

Está vendo essa folha branca;
adstrita, ilustrada com falácias
de amor frugal e de audácias
nódoas que o peito abranda?! 

Esta folha referta, tão claustral; 
Tempera, apenas, não sacia 
O tolo, réu da idiossincrasia  
Que ufana, sob o próprio mal...

- São só palavras, desgraça apenas,
Que os poetas comem e cospem
Aos famintos ébrios, o resto.

-São só palavras, tão vis fosfenas 
À iludir os olhos, que dormem,
No sonhar d'um coração funesto.

Itamar FS

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ASTROS

Astros de brilho e cor, oriundo
Dos olhos almos dos deuses;
Essas luzes, na noite, por vezes,
Colorem os pecados do mundo.

Num rio de sonhos, em rútilo 
Percorrem os nossos desejos...
Poetas, astrônomos, gregos;
Se doam ao seu âmago bruto.

E agora, vendo-as assim, cristalinas
A pulsar nesse cosmo, incólumes, fiel
A regência das cousas divinas -

Passo a imaginar: que pecado cruel
Produziu nossas carnes actinas,
Para ter nos tirado do céu?

Itamar FS

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