Lista de Poemas
Aperto

Arno Mikinnen
e os esquilos?

Dominique Issermann
Delonga
E foi na camada intermédia do mar que forra a cidade
que bebeu o ondulado da timidez a adoçar-lhe a figura imponente
onde encaixara o olhar perdido
difícil de segurar.
Veio estender-se na praia
à espera de o encontrar.
Os olhos perdidos em grãos de timidez costumam fazer cama nos interstícios dos dias.

Belleza Spark | Série: Saying 'no' sometimes is 'ok'
Degusto-te
Provei o amargo.
Após muitos rectângulos de palavras entre as duas janelas.
Não sei como aconteceu.
Apenas não sei a parte do momento exacto do amargo chegar, porque da sua confecção já me alertaras para a possibilidade de estar a tratar dela a preceito.
Ao provar, descobri que o amargo não tem sempre a mesma cadência e anda a diferentes velocidades.
Soube disso quando o meu amargo se levantou cansado e atirou comigo para o campo árido da prostração.
Até me pareceu que o ácido do amargo com raiva, que eu não sinto, mas que calculo ser agitado e sempre a abrir, causa menos estragos. Solta-se melhor, é isso.
O amargo sabe mal, mas não é necessariamente mau.
Digo eu.
Disseste-me tu.
'O amor é uma loucura sensata, um fel que sufoca, uma doçura que conserva', diz o poeta.
'Sabe amargo el licor de las cosas queridas', diz a canção.
O doce e o amargo aprenderam a jogar taco-a-taco.
Só chamamos por um ou por outro perante a fragilidade do adversário.
Gosto-te no (des)equilíbrio discreto e inquietante entre os sabores.
Ensinaste-me.
Sei que aprendi.
Percebo-me nunca habituada.

Katia Chausheva
convento

Kollerová via a girl who tried to disappear
Clareza
Se eu tivesse que escolher uma cor para as tuas palavras seria o cinza.
Não pelo negrume da tristeza. Bonito, esse teu negrume, sabias?
Seria pela calma. É isso. Pela calma que me trazes às margens das manhãs ou das tardes.
Conforme a inclinação do sol.
As tuas palavras só não têm a cor branca porque não as descobriria nesta folha.
Mas são brancos, esses bordados de luz que te escorrem entre os dedos.

Aráquem Alcantara
albus

palavras-cor

Bordado | Katerina Marchenko
Curativo
Ensaiei uma tela para o lugar da que perdeste.
Com as ligaduras.
Lavei-as bem
estiquei-as ao sol
e pu-las a comer a goma que fiz.
Vai servir-te quando descobrires as tintas que também largaste
por aí...
Ou talvez estejam distribuídas pelas gavetas do homem do divã...
É que nem sabes daquela bem cremosa com que pintavas o ondulado do lençol negro de seda.
A dos cambiantes. Para evitar a obscuridade, brincavas.
Depois de espreitar as gavetas do homem de olhar fundo, quase mau,
(- sabes que ao Dali lhe deu para as pintar, às gavetas? -),
com as ligaduras
ensaiei velas de barcos
para largar
por aí...

Daria Endresen
|Sus|Penso

Comentários (1)
muito bom o seu poetar...
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