Lista de Poemas

Caminhada

Ando, ando, ando...
A praia continua fugindo,
correndo enquanto sigo.
Observo as ondas quebrando,
lavando a areia límpida,
carregando mar adentro
as máculas das algas ociosas
que, deixam-se levar, preguiçosas,
não negando nenhum acalento
daquela branda espuma branca.

Ando, ando, ando...
Percorro longo caminho,
piso firme na areia fofa.
Meu pé afunda,
como se a praia o devorasse,
como se a Terra me engolisse.
Distraído vivo uma metáfora,
comtemplando a vida afora,
Sem descanso,
não paro, apenas, ando.

Ando, ando, ando...
Continuo andando,
sigo pelas veredas da vida,
sonhando com pérolas e contas alvas,
enquanto conto as conchas brancas,
reluzentes pontos de luz e cor,
que marcam todo o meu percorrer,
indicando meu rumo,
apurando minha jornada,
para o meu sonho, a minha última parada...
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Hi-Fi: Um drink... uma desilusão (Miniconto)

A rave acontecia em um galpão, com muita música eletrônica, patrocinada por um renomado energético alado. Devido a sua longa duração se estendera pela madrugado e, agora, os primeiros raios do dia, expulsavam a noite e lá fora pessoas começavam a saudar o dia, retomando a rotina de trabalho.

Foi nesse instante, entre o luar e o sol nascer, que eu a encontrei. Ela tão linda encoberta pela profusão de luzes comandadas por um DJ ensandecido, detonando sua pick-up performando a sua arte, o seu DJing, com intensa vibração, mantendo o beat, o compasso das músicas, acelerado tal qual as batidas do meu coração

Ofereci-lhe um drink. Ela escolheu um Hi-Fi, clássico do século passado, do final dos anos 80, início dos 90, derradeiros “embalos da Era das Disco” elaborado com vodka, gelo e refrigerante de laranja. A escolha aguçou a minha curiosidade. A bartender desorientada não conseguiu preparar o drink e acabamos bebendo o energético, com vodka.

Insisti na minha curiosidade. Então ela sorriu um sorriso malevolente que sutilmente escondia, encoberto por grande sedução e me contou a sua paixão por um homem mais velho, seu professor de História das Artes, seu amante do século XX. Não tive nenhuma chance!
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Negacionismo


Personagens negacionistas
negam a verdade,
em uma antítese sem credibilidade,
tornando-se obtusos.

Tais céticos confusos
zurram, buscando engendrar
justificativas que os ajudem
desse imbróglio escapar.

Rotos com sua lógica insana,
irascíveis em todos os debates,
confundem liberdade
com irresponsabilidade.

Imorais apoiados em falsa moral
apelam a frágeis trunfos,
esquivando-se de análise introspectiva,
pois temem encarar reais perspectivas.

Mas não importa, não intimida.
Pois no caminho surge a reposta.
Um mural, com a esperança exposta
em belo grafite da palavra vida!
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Minha guitarra, minha parceira (Miniconto)


Durante uma apresentação, no ápice do solo, finalizando uma performance, a correia da guitarra se rompe e antes que pudesse agir minha Fender Stratocaster Squier Classic, preta, com visual e feeling dos anos setenta, cai no chão do palco. Pude acompanhar em slow motion todo o movimento até o inevitável choque.

Com imensa tristeza e dor vislumbrei que tal choque quebrou o braço dela e, simultaneamente, estraçalhou minha alma. Quantos momentos vividos em parceria tão fiel, sem qualquer traição ou rompimento, fidelidade raramente encontrada. Anos de parceria interrompidos em apenas alguns segundos.

Observando com mais cuidado percebi que o braço rompeu na altura do headstock, que é a cabeça ou a mão da guitarra, não atingiu a escala, porém empenou o tensor, o que poderia causar uma torção no resto do braço.

Com o coração partido peguei minha guitarra, coloquei-a em sua case e busquei o auxílio de um Luthier conhecido. Chegando à oficina, o especialista analisou os danos e, como um “doutor em cordas”, proferiu o seu diagnóstico. Minha Fender, poderia ser reparada e novamente ajustada.

Passado alguns dias de ansiedade retornei à oficina e reencontrei a minha paixão. O Luthier pediu que a testasse. Ao tocá-la percebi que apesar do braço quebrado, agora reparado, a alma continuava intacta. Então, num momento de êxtase, solei slides, bends e vibratos cheios de emoção. Minha parceira voltou!
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Painel Vida (Minicrônica)


Uma imagem que transpira vida, arte e verdade para dissabor daqueles que negam a realidade.

Um grupo com 18 artistas, muralistas, integrantes do projeto “Rua Walls”, mudaram a paisagem árida da Região Portuária do Rio com grafites. São 16 painéis, abrangendo uma área aproximada de oito mil metros quadrados. Os painéis foram executados da saída do túnel Marcelo Alencar até a rodoviária Novo Rio, com cerca de dois quilômetros de extensão.

As obras de arte urbana foram executadas durante as madrugadas do mês de setembro de 2020, durante a pandemia.

As fachadas e paredes desse conjunto de galpões, perderam seu valor histórico ou arquitetônico, devido às várias intervenções desastrosas ao longo de processos de urbanização caóticos. Mas agora ganharam vida e identidade com os novos painéis multicoloridos.

Os artistas: Agrade Camís, Amorinha, Bruno Lyfe, Célio, Chica Capeto, Diego Zelota, Dolores Esos, Flora Yumi, Igor SRC, Leandro Assis, Luna Bastos, Mariê Balbinot, Marlon Muk, Miguel Afa, Paula Cruz, Thiago Haule, Vinicius Mesquita e Ziza.

Fonte: G1
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Místicos mitos


Deuses amorais,
deuses edulcorados,
seres espaciais,
mísseis teleguiados,
tudo, qualquer coisa,
vira mito.
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Religiosidade mítica

Desde sempre, até o presente,
o homem tenta esclarecer,
sem, ao menos, entender
o medo que sente
por criaturas místicas
um tanto ontológicas.

Na ilusão de se proteger
cria templos e crenças.
Cultua mitos,
ricos em imaginação,
que apelam até para a razão.
Procura resposta de qualidade,
um elo, uma ligação...
entre o misticismo e a realidade.

Templos, ritos,
dogmas, cultos...
o homem tenta aplacar sua fome,
também espiritual,
com rezas, ioga
e meditação transcendental.
Quem manda é a moda!

Da água ao azeite,
Do incenso ao açafrão,
nada escapa ao deleite
de mitos, místicos de ocasião
que manipulam suas seitas,
como se fossem receitas
para a exaltação eficaz
de semideus incapaz!
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Encanto de verão em Praia Linda


Em Praia Linda
encontrei você,
tão linda quanto a praia,
com o olhar perdido,
esquecido no horizonte,
que timidamente
não escondia o sol,
banhando sua pele dourada.

Com vislumbres de euforia,
disfarçava a alegria em vê-la,
serena, pura,
tão meiga,
formando com a paisagem
um quadro, uma miragem
de inigualável sutileza.

Sua singela beleza,
Impregnava minha juventude
que transpirava em emoções
junto com o pôr do sol,
com a areia branca, o sal,
e toda a natureza
naquela tarde de verão...
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No compasso maternal

Com suave movimento pendular
embala, em seu colo, sua cria,
juntando-se ao universo em harmonia,
acalenta sua criança ao cantar.

Nesse maternal aconchego,
não há mal capaz
de interromper tal sossego
em relação tão fugaz

O mundo se move, o universo também.
Enquanto a jovem mãe a cadência mantém.
Ao largo, comtemplo a maternidade
incorporando, em si, a imortalidade.

Liberto de demência datada
vivencio lembrança pueril,
enquanto alguma sanidade pairava
debaixo daquele céu anil.
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Quando uma estrela é um cometa

Tua trajetória efêmera,
como uma quimera,
ganha os palcos eternos
quando menos se espera

Fulminando almas.
Encantando-as com acordes
em troca de singelas palmas
que não impedem que te afogues.

Forte música aponta a verdade
mas, tua vigorosa interpretação
não esconde tal fragilidade,
que carregas no coração

Embriagas-te até o espasmo,
sem suportar realidade
pulsando sem compasso
com a tua genialidade.

Homenagem à AMY WINEHOUSE
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