Lista de Poemas

Pungente

Física, espiritual, social...
De perda,
e de partida.
Presente em toda despedida.

Velada no vazio,
da intensa solidão,
que guarda dolorida,
qualquer emoção.

Aguda de supetão,
crônica, constante,
não obstante,
incessante tensão.

Muitas sinas,
mas nada a sofisma,
nem mesmo o amor, pobre rima,
com ela não termina.

Tão pequena,
mas tão intensa,
que arde sem calor,
e queima sem pudor.
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Diorama

Vivemos presos em um tempo pálido,
fragmento de triste história
onde falta glória
apesar do orgulho impávido.

O espírito humano
no decorrer deste tempo,
padece de alento,
perdido em seu ledo engano

No processo evolutivo
cobramos o que foi prometido,
sem levarmos em conta
o custo da afronta.

A evolução, sem apresso,
amparada no descaso
cobra, afinal, seu ingrato preço.
O fim daquilo que nos é mais caro.

Pagamos com a nossa liberdade
De ir, ser, estar...
Isolados na cidade.
Encalhados num diorama de insanidade!
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Revival lírico


A brisa batia fria,
ferindo a face da densa relva,
enquanto o pequeno rio
dançava alegre,
no ritmo do som de águas,
que tombavam suaves
na cascata prateada,
reluzente,
ao luar lírico,
daquela noite em festa...

A melodia de sons e ruídos
lembrava uma louca sinfonia,
onde o maestro da ilusão
regia sua orquestra de sonhos,
absorvendo as críticas, e
o lamento da brisa revolta...

As folhas ressequidas,
contorcidas pelo fim de mais um outono,
esvoaçavam-se,
compondo com o murmurar da noite
um clima de intenso revival,
como num ritual,
onde, sem dúvida,
a dadiva final era apenas um suspiro,
um sussurro de esperança, e
alegria sem igual...
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Devaneio


A manhã acordou fria,
descortinando a paisagem nívea,
repleta de reflexos prata.

Enquanto a terra grata
suava gotículas nobres,
cerzindo de modo indelével
a tenra noite passada...

No meio do bosque distante,
uma pequena choupana de madeira
derramava fumaça pela chaminé
de sua singela lareira.

O aroma doce amargo
do café caseiro torrado,
fazia com que a manhã,
entorpecida pela fragrância,
relutasse pelo primeiro gole do dia...

Enquanto a árvore próxima,
aquele secular carvalho,
transpirava em alegrias,
murmurando suave melodia
composta pelo animado respingar
de uma cristalina gota de orvalho...
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Quebrada


Partida, em pedaços,
não permite aos incautos
o corte que lembra os percalços
no risco dos pés descalços.

Imagem simples
nos remete a momentos aqueles,
onde tudo parece reles.

Enquanto nada parece ser
aquilo em que você crê,
onde basta colar para não mais romper,
no entanto, emendas não deixam esquecer.

Apesar dos cacos colados da peça,
nada há que impeça,
as cicatrizes, que cismam em aparecer.
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Isolamento do Caos ao Imaginário - Livro

Socialmente distanciados,
amargurados pela solidão,
que nos aflige e não dá perdão.

Nem assim calados.
Impulsionados pelo momento,
que de tão doente 
não nos permite um instante de alento,
apenas o dramático isolamento.

Mas, o que fazer?

Talvez gritar,
Talvez sonhar.
O importante é protestar,
“Batendo panela”,
acreditando no renascimento
do mundo pós-isolamento.

Caros amigos, o poema apresentado compõe o projeto “Isolamento, do Caos ao Imaginário”,
crônicas e poemas sobre a realidade caótica e desgoverno do nosso país.
Quem quiser conhecer, o livro encontra-se em pré-venda, pela Kotter Editorial. Um abraço.

https://kotter.com.br/loja/isolamento-do-caos-ao-imaginario-helio-valim/
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Tic-tac, tic-tac...

Lá se vai mais um segundo,
com sessenta, mais um minuto
com sessenta, mais uma hora,
logo, em pouco tempo, 
mais uma vida vai embora.

Toca o vaidoso Big Bem,
que em contínua vigília, 
vai a todos acordando,
e ao mundo relembrando 
a enfadonha monotonia.

Toca o relógio da donzela,
que apesar de tão bela, 
esguia tal qual uma gazela, 
impaciente, espera o amor
que um dia já foi dela.

Toca o relógio do velho senhor, 
sentado na varanda do destino 
recorda seus dias de criança, 
deixando escapar a lembrança 
que garante a sua esperança.

Mas nem assim o tempo para,
mesmo que todos o esqueçam,
em cada tic ou tac 
mais um segundo é roubado
da vida de um desavisado.

Tic-tac, tic-tac...
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Beija-flor (Amante infiel)

Bate tuas asas
no compasso dessa cor.
Na velocidade que abraças
esqueces até a dor.

Beije essa flor,
lacônico amante,
envolve-a com teu amor
Impulsivo e vibrante.

Sem tempo para fidelidade,
sem espaço para ficar,
na busca da tua saciedade.

Eterno amante infiel
voe para o próximo néctar,
na trilha de cobiçado mel.
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Ler o mundo

Aquele que não lê o mundo
perde-se em soberba ilusão,
não entende o que lhe cerca,
abandona o senso e a razão. 

Leigo, perdido, sem noção
não percebe as dúvidas
que afligem seu coração,
pois, são dívidas de emoção.

Sem apoio da imaginação,
sem trégua para superação,
sofre com sua vil realidade,
que lhe fere sem compaixão!

A realística leitura do real
pode derrubá-lo do pedestal,
o que lhe impõe uma virada
para entender tal jornada.

Ler e interpretar a realidade
atento à correção dos fatos, 
garante a visão da verdade
sem traumas ou impactos.
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Sesmarias esquecidas

Entre a areia e o mar
dunas esparramam-se, 
suavemente entregam-se,
em praias infindáveis 
sob ondas a arrebentar.

Na intensidade da arrebentação
ouriço, marisco e mexilhão
observam a briga com tristeza,
pois, entre o mar e o rochedo
não há espaço para folguedo. 

A vida no alagado distante 
emerge do vibrante mangue. 
Entre o mar e o rio ressurgente
reina o caranguejo imponente
no seu reino de lama latente.

Reinos de areia, rocha e lama,
aprazíveis sesmarias esquecidas,
onde a natureza habita e clama,
vivendo a paz tão reverenciada,
distante da corrompida ganância.
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