Lista de Poemas
Anúncio
Extra! Extra! Vende-se uma casa
pegando fogo. Comporta bilhões
de moradores. Vista espetacular.
Desde que não se importe com o
ar levemente tóxico, as praias um
tanto impróprias para o banho, as
temperaturas um pouco desreguladas.
Meus caros, essa casa pegando fogo
é tão grande, tão rica, desde que não
se repare nos simples problemas, e
viva como se não houvesse amanhã.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Anúncio. In: Revista Sucuru, 31 jul. 2021.
pegando fogo. Comporta bilhões
de moradores. Vista espetacular.
Desde que não se importe com o
ar levemente tóxico, as praias um
tanto impróprias para o banho, as
temperaturas um pouco desreguladas.
Meus caros, essa casa pegando fogo
é tão grande, tão rica, desde que não
se repare nos simples problemas, e
viva como se não houvesse amanhã.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Anúncio. In: Revista Sucuru, 31 jul. 2021.
👁️ 818
Selene
Sou parte do universo,
Mas não estou à deriva.
Sou atraída por uma força maior do que eu,
Maior do que a vida,
Maior do que tudo.
Sou feita de fases.
Metamorfose em curso.
Sou o reflexo da luz estrelar.
Espelho solar.
Sou o silêncio da noite.
Um silêncio que pulsa e grita.
Um silêncio que controla as marés.
Silêncio, luz e sombra.
***
Selene
Soy parte del universo,
Pero no estoy a la deriva.
Me siento atraído por una fuerza mayor que yo mismo,
más grande que la vida,
más grande que todo.
Estoy hecho de fases.
Metamorfosis en curso.
Soy el reflejo de la luz de las estrellas.
Espejo solar.
Soy el silencio de la noche.
Un silencio que grita.
Un silencio que controla las mareas.
Silencio, luz y sombra.
VELOSO, Gabriela Lages. Entre Letras, Rimas e Ilusiones: Sección 2/Edición 007 - Poesía Selene. Revista Interactiva Guarapodulce, Colômbia, 2021.
Mas não estou à deriva.
Sou atraída por uma força maior do que eu,
Maior do que a vida,
Maior do que tudo.
Sou feita de fases.
Metamorfose em curso.
Sou o reflexo da luz estrelar.
Espelho solar.
Sou o silêncio da noite.
Um silêncio que pulsa e grita.
Um silêncio que controla as marés.
Silêncio, luz e sombra.
***
Selene
Soy parte del universo,
Pero no estoy a la deriva.
Me siento atraído por una fuerza mayor que yo mismo,
más grande que la vida,
más grande que todo.
Estoy hecho de fases.
Metamorfosis en curso.
Soy el reflejo de la luz de las estrellas.
Espejo solar.
Soy el silencio de la noche.
Un silencio que grita.
Un silencio que controla las mareas.
Silencio, luz y sombra.
VELOSO, Gabriela Lages. Entre Letras, Rimas e Ilusiones: Sección 2/Edición 007 - Poesía Selene. Revista Interactiva Guarapodulce, Colômbia, 2021.
👁️ 611
Insight
Em uma segunda-feira qualquer, um dia nublado e cinza, me encontro em um grande engarrafamento. Entro na primeira rua que encontro. Um atalho. Aparentemente um lugar comum, com pessoas comuns. Entretanto, nunca me esquecerei daquele lugar, da sensação de despertar para a realidade que me cerca.
Era uma rua estreita, muito estreita, com uma infinidade de pequenas lojas por todos os lados. Além de uma feira, uma borracharia, casas e uma igreja, que se destacava no ambiente, por suas dimensões e aparência impecável. Quantas pessoas... tantas pessoas vão e vêm freneticamente, todas com pressa, com um aspecto de cansaço e com várias sacolas, tantas sacolas quanto lojas, em um lugar que sem dúvida enfrenta graves problemas.
Tantas mães em plena adolescência, carregando seus filhos, outras crianças, no meio da rua estreita. Tento seguir com o meu carro, desviando de outros carros, carroças, bicicletas, motos e pessoas. Lá vem um ônibus. Percebo que todos que antes ocupavam a estreita rua se dispersam, sobem nas calçadas, entram nas ruas transversais. Como é a minha primeira vez nesse lugar, imito a ação. O ônibus segue seu curso e mais uma vez a rua estreita é tomada.
Algumas pessoas estão sentadas em suas portas, menosprezando os problemas das outras, afinal elas sofrem muito mais. Vejo uma jovem bem magra, extremamente suja, sentada na calçada da rua estreita, em meio ao lixo e o esgoto que escorre a céu aberto, conferindo as moedas que ganhou dos motoristas que por ali passavam. Ela já desistiu de pedir ajuda para os pedestres cheios de sacolas, pois sempre que chegam ao ponto da calçada em que ela se encontra, lançam um olhar de indiferença e desprezo, e atravessam a rua estreita, afinal eles não podem sustentar o vício (fome) que ela tem, pois eles têm muitas contas a pagar.
Dobro a esquina para sair da rua estreita, e me deparo com um muro pichado com o nome de uma facção criminosa. Vejo mais moradores sentados em suas portas. Lembro de uma notícia em que moradores como aqueles, em um bairro como aquele, foram expulsos de suas casas por traficantes que dominavam o lugar. Percebo que os rostos dos moradores deste estreito bairro têm uma mistura de medo e conformismo. Essa “é a eterna contradição humana”.
VELOSO, Gabriela Lages. Crônica Insight. In: Coletânea de Contos e Crônicas - Vencedores do Prêmio Literário AMEI 2020. São Luís: Viegas Editora, 2021.
Era uma rua estreita, muito estreita, com uma infinidade de pequenas lojas por todos os lados. Além de uma feira, uma borracharia, casas e uma igreja, que se destacava no ambiente, por suas dimensões e aparência impecável. Quantas pessoas... tantas pessoas vão e vêm freneticamente, todas com pressa, com um aspecto de cansaço e com várias sacolas, tantas sacolas quanto lojas, em um lugar que sem dúvida enfrenta graves problemas.
Tantas mães em plena adolescência, carregando seus filhos, outras crianças, no meio da rua estreita. Tento seguir com o meu carro, desviando de outros carros, carroças, bicicletas, motos e pessoas. Lá vem um ônibus. Percebo que todos que antes ocupavam a estreita rua se dispersam, sobem nas calçadas, entram nas ruas transversais. Como é a minha primeira vez nesse lugar, imito a ação. O ônibus segue seu curso e mais uma vez a rua estreita é tomada.
Algumas pessoas estão sentadas em suas portas, menosprezando os problemas das outras, afinal elas sofrem muito mais. Vejo uma jovem bem magra, extremamente suja, sentada na calçada da rua estreita, em meio ao lixo e o esgoto que escorre a céu aberto, conferindo as moedas que ganhou dos motoristas que por ali passavam. Ela já desistiu de pedir ajuda para os pedestres cheios de sacolas, pois sempre que chegam ao ponto da calçada em que ela se encontra, lançam um olhar de indiferença e desprezo, e atravessam a rua estreita, afinal eles não podem sustentar o vício (fome) que ela tem, pois eles têm muitas contas a pagar.
Dobro a esquina para sair da rua estreita, e me deparo com um muro pichado com o nome de uma facção criminosa. Vejo mais moradores sentados em suas portas. Lembro de uma notícia em que moradores como aqueles, em um bairro como aquele, foram expulsos de suas casas por traficantes que dominavam o lugar. Percebo que os rostos dos moradores deste estreito bairro têm uma mistura de medo e conformismo. Essa “é a eterna contradição humana”.
VELOSO, Gabriela Lages. Crônica Insight. In: Coletânea de Contos e Crônicas - Vencedores do Prêmio Literário AMEI 2020. São Luís: Viegas Editora, 2021.
👁️ 856
(Re)começo
Dias iguais, formam pessoas
iguais, que vivem vidas iguais.
E, assim, o ciclo recomeça.
Até o instante em que um
livro é aberto. E a realidade
salta diante de um par de
olhos atentos, de alguém
que será tachado de ridículo
por pessoas ocupadas pelo
cotidiano. Tanto tempo se
passou, mas ainda temos
medo de sair da caverna.
***
(Re)comienzo
Días iguales, forman personas
iguales que viven vidas iguales.
Y así el ciclo comienza de nuevo.
Hasta el momento en que un
se abre el libro. Y la realidad
salta ante un par de ojos atentos,
de alguien que se llamará ridículo
por personas ocupadas por la
vida cotidiana. Tanto tiempo ha
pasado, pero todavía tenemos
miedo de salir de la cueva.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema (Re)começo. In: Revista Kametsa, Peru, 24 ago. 2021.
iguais, que vivem vidas iguais.
E, assim, o ciclo recomeça.
Até o instante em que um
livro é aberto. E a realidade
salta diante de um par de
olhos atentos, de alguém
que será tachado de ridículo
por pessoas ocupadas pelo
cotidiano. Tanto tempo se
passou, mas ainda temos
medo de sair da caverna.
***
(Re)comienzo
Días iguales, forman personas
iguales que viven vidas iguales.
Y así el ciclo comienza de nuevo.
Hasta el momento en que un
se abre el libro. Y la realidad
salta ante un par de ojos atentos,
de alguien que se llamará ridículo
por personas ocupadas por la
vida cotidiana. Tanto tiempo ha
pasado, pero todavía tenemos
miedo de salir de la cueva.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema (Re)começo. In: Revista Kametsa, Peru, 24 ago. 2021.
👁️ 845
A água
Carrego a vida em minhas moléculas.
Assumo os mais diversos estados,
Mas, em todos eles,
Tenho o poder de regenerar.
Sou mãe de todos os seres vivos,
Às vezes, me faço tranquila.
Doce remanso.
Às vezes, sou intempestiva.
Fúria dos mares.
Em todos as minhas formas,
Cuido e sustento a vida.
Tudo o que peço é reciprocidade.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema A água. In: Além da Casca, azeda e doce: 1ª Coletânea Tamarina Literária. Rio Grande do Norte, 2021.
Assumo os mais diversos estados,
Mas, em todos eles,
Tenho o poder de regenerar.
Sou mãe de todos os seres vivos,
Às vezes, me faço tranquila.
Doce remanso.
Às vezes, sou intempestiva.
Fúria dos mares.
Em todos as minhas formas,
Cuido e sustento a vida.
Tudo o que peço é reciprocidade.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema A água. In: Além da Casca, azeda e doce: 1ª Coletânea Tamarina Literária. Rio Grande do Norte, 2021.
👁️ 326
Tempo
Não é preciso viver mil
primaveras para fazer
as pazes com o tempo.
Nem, tampouco, para ser
dele um eterno aprendiz.
Nele existe uma grande
simplicidade: tudo o que
vivi ontem, ecoa hoje.
E tudo o que faço hoje,
irá reverberar amanhã.
Mas, cuidado para não te
tornares um refém do amanhã,
à mercê das Moiras, que insistem
em determinar as linhas do destino.
Não sejas prisioneiro delas.
Antes de ser simplesmente
levado ao acaso, torna-te o guia
dessa jornada. Para que, assim,
encontres o equilíbrio necessário
para tecer o grande novelo da vida.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Tempo. In: Revista Sucuru, Paraíba, 2022.
primaveras para fazer
as pazes com o tempo.
Nem, tampouco, para ser
dele um eterno aprendiz.
Nele existe uma grande
simplicidade: tudo o que
vivi ontem, ecoa hoje.
E tudo o que faço hoje,
irá reverberar amanhã.
Mas, cuidado para não te
tornares um refém do amanhã,
à mercê das Moiras, que insistem
em determinar as linhas do destino.
Não sejas prisioneiro delas.
Antes de ser simplesmente
levado ao acaso, torna-te o guia
dessa jornada. Para que, assim,
encontres o equilíbrio necessário
para tecer o grande novelo da vida.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Tempo. In: Revista Sucuru, Paraíba, 2022.
👁️ 618
La vida
Soy intensamente breve,
Como un sueño.
Hecho de fragmentos de instantes.
Y en esa brevedad mía
De segundos contados,
Debo ser tratada con prudencia.
En las tormentas,
Los pesos deben ser arrojados
En el mar del olvido.
En bonanza
Los recuerdos deben ser recogidos
Con ternura, al abrigo de la memoria.
En mí, todo es esencial
Lluvia y aridez.
Me resisto al tiempo y al mal tiempo.
No tengo rutas fijas,
Soy caleidoscópico.
Así que no te equivoques
No hay un solo propósito para mí
Soy un enigma por descubrir.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema La Vida. Revista Los Trapos, 30 jun. 2022.
Como un sueño.
Hecho de fragmentos de instantes.
Y en esa brevedad mía
De segundos contados,
Debo ser tratada con prudencia.
En las tormentas,
Los pesos deben ser arrojados
En el mar del olvido.
En bonanza
Los recuerdos deben ser recogidos
Con ternura, al abrigo de la memoria.
En mí, todo es esencial
Lluvia y aridez.
Me resisto al tiempo y al mal tiempo.
No tengo rutas fijas,
Soy caleidoscópico.
Así que no te equivoques
No hay un solo propósito para mí
Soy un enigma por descubrir.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema La Vida. Revista Los Trapos, 30 jun. 2022.
👁️ 470
O eco de Atenas
Eu, e minhas circunstâncias,
caminhamos, lado a lado,
rumo ao desconhecido,
tendo a poesia como guia.
Por ruas de cantaria,
pelo labirinto de becos
e escadarias, escuta-se
o eco do silêncio.
Do silêncio surge a poesia,
ela vem envolta nas cores
dos azulejos, no canto dos
bem-te-vis, nas ondas do mar.
Dos sobrados e igrejas,
ecoam lendas e mistérios,
a poesia destilada da saudade.
***
El eco de Atenas
Yo, y mis circunstancias
caminamos, lado a lado,
hacia lo desconocido,
con la poesía como guía.
A través de calles de cantaria,
del laberinto de callejones
y escaleras, se escucha
el eco del silencio.
Del silencio surge la poesía,
viene envuelta en los colores
de los azulejos, en el canto de
los benteveos, en las olas del mar.
De los antiguos sobrados
y las iglesias, las leyendas
y los misterios resuenan,
la poesía destilada del anhelo.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema El eco de Atenas. Revista Los Trapos, Argentina, 15 abr. 2022.
caminhamos, lado a lado,
rumo ao desconhecido,
tendo a poesia como guia.
Por ruas de cantaria,
pelo labirinto de becos
e escadarias, escuta-se
o eco do silêncio.
Do silêncio surge a poesia,
ela vem envolta nas cores
dos azulejos, no canto dos
bem-te-vis, nas ondas do mar.
Dos sobrados e igrejas,
ecoam lendas e mistérios,
a poesia destilada da saudade.
***
El eco de Atenas
Yo, y mis circunstancias
caminamos, lado a lado,
hacia lo desconocido,
con la poesía como guía.
A través de calles de cantaria,
del laberinto de callejones
y escaleras, se escucha
el eco del silencio.
Del silencio surge la poesía,
viene envuelta en los colores
de los azulejos, en el canto de
los benteveos, en las olas del mar.
De los antiguos sobrados
y las iglesias, las leyendas
y los misterios resuenan,
la poesía destilada del anhelo.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema El eco de Atenas. Revista Los Trapos, Argentina, 15 abr. 2022.
👁️ 12
Das horas vagas
A poesia se contradiz.
Abriga o universo dentro
de si, mas encontra-se
no aconchego do lar.
A poesia é um bordado
de silêncios, que está
escondido no canto azul
dos pássaros, e, no som
do mar, contido nas conchas.
A poesia é o que não acontece,
o eco insistente das horas vagas.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Das horas vagas. Revista Sucuru, 21 abr. 2022.
Abriga o universo dentro
de si, mas encontra-se
no aconchego do lar.
A poesia é um bordado
de silêncios, que está
escondido no canto azul
dos pássaros, e, no som
do mar, contido nas conchas.
A poesia é o que não acontece,
o eco insistente das horas vagas.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Das horas vagas. Revista Sucuru, 21 abr. 2022.
👁️ 154
Macabéa
Com quantas Macabéas se faz
o mundo? Mulheres pacatas, desajeitadas, silenciadas, que
quase não deixam marcadas
suas imagens no espelho.
Macabéa, até quando aceitarás
o destino que te impuseram?
Até quando permanecerás invisível?
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Macabéa. Revista Sucuru - 13 ed., p. 26, 31 mar. 2022.
o mundo? Mulheres pacatas, desajeitadas, silenciadas, que
quase não deixam marcadas
suas imagens no espelho.
Macabéa, até quando aceitarás
o destino que te impuseram?
Até quando permanecerás invisível?
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Macabéa. Revista Sucuru - 13 ed., p. 26, 31 mar. 2022.
👁️ 460
Comentários (4)
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Gabriela Lages Veloso
2021-04-08
Luana, minha amiga, obrigada!
Luana Kerly
2021-04-08
Perfeitos!! ????
Gabriela Lages Veloso
2021-04-05
Muito obrigada pela leitura, João Euzébio!
joaoeuzebio
2021-04-05
COMO AS PALAVRAS FLUEM EM UM JEITO MAGICO DE POEMA ÉLINDO UM ABRAÇO
Contista, cronista, poetisa e ensaísta. Em 2021, foi membro da Revista Literatura Errante. Atualmente, é Colunista da Revista Sucuru e Editora da Sociedade Carolina.
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