Lista de Poemas
Do Outro lado
Se algum dia, pelo
mínimo que seja,
alguém conseguir sair
do seu micro-mundo,
e, por uma única vez,
sentir, na própria
pele, as conquistas
e dores alheias...
Se algum dia, apenas,
alguém notar que
existe um universo
além de nós, e,
quem sabe, lutar
por causas que não
lhe dizem respeito...
Se algum dia,
alguém estiver
pronto para
ajudar o outro,
sem barganhas.
Rir e chorar,
fazer o que for
preciso pelo
bem de todos...
Então, esse alguém
descobriu o real
significado da empatia.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Do Outro lado. In: Coletânea de Poetas Brasileiros Contemporâneos. Curitiba: Editora Persona, 2021.
mínimo que seja,
alguém conseguir sair
do seu micro-mundo,
e, por uma única vez,
sentir, na própria
pele, as conquistas
e dores alheias...
Se algum dia, apenas,
alguém notar que
existe um universo
além de nós, e,
quem sabe, lutar
por causas que não
lhe dizem respeito...
Se algum dia,
alguém estiver
pronto para
ajudar o outro,
sem barganhas.
Rir e chorar,
fazer o que for
preciso pelo
bem de todos...
Então, esse alguém
descobriu o real
significado da empatia.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Do Outro lado. In: Coletânea de Poetas Brasileiros Contemporâneos. Curitiba: Editora Persona, 2021.
👁️ 579
(Re)viver
Agendas cheias de
compromissos vazios
nos tornam apáticos e
indiferentes ao mundo
ao nosso redor. É preciso
que algo aconteça para
nos acordar do transe
cotidiano. Esse é o papel
da arte: trazer um sopro
de vida aos nossos dias
e apurar nossos olhares
e consciências. A arte –
em cada nota, tinta ou
letra – salva vidas.
***
(Re)vivir
Agendas llenas de
compromisos vacíos
nos hace apáticos e
indiferentes al mundo
a nuestro alrededor.
Se necesita que le ocurra
algo para despertarnos de nuestro
trance. Este es el papel
del arte: aportar un soplo
de vida a nuestros días
y agudizar la vista y
la concienciación. Arte –
en cada nota, tinta o
letra – salva vidas.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema (Re)viver. In: Revista Kametsa, Peru, 24 ago. 2021.
compromissos vazios
nos tornam apáticos e
indiferentes ao mundo
ao nosso redor. É preciso
que algo aconteça para
nos acordar do transe
cotidiano. Esse é o papel
da arte: trazer um sopro
de vida aos nossos dias
e apurar nossos olhares
e consciências. A arte –
em cada nota, tinta ou
letra – salva vidas.
***
(Re)vivir
Agendas llenas de
compromisos vacíos
nos hace apáticos e
indiferentes al mundo
a nuestro alrededor.
Se necesita que le ocurra
algo para despertarnos de nuestro
trance. Este es el papel
del arte: aportar un soplo
de vida a nuestros días
y agudizar la vista y
la concienciación. Arte –
en cada nota, tinta o
letra – salva vidas.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema (Re)viver. In: Revista Kametsa, Peru, 24 ago. 2021.
👁️ 840
A janela
Aqui dessa janela,
Eu vejo o mundo enquadrado.
É certo que os vidros estão
Um tanto embaçados e,
Até mesmo, trincados
Em alguns pontos.
Mas, daqui, eu enxergo
A vida lá fora.
Dessa janela,
Eu observo a lua, o sol,
O passar das estações,
O ir e vir de pessoas,
Que através de outras janelas
Contemplam o mundo
Sob outros tons.
Talvez, após alguns reparos
Em minha janela,
Eu enxergue a vida
Sem meias-palavras ou
Quem sabe, eu só fique
Mais ludibriado com
Os sons inaudíveis
De lugares fora dos meus horizontes.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema A janela. In: Coletânea Universo Poético. São Paulo: Editora Delicatta, 2021.
Eu vejo o mundo enquadrado.
É certo que os vidros estão
Um tanto embaçados e,
Até mesmo, trincados
Em alguns pontos.
Mas, daqui, eu enxergo
A vida lá fora.
Dessa janela,
Eu observo a lua, o sol,
O passar das estações,
O ir e vir de pessoas,
Que através de outras janelas
Contemplam o mundo
Sob outros tons.
Talvez, após alguns reparos
Em minha janela,
Eu enxergue a vida
Sem meias-palavras ou
Quem sabe, eu só fique
Mais ludibriado com
Os sons inaudíveis
De lugares fora dos meus horizontes.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema A janela. In: Coletânea Universo Poético. São Paulo: Editora Delicatta, 2021.
👁️ 855
Chuva
Existe algo de mágico
Na chuva.
Algo místico
Que desperta as memórias
Mais profundas.
Essas nuvens pesadas
Nos transportam
Para outros tempos e lugares,
Revivem momentos
Que fazem morada
Na intimidade da alma.
Para alguns,
Trazem boas lembranças.
Para outros,
Saudades incuráveis.
Mas, certo é que não se pode
Sair o mesmo de um dia como esse.
Na chuva.
Algo místico
Que desperta as memórias
Mais profundas.
Essas nuvens pesadas
Nos transportam
Para outros tempos e lugares,
Revivem momentos
Que fazem morada
Na intimidade da alma.
Para alguns,
Trazem boas lembranças.
Para outros,
Saudades incuráveis.
Mas, certo é que não se pode
Sair o mesmo de um dia como esse.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Chuva. In: Revista Sucuru, 08 abr. 2021.
👁️ 542
Pôr do sol
Dia.
Noite.
Caminho entre a luz e a sombra.
Excesso.
Ausência.
Procuro o entrelugar.
Direita.
Esquerda.
Habito a terceira margem.
Vivo na linha tênue do horizonte.
Nem isto, nem aquilo.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Pôr do sol. Ser MulherArte - Revista Feminina de Arte Contemporânea, 15 mar. 2021.
Noite.
Caminho entre a luz e a sombra.
Excesso.
Ausência.
Procuro o entrelugar.
Direita.
Esquerda.
Habito a terceira margem.
Vivo na linha tênue do horizonte.
Nem isto, nem aquilo.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Pôr do sol. Ser MulherArte - Revista Feminina de Arte Contemporânea, 15 mar. 2021.
👁️ 615
Holograma
Por um instante,
Olhe ao seu redor
O que você vê?
Não me refiro
À ilusão de ótica
Que te cerca,
E sim, a todos nós.
Quem é você?
Não me refiro
À essa miragem com três dimensões,
Que não passa de uma mera máscara,
E sim, à sua verdadeira face.
Sorria,
Consuma,
Compre esse estilo de vida,
Seja o que todos são.
Realidade. Luz. Ação.
Mas, novamente pergunto
Quem é você?
Algo vazio pode ter profundidade?
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Holograma. In: Revista Tamarina Literária, Rio Grande do Norte, 02 mar. 2021
Olhe ao seu redor
O que você vê?
Não me refiro
À ilusão de ótica
Que te cerca,
E sim, a todos nós.
Quem é você?
Não me refiro
À essa miragem com três dimensões,
Que não passa de uma mera máscara,
E sim, à sua verdadeira face.
Sorria,
Consuma,
Compre esse estilo de vida,
Seja o que todos são.
Realidade. Luz. Ação.
Mas, novamente pergunto
Quem é você?
Algo vazio pode ter profundidade?
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Holograma. In: Revista Tamarina Literária, Rio Grande do Norte, 02 mar. 2021
👁️ 451
Gaia
A cada volta, um novo ciclo.
Estou presa nas areias do tempo.
Passam-se dias, meses, anos,
E aqui estou eu.
Já presenciei muitas histórias,
Desse ser, que em mim habita.
Como mãe, que sou,
Contemplei todos os passos de meus filhos,
Em cavernas, aldeias, reinos, impérios, metrópoles
E no que ainda está por vir,
Nessa longa estrada.
Presa nos ponteiros do relógio,
Observei guerras intermináveis,
O passar de incontáveis estações.
Flor, folha, neve e sol.
Vi a vida ressurgir,
O amor permanecer,
Um novo ciclo começar,
Sonho ou liberdade?
Estou presa nas areias do tempo.
Passam-se dias, meses, anos,
E aqui estou eu.
Já presenciei muitas histórias,
Desse ser, que em mim habita.
Como mãe, que sou,
Contemplei todos os passos de meus filhos,
Em cavernas, aldeias, reinos, impérios, metrópoles
E no que ainda está por vir,
Nessa longa estrada.
Presa nos ponteiros do relógio,
Observei guerras intermináveis,
O passar de incontáveis estações.
Flor, folha, neve e sol.
Vi a vida ressurgir,
O amor permanecer,
Um novo ciclo começar,
Sonho ou liberdade?
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Gaia. In: Antologia Poética Elas, a poesia, o indescritível. Florianópolis: Editora Expressividade, 2021.
👁️ 426
Vênus
Folheando uma revista,
Deparo com um rosto, uma história.
Uma mulher impecável,
A beleza personificada.
Mas, ao observar atentamente
Sua face, vejo apenas uma forma,
Um esboço de vida.
Folheando o grande livro da história,
Deparo com uma luta ancestral
Pelo pomo da discórdia.
Muitos sóis e luas se passaram,
E a pergunta permanece:
Quem é a mais bela?
Com o passar das estações,
Em um giro pelo globo,
As formas mudaram,
Sempre mais apertadas,
Inalcançáveis
E cruéis.
Talvez, em um futuro distante,
Alguém compreenda que
A beleza é um espelho de muitas faces.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Vênus. Ser MulherArte - Revista Feminina de Arte Contemporânea, 15 mar. 2021.
Deparo com um rosto, uma história.
Uma mulher impecável,
A beleza personificada.
Mas, ao observar atentamente
Sua face, vejo apenas uma forma,
Um esboço de vida.
Folheando o grande livro da história,
Deparo com uma luta ancestral
Pelo pomo da discórdia.
Muitos sóis e luas se passaram,
E a pergunta permanece:
Quem é a mais bela?
Com o passar das estações,
Em um giro pelo globo,
As formas mudaram,
Sempre mais apertadas,
Inalcançáveis
E cruéis.
Talvez, em um futuro distante,
Alguém compreenda que
A beleza é um espelho de muitas faces.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Vênus. Ser MulherArte - Revista Feminina de Arte Contemporânea, 15 mar. 2021.
👁️ 460
A grande ilha
Ao atravessar o exato ponto entre céu e mar,
a tênue linha do horizonte
envolta no ir e vir das ondas,
se pode avistar a grande ilha.
Assim, ao longe, sendo constantemente
ofuscado pelos raios solares,
não se consegue ter uma imagem nítida,
somente os esboços de uma cidade.
Pouco a pouco, a ilha se mostra.
Ao chegar em terra firme,
já com os pés calcados na areia,
se pode ter um vislumbre do lugar.
O vento sopra forte e a praia parece deserta,
há somente alguns transeuntes na calçada
e, vez por outra, algum automóvel.
Muitos prédios de luxo compõem a paisagem,
imponentes e frios,
indiferentes à natureza que os cerca,
ou o que dela restou.
Na faixa de areia, o esgoto segue o seu caminho para o mar
sempre em frente,
esse é o preço do progresso.
Mas o coração dessa cidade não se encontra aqui,
é preciso ir além, até as ruínas sobreviventes ao tempo.
Há uma beleza única nessas ruas de cantaria
e nesses antigos casarões, com seus azulejos partidos.
A cidade conta a sua história
em cada pedra, rosto e som.
Na ânsia de viver permanentemente no presente,
o passado está sendo apagado.
Muitas construções foram jogadas às traças.
Algumas foram demolidas,
Outras se tornaram estacionamentos,
pois as ruas estreitas já não comportam
tamanho fluxo de pessoas, insetos e veículos.
O esgoto segue seu caminho para o mar.
Aqui se pode vê-lo por toda a parte,
em poças nas praças,
escorrendo pelas ladeiras
e disputando as calçadas com os mendigos.
Há muitos deles por toda a parte,
mas ninguém parece notá-los,
são deixados ali, para depois,
mas esse tempo nunca chega.
Após atravessar a ponte
e deixar a cidade velha para trás,
surgem novas construções,
cada vez mais altas e luxuosas.
Curiosamente os construtores desses prédios
jamais poderão, ao menos, visitá-los.
Esse mundo não os comporta.
A grande ilha continua se expandindo,
ocupando novos espaços,
poluindo os olhos d´água remanescentes,
desmatando e destruindo a natureza,
repetindo os mesmos erros de seus exploradores.
Agora, o que nos resta ver nessa cidade são as suas margens,
os lugares negligenciados por todos.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema A grande ilha. In: Revista Granuja, México, 05 abr. 2021.
a tênue linha do horizonte
envolta no ir e vir das ondas,
se pode avistar a grande ilha.
Assim, ao longe, sendo constantemente
ofuscado pelos raios solares,
não se consegue ter uma imagem nítida,
somente os esboços de uma cidade.
Pouco a pouco, a ilha se mostra.
Ao chegar em terra firme,
já com os pés calcados na areia,
se pode ter um vislumbre do lugar.
O vento sopra forte e a praia parece deserta,
há somente alguns transeuntes na calçada
e, vez por outra, algum automóvel.
Muitos prédios de luxo compõem a paisagem,
imponentes e frios,
indiferentes à natureza que os cerca,
ou o que dela restou.
Na faixa de areia, o esgoto segue o seu caminho para o mar
sempre em frente,
esse é o preço do progresso.
Mas o coração dessa cidade não se encontra aqui,
é preciso ir além, até as ruínas sobreviventes ao tempo.
Há uma beleza única nessas ruas de cantaria
e nesses antigos casarões, com seus azulejos partidos.
A cidade conta a sua história
em cada pedra, rosto e som.
Na ânsia de viver permanentemente no presente,
o passado está sendo apagado.
Muitas construções foram jogadas às traças.
Algumas foram demolidas,
Outras se tornaram estacionamentos,
pois as ruas estreitas já não comportam
tamanho fluxo de pessoas, insetos e veículos.
O esgoto segue seu caminho para o mar.
Aqui se pode vê-lo por toda a parte,
em poças nas praças,
escorrendo pelas ladeiras
e disputando as calçadas com os mendigos.
Há muitos deles por toda a parte,
mas ninguém parece notá-los,
são deixados ali, para depois,
mas esse tempo nunca chega.
Após atravessar a ponte
e deixar a cidade velha para trás,
surgem novas construções,
cada vez mais altas e luxuosas.
Curiosamente os construtores desses prédios
jamais poderão, ao menos, visitá-los.
Esse mundo não os comporta.
A grande ilha continua se expandindo,
ocupando novos espaços,
poluindo os olhos d´água remanescentes,
desmatando e destruindo a natureza,
repetindo os mesmos erros de seus exploradores.
Agora, o que nos resta ver nessa cidade são as suas margens,
os lugares negligenciados por todos.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema A grande ilha. In: Revista Granuja, México, 05 abr. 2021.
👁️ 549
Involução
Uma chance.
Um legado.
Duas faces de uma mesma moeda.
A educação mantém sua marcha.
Luta.
Indiferença.
Pratos de uma mesma balança.
A educação resiste.
Leis. Avanços. Retrocessos.
De repente, o mundo parou.
As diferenças se acentuaram.
Evasão.
Tecnologia.
Os adaptados sobrevivem?
A educação se perdeu no caminho.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Involução. Ser MulherArte - Revista Feminina de Arte Contemporânea, 15 mar. 2021.
Um legado.
Duas faces de uma mesma moeda.
A educação mantém sua marcha.
Luta.
Indiferença.
Pratos de uma mesma balança.
A educação resiste.
Leis. Avanços. Retrocessos.
De repente, o mundo parou.
As diferenças se acentuaram.
Evasão.
Tecnologia.
Os adaptados sobrevivem?
A educação se perdeu no caminho.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Involução. Ser MulherArte - Revista Feminina de Arte Contemporânea, 15 mar. 2021.
👁️ 450
Comentários (4)
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Gabriela Lages Veloso
2021-04-08
Luana, minha amiga, obrigada!
Luana Kerly
2021-04-08
Perfeitos!! ????
Gabriela Lages Veloso
2021-04-05
Muito obrigada pela leitura, João Euzébio!
joaoeuzebio
2021-04-05
COMO AS PALAVRAS FLUEM EM UM JEITO MAGICO DE POEMA ÉLINDO UM ABRAÇO
Contista, cronista, poetisa e ensaísta. Em 2021, foi membro da Revista Literatura Errante. Atualmente, é Colunista da Revista Sucuru e Editora da Sociedade Carolina.
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