Lista de Poemas
Ontem passei por aqui...
Quando passei por aqui encontrei as fenestras da solidão
Tão fechadas, quase algemadas a um lamento especulativo
Apenas consegui tatear donde vinha aquele afago interativo
Ontem passei por aqui e deixei à janela do tempo uma eternidade
Confinada à academia do meu lirismo mais poético e tão cognitivo
Ali me despi e de tocaia embrenhei-me em cada mágico silêncio altivo
Por onde passei passeou-se uma hora prenhe, fecunda e putativa
Em linhas de giz escrevi o prefácio das tuas sedentas caricias apelativas
E por fim adormeci juntinho às coxas desnudas desta solidão tão superlativa
Por onde passei deixei as palavras em litigio alimentar uma prece recreativa
Opus-me ferozmente àquela solidão que teimava ser arguida nesta paz infinitiva
E dali extraí o mesmo silêncio que pastava na sucursal das brisas amenas e sensitivas
Frederico de Castro
A chuva também sabe dançar
A chuva dança ao som de uma rumba elegante e arrebatadora
Sapateia entre cada pingo de chuva caindo no meio da solidão desertora
Sua sincopação extravasa a sensualidade de todas as carícias tão generosas
Ao som de um prodigioso eco o tempo tatua cada hora macilenta, felina e refulgente
Revela-me as nitentes batidas do coração que respinga ao ritmo de cada uivo urgente
Enquanto flamam palavras prenhes e seduzidas pela escuridão mansa e fluorescente
Frederico de Castro
Juro-te lua
para a Carla
Em cacos a noite adormece estilhaçada, tão penosa e sentenciada
Advém deste silêncio minhas preces saboreadas numa brisa solene e enamorada
Tal qual a imensidão de escuridões pousadas no tapume das palavras mais estouvadas
Juro-te lua soltar teu luar para apascentar o imarcescível horizonte de breus louvados
Congregar em cada gargalhada o sabor faminto das ânsias e dos desejos agora revelados
Acantonar-me nas margens do silêncio onde desbravo um turbilhão de ecos bem preservados
Juro-te lua dessedentar-te nas mais íngremes estepes dos céus voláteis vorazes e impulsivos
No perímetro da noite contornar a geometria dos tempos periféricos, mágicos e compassivos
Medindo a tridimensão de cada hora onde assenta a solidão do teu olhar ainda tão persuasivo
Frederico de Castro
Juro-te lua
para a Carla
Em cacos a noite adormece estilhaçada, tão penosa e sentenciada
Advém deste silêncio minhas preces saboreadas numa brisa solene e enamorada
Tal qual a imensidão de escuridões pousadas no tapume das palavras mais estouvadas
Juro-te lua soltar teu luar para apascentar o imarcescível horizonte de breus louvados
Congregar em cada gargalhada o sabor faminto das ânsias e dos desejos agora revelados
Acantonar-me nas margens do silêncio onde desbravo um turbilhão de ecos bem preservados
Juro-te lua dessedentar-te nas mais íngremes estepes dos céus voláteis vorazes e impulsivos
No perímetro da noite contornar a geometria dos tempos periféricos, mágicos e compassivos
Medindo a tridimensão de cada hora onde assenta a solidão do teu olhar ainda tão persuasivo
Frederico de Castro
E se preciso for...
E se preciso for, tatuarei os céus com azuis tão mágicos
Todos eles empoleirados num enfeitiçante eco subjugado
Tantos deles pastando no redil dos meus silêncios ali manietados
Surripiam cada murmúrio que macio ornamenta uma carícia atordoada
Engodam tantas gargalhadas empolgadas, aconchegantes e apaixonadas
Arrojam-se aos pés do silêncio que escorrega pelo palato das meiguices empolgadas
E se preciso for, fecundarei o gineceu das palavras famintas e tão privilegiadas
Para que se homenageie a solidão ilustrada num sussurro canonizado, ali manietado
E no frescor aromático de cada desejo, lambuzar-me com muitos, tantos afagos enamorados
Frederico de Castro
Em Órbita
Estou em órbita em torno da Terra
Vejo-me noutra dimensão e perspectiva
Gosto do espaço amplo e genérico porque
Ali não há mal-entendidos, nem caos ou desordem
Há somente nada e um pouco de quase tudo…
Frederico de Castro
Dói-me tanto a alma...
oje esgotou-se a solidão trajada de silêncios quase impunes
Deixou resíduos de mágoas, ali a bolinar tão serenamente vulneráveis
Devorou a luz que imune, se escondia entre as fendas do tempo imparável
Hoje dói-me tanto a alma que até me esqueci de lograr o silêncio impenetrável
Ver entardecer o dia regando com lágrimas o jardim de preces mágicas e afáveis
Costurar neste poema a indumentária de cada uivo felino, voraz e indecifrável
Sem pudores despe-se a alma regurgitando sua nudez tão lírica, poética e passional
Escancara a janela das emoções onde se trajam palavras gizadas numa brisa mitigável
Onde todos os indeléveis improvisos da minha tristeza ali dormitam tão volúveis e imutáveis
Frederico de Castro
Fechei os olhos...
Fechei os olhos e olhei pra dentro de cada sonho profícuo
Ali, onde o dia renasce íntimo, sereno e longínquo
Além onde o olhar penetra escondido, sorrindo, grandíloquo
Fechei os olhos e deixei que cada pestanejar visse o relampejar
Daquela carícia anatómica, insinuante e tão, tão expiatória
Assim jaz a manhã desnudando uma brisa felina, ferida…propiciatória
Frederico de Castro
TRANSMIGRAÇÃO
Pelo riacho do tempo surgem azuis que pastam a solidão
Deambulando num sincrónico silêncio majestoso e tão apaixonado
Banham os peitoris de cada hora adormecida entre os flancos de um eco esganiçado
No jardim das palavras dá-se a metamorfose de todos os murmúrios cobiçados
Ordenham-se as brisas esvoaçando por um estrito e restrito desejo quase enfeitiçado
Onde se sepulta a maresia transmigrando num oceano de prazeres tão bem esmiuçados
Frederico de Castro
Mirei a noite
À meia noite e picos desnudei este olhar divagante
Ornei a escuridão com breus felinos e tão extravagantes
Escondi no véu do tempo tantas lamúrias asfixiantes
Todas elas esgrimindo muitas, tantas preces fragrantes…
Frederico de Castro
Comentários (3)
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!
Português
English
Español