Escritas

Lista de Poemas

Espumante


para a Carla

Espuma a noite sua escuridão flamejante e tão fluidificante
Agiganta-se ao tocar a soleira dos teus sussurros gratificantes
Tatuam cada brisa que além deambula, faminta farta e suplicante

Na selva luxuriante dos murmúrios adormece uma hora inadiável
Planta neste poema um lírico e apaixonante silêncio tão infindável
Aromatiza uma saraivada de gargalhadas maiúsculas e inesgotáveis

Frederico de Castro
👁️ 92

Tens-me aqui à mão...


Tens-me aqui à mão…junto ao dorso deste silêncio aclamado
Dormito se preciso for entre os cílios do teu pestanejar enamorado
Rego com lágrimas dóceis os beirais onde desemboca um eco desenfreado

Tens-me à mão de semear…bem perto de cada gentil abraço tão prolongado
A cada hora amamentar-te as palavras que tateiam o olhar mais corroborado
Perder-me no armistício dos murmúrios aguerridos, vorazes e quase atarantados

Frederico de Castro
👁️ 41

Cheguei esta noite


Cheguei esta noite pra sentir o marasmo de um luar
Tão casto, sereno, subtil e além emaranhado
E até indaguei cada breu indescritível e tão inefável

Cheguei esta noite e amamentei a escuridão etérea e magnífica
Descodifiquei a beatitude de cada carícia tão soporífera
Colori a fluidez das palavras apaixonantes que o luar além petrifica

Frederico de Castro
👁️ 70

Ao olhar, olhei…e vi vestígios da solidão


Olhei de soslaio e vislumbrei na cúpula do tempo
Um segundo desvirginar a ladeira da solidão ali pendente
De súbito um pênsil murmúrio sustenta toda esta ilusão ardente

Ao olhar, olhei…vestígios da solidão e assim num manto de preces
Invisíveis ornamentei a sinagoga da esperança onde mora esta fé confidente
Num momento de prazer deixei a verve de palavras escrevinhar um eco estridente

Mordendo e sorvendo cada carícia prosaica, poética, lírica e tão omnipresente
Deixei sucumbir um verbo bordado no naperon dos sussurros luminescentes
Todo ele apascenta um lambuzado desejo vasculhado por ofegantes afagos reincidentes

Frederico de Castro
👁️ 93

Fitando o tempo


para o Lucas

Fitei o tempo onde um frio e conciso silêncio dormitava
Exibi, incuti e quase impingi à solidão aquela ilusão
Bebericada na mais fluorescente escuridão que ali capitulava

Escorreguei pela planície das emoções cristalinas e devotadas
Abeirei-me da auréola da alma que tiritava sedenta e tão enamorada
Redescobri no tempo todo o masoquismo sequestrado numa palavra rejeitada

Não fora estes silêncios e os murmúrios soariam quais uivos devastados ou sopitados
Cavalgaria juntinho à armada de palavras escondidas do fulcro dos afagos subjugados
Partilharia todas as alucinações tão infecciosas, intimidantes e agora ressuscitadas

Frederico de Castro
👁️ 118

Amo o silêncio


Amo o silêncio e quanto mais íntegro melhor
Gosto de o cultivar semeando-o no mais exímio e
peregrino eco que além ecoa…feliz e silencioso
Gosto de o manipular e amiúde dar-lhe plena exclusividade
Já me converti a ele definitivamente sem omitir um latido objetivamente
Valorizo-o enquanto ele ecoa de mansinho no mais diminuto sussurro copiosamente
Desenho-o à tangente esquizofrênica das palavras caladas, resignadas…silenciosamente

Frederico de Castro
👁️ 63

Biblioteca do tempo


Ao colo da noite nutri a escuridão boquiaberta e voraz
Acorrentei cada breu divagando, divagando felino e sequioso
Andrajei a alma com farrapos de um lamento quase insidioso

Pela face dos céus escorre uma lágrima agourenta e auspiciosa
Despedaça-se no desfiladeiro das palavras carentes serenas e maviosas
Assim se faz o abecedário poético das carícias ardentes, famintas e grandiosas

Na surrealidade dos desejos temporãos algema-se uma prece tão ansiosa
Na biblioteca do tempo resgatam-se todas as horas deslumbrantes e contenciosas
Ali jaz um esfaimado e suculento silêncio perdido na lividez da noite senil e cerimoniosa

Frederico de Castro
👁️ 133

A megalomania do silêncio


Expande-se o silêncio codificado por um
Transeunte olhar majestoso, sereno e confidente
Qual sniper atira certeiro no cílio das palavras insurgentes

A noite megalómana circunda a retórica de um uivo atraente
Venera a escuridão pousada na haste das preces mais urgentes
Aconchega-se ao colo dos murmúrios quânticos fecundos e plangentes

Frederico de Castro
👁️ 90

Escaler


Flutua pelo horizonte esta luz felina 
carente e oleaginosa
Navega de mansinho numa profusão 
de ondas endovenosas
De tarde transfunde-se numa brisa amena 
colorida de sóis serenos expatriados e sumptuosos

Frederico de Castro
👁️ 74

Gemidos



Ali se esvai uma angústia indisfarçável
Um silêncio macabro e quase deplorável
Nos olhos, duas lágrimas fluindo 
Pelas crateras de um gemido 
Desolado, pesaroso e inexorável…

Frederico de Castro
👁️ 69

Comentários (3)

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asdfgh
asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh
asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp
ania_lepp
2017-11-04

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!