Lista de Poemas
Claustros da noite
Entre os claustros da noite está pousado
um luar gemendo qual recluso eco devastado
Nos aposentos da escuridão resta um afago que
mui serenamente amplia a solidão ali recostada
No ascetério celestial todas as palavras meditam
apregoando cânticos enamorados…tão inebriantes
Com devoção quase devastadora fazem súplicas
aos silêncios jungidos por preces mais exuberantes
Frederico de Castro
Banquete da solidão
Uma alucinante e anárquica solidão flertou cada hora
Que além desgastada, dormita sobre os escombros do
Tempo tão senil, tão envelhecido e quase, quase escarnecido
Numa barafunda de palavras escrevinho meus versos que
Farram numa alquimia de lamentos tão crápulas e desconcertados
Perpassam com afinco os mais espalhafatosos sonhos tão asfixiados
Assim se banqueteia o tempo numa patuscada de uivos e urros escavacados
Alimentam o bacanal de brisas perfumando todas as angústias rechaçadas
E naquele bailado etéreo desnudam uma bulha de gargalhadas ébrias e esfomeadas
Frederico de Castro
Poesia-me
para a Carla
Poesia-me com palavras bailando no palato
literário de um afago expedito, porque
sois o plectro onde clono todos os meus
silêncios mais marginais e aflitos
A musa insinuante que no cio adentra e
fecunda a placenta dos prazeres aqui manuscritos
Frederico de Castro
Quando fui chuva...
para a Carla
Quando fui chuva alaguei a derme dos teus murmúrios
Tão enamorados, tão translúcidos e quase asfixiados
Umedeci o palato ao tempo com beijos serenos e afortunados
Quando fui chuva encharquei a terra com mil gotas de um
Afago deambulando com cortesia pelo manto das preces ostensivas
Além onde jaz de joelhos aquela luminescência cerimoniosa e definitiva
Quando fui chuva deixei coar nos céus um liquidificante eco arrogante
Embriaguei-me com tantos aguaceiros tão profanos e tão litigantes
Até que um silêncio algoz penetrasse nesse sensitivo sorriso inebriante
Quando fui chuva inundei os beirados da minha solidão discreta e dissimulada
Enchi as caleiras do silêncio que gotejavam na cisterna das palavras apaixonadas
E com lassidão acolhi um dilúvio de carícias escorrendo pelo parapeito das horas aladas
Frederico de Castro
À porta do sol
para a Carla e Noemi
À porta do sol estende-se a tarde
Elegante, serena e refastelada
Ali, um latente e estarrecido silêncio
Esboroa-se biselado pelo estertor da
Solidão e de um poente revigorado e sedutor
Frederico de Castro
Vou domar-te o luar
para a Carla
Vou domar o luar e deixar em frenesi a noite exsudada e afável
Ser hospitaleiro das estrelas que caramelizadas brilham e além
Flamejam num volátil sussurro harmónico e tão…tão inescrutável
Enquanto a escuridão refastelada, seduz um breu quase insaciável
Frederico de Castro
Breu danado
De cansaço vai dormir o dia tão emocionado
Quisera eu senti-lo inteiro pra mim asfixiado
Assim como dormita a noite e aquele breu danado
E nós exaustos doarmo-nos coniventes e apaixonados
Frederico de Castro
Silêncio intrínseco
Neste silêncio interno circula uma magmático eco tão conciso
Desata os nós a um extenso lamento tão axiomático e narciso
Alimenta o mais incontestável e lacónico desejo infalível e faminto
Um peculiar e recôndito momento saúda a solidão carente e intrínseca
Intromete-se nas artérias venosas onde circula a saudade tão privativa
Num milésimo segundo aquieta aquela curial e seleta gargalhada ali cativa
Frederico de Castro
Que me importa...
Que importa se a noite na sua coscuvilhice se intrigue
Com esta solidão matreira, tão indiscreta e leviana
E trame uma daquelas tramóias fuxiquentas e insanas
Que importa se a luz se desnude numa querela de breus
Intrometidos na urdidura dos silêncios alcoviteiros e profanos
E nós dois intrigados nos entreguemos num bailado de afagos ufanos
Que importa…pois que importa, se na saudade eu ainda
Engendre uma lânguida e trafulhenta memória tão sedenta
E no mais ávido eco orquestre uma fanfarra de palavras fraudulentas
Que importa se nesta solidão à candonga eu revele a nudez desta
Escuridão polvilhada de murmúrios soezes encrenqueiros…tão matreiros
E depois, bem depois adormeça ao colo de tantos lampeiros silêncios caloteiros
Que me importa...
Frederico de Castro
New Life(nova vida)
Claudica o tempo emaranhado num segundo tão empírico
Dei um sonífero à solidão para que esta adormecesse pousada
No dorso de todos os lamentos profanados, quase quase degradados
Na aldeia dos meus silêncios escuto o timbre de cada sussurro enamorado
Escovo a cabeleira das palavras onde se penteia o dia sereno e imaculado
Assim me lambuzo com brisas regurgitadas por um poente mágico e exaltado
Nova vida será aquela que, sem desacatos romperá clonando e plagiando as
ilusões tão sinóticas e irrepreensíveis, além onde se venera a fé tão grandiosa
E na liturgia das palavras elegantes condecorar a esperança, inata, ilibada…contagiosa
Frederico de Castro
Comentários (3)
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!
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