Escritas

Lista de Poemas

Êxtase intangível


Flutuando pela desordem dos silêncios esquecidos aviva-se
O pavio da escuridão e de um lamento fetichista…tão intimista
Rabisca-se com precisão aquela luminescência carente e estilística

Num êxtase quase intangível o tempo enlaça-se à solidão masoquista
Sufoca lenta e dolorosamente a bordo das palavras perniciosas e fatalistas
Suspira as assepsias da noite tão cirurgicamente aperaltada de chamas terroristas

Frederico de Castro
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Vou conversar com o silêncio


Vou conversar com o silêncio e dizer-lhe quanto estimo o seu silêncio
Deixar que cada indisciplinado segundo além feneça sereno, senil e obstinado
Deixar indiferente um lamento que naufraga a jusante daquele breu acetinado

Vou conversar com o silêncio e aprontar-lhe o leito onde sucumbirá tão apaziguado
Deslizar por um sequioso sussurro desnudo, inquietantemente arisco e camuflado
Imobilizar o tempo que finda transladado por um sereno e tridimensional eco desatinado

Vou conversar com o silêncio e fletar-lhe a solidão chegando subtil, cortês e afável
Rastejar ao longo daquele vassalo desejo que pragueja no seio das palavras tão insaciáveis
Apascentar os gemidos incógnitos, desvendados pelas memórias absurdas e indubitáveis

Frederico de Castro
👁️ 64

E no meio de tanta gente...


Silêncio e tanta gente, esquecida numa multidão de ecos imprecisos
Uma rima castrada apunhalada por silêncios macabros e narcisos
Ver esfumar-se na fronteira do tempo sessenta segundos tão indecisos

E no meio de tanta gente queda e muda, espatifam-se palavras moribundas
Deambulam pelo calabouço das horas impreterivelmente furibundas
Improvisam a indigência das memórias agrilhoadas às noites tão vagabundas

Frederico de Castro
👁️ 88

Ressuscita-me o silêncio


para sempre Gal

Entre complacentes murmúrios o tempo crepita flamejante e altruísta
Encurva-se saudando a manhã que desperta tão saudosa e reformista
Ressuscita-me este silêncio incrustado no parapeito das preces imprevistas

Qual bálsamo transcendente duas brisas perfumam essa voz tão pacifista
Na infinita metamorfose de luz fecunda-se um adeus sereno e coreografista
Assim se apascenta cada hora esvoaçando algemada a um sussurro calculista

Cada segundo magoado ressuscita num amontoado de desejos tão enamorados
Açoitam os paramentos do silêncio ajoelhado no púlpito deste lamento calamitoso
Investem eloquentemente num flamejante e fátuo sussurro sempre auspicioso

Frederico de Castro
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Onde flutua o silêncio


Onde flutua o silêncio flutua o poente ígneo, intenso e irrevogável
Hidrata a derme dos céus com um maremoto de palavras prorrogáveis
Incandesce o dia inundando cada hora com sedentos desejos vulneráveis

Onde flutua o silêncio flutua a margem de um riacho sereno, casto e domesticável
Arqueia os cílios àquele olhar vadio, miscigenando a planície com sonhos tão afáveis
Imigra mui lentamente pela diáspora dos silêncios vibrantes, balsâmicos e incomensuráveis

Frederico de Castro
👁️ 124

Nas profundezas de um instante


No vasto abismo de silêncios hibernam sussurros tão prolépticos
São como latidos de um eco tão irreverentemente esquiço e epilético
O defenestrar de cada gota oceânica fluindo no algeroz dos uivos herméticos

Num instante de tempo todos os instantes colapsam incógnitos efémeros e complacentes
Açucaram a tempestade de palavras tão maviosamente intemporais e prepotentes
Desenham o periélio de cumplicidades amarando a jusante das maresias tão reverentes

Frederico de Castro
👁️ 49

A transitoriedade dos silêncios


Transitoriamente o silêncio mascara a noite que além
Flutua numa metamorfose de luminescências tão enamoradas
Tediosa a escuridão idiossincrática dilui-se entre palavras mendigadas

No cancioneiro do tempo orquestram-se segundos tão espezinhados
Açambarcam das solidões, toneladas de lamentos e sussurros altercados
Desconstroem uma paródia de gargalhadas suspensas num verso volátil e asfixiado

Frederico de Castro
👁️ 86

No pasto dos meus silêncios


No pasto dos meus silêncios renasce o dia frondoso e emancipado
No alfobre das palavras guardo cada centímetro de um sussurro enamorado
Em todos os vácuos do tempo meço a distância entre cada vazio aromatizado

No pasto dos meus silêncios alimenta-se a diabrura contida em cada rima reconciliada
Algema-se a memória tão fecunda e tão prenhe de palavras voláteis e remasterizadas
Ali desaguam numa cachoeira de dóceis gargalhadas fugidias, arrojadas…tão domesticadas

No pasto dos meus silêncios vadiam inclementes aguaceiros de ecos sobredotados
Rondam os horizontes celestiais onde flutuam cristalinos lamentos tão sincronizados
Transformam a metamorfose de cada afago num apaziguante sossego quase insubordinado

Frederico de Castro
👁️ 50

Trem cósmico


Viajando neste trem cósmico a noite ausenta-se no periélio
Da escuridão mais espampanante…mais e mais unissonante
Entre o côncavo e o convexo espelha-se todo este silêncio petulante

Depois de capitulado, cada segundo adormece lisonjeado e ofegante
Aprouve desenhar ele estes versos ardendo no archote de um eco retumbante
E nos céus, por fim, alvorecer um sussurro vindo de mil breus tão desconcertantes

Frederico de Castro
👁️ 27

Tudo passa...até o tempo


Tudo passa…até o tempo por uma fresta de solidões inesgotáveis
Quando entardece dentro da alma o silêncio fenece absurdamente degradável
Desamparam-se pecados e deixa-se alma lavar-se no odre de cada prece lastimável

Tudo passa…até o tempo esquartejado por trilhões de segundos deploráveis
Palavras ardentes são a sequela de tantas desilusões amarguradas e recicláveis
Desagua dos céus um aguaceiro de ecos sorrateiros, atónitos e inconsoláveis

Tudo passa…até o tempo e o mais infecundo sussurro desesperado, hostil e lastimável
O mais furioso tsunami de uivos delapidados pela improficuidade do silêncio incensurável
O latido felino de cada olhar feito arrimo da alma empanturrada de ilusões insaciáveis

Frederi co de Castro
👁️ 63

Comentários (3)

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asdfgh
asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh
asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp
ania_lepp
2017-11-04

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!