Lista de Poemas
Onde caminha o mar...

Caminha o mar sobre as margens da maré tão alta, tão paliativa
Numa amálgama de palavras marulha a maresia ainda mais afetiva
Além uma elástica prece apascenta a fé que brada domada e depurativa
Nos caminhos do mar o tempo navega à bolina de uma brisa exaustiva
Irradia aquele reboliço de ilusões coloridas por ondas de afetos imperativos
Quando intransigente cada hora flerta e lisonjeia um enamorado segundo furtivo
Frederico de Castro
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Entre Novembro e Dezembro

Entre Novembro e Dezembro os dias fenecem ali tão tresmalhados
Emancipam um emaranhado de ecos e silêncios quase acabrunhados
Capturam da escuridão todos os felinos e voláteis breus sempre espezinhados
Entre Novembro e Dezembro o tempo sequestra todo os segundos envergonhados
Interceptam as fronteiras dos céus onde dormita um sussurro sereno e mal-amanhado
Perdura e nutre toda a eternidade da solidão acossada e arrasadoramente e amnistiada
Frederico de Castro
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Horas andarilhas

Horas andarilhas sufragam um naipe de palavras poéticas e harmónicas
Ali todos os ébrios silêncios apaziguam o farfalhar sedento dos céus sinfónicos
Amaram no colo opulento e maiúsculo de tantas indescritíveis emoções polifónicas
Numa hora andarilha flutua o tempo monótono, corroído, quizilento e deprimido
Atrelado à manhã reverbera um estereofónico eco tão magistral, tão compadecido
Emoldura cada devaneio solitário prospetado por um suculento desejo nunca ressarcido
Frederico de Castro
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MIRAGENS

Numa louca miragem a noite desfragmenta-se num breu imensurável
Povoa com imortais sussurros todo este silêncio, fraterno abissal e inesgotável
Boquiaberta a solidão espreguiça-se num imenso oceano de palavras reconciliáveis
Desentorpecido e impermeável o tempo flutua fluidificante ameno e domesticável
Fidedigna a negritude apascenta o horizonte flatulento extruso e felinamente inconsolável
Abeira-se de um maligno e moribundo silêncio estilhaçado, tão enferrujado…tão dispensável
A bordo desta escuridão enfurecida esvoaça a noite puída, trespassada…quase asfixiada
Debrua e tempera as margens territoriais onde dormita uma fluorescência tão excitada
Deixa que férteis restos do tempo irrompam e saqueiem cada bruma lasciva e atordoada
Frederico de Castro
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Solidão a dois

Nesta solidão a dois esbraceja o dia prenhe de uivos rudes e insensíveis
Coesos, todos os lamentos vadiam a milímetros da solidão tão horrível
Sem guarida as palavras embebedam-se no mosto dos silêncios indefiníveis
Nesta solidão a dois o tempo deixa ruborizados todos os beijos ainda impossíveis
Com destreza e valentia afaga as lágrimas caindo qual colírio das horas remíveis
Sibila com a elegância hiperproteica das palavras fluindo num etéreo segundo inaudível
Frederico de Castro
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Êxtase intangível

Flutuando pela desordem dos silêncios esquecidos aviva-se
O pavio da escuridão e de um lamento fetichista…tão intimista
Rabisca-se com precisão aquela luminescência carente e estilística
Num êxtase quase intangível o tempo enlaça-se à solidão masoquista
Sufoca lenta e dolorosamente a bordo das palavras perniciosas e fatalistas
Suspira as assepsias da noite tão cirurgicamente aperaltada de chamas terroristas
Frederico de Castro
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Vou conversar com o silêncio

Vou conversar com o silêncio e dizer-lhe quanto estimo o seu silêncio
Deixar que cada indisciplinado segundo além feneça sereno, senil e obstinado
Deixar indiferente um lamento que naufraga a jusante daquele breu acetinado
Vou conversar com o silêncio e aprontar-lhe o leito onde sucumbirá tão apaziguado
Deslizar por um sequioso sussurro desnudo, inquietantemente arisco e camuflado
Imobilizar o tempo que finda transladado por um sereno e tridimensional eco desatinado
Vou conversar com o silêncio e fletar-lhe a solidão chegando subtil, cortês e afável
Rastejar ao longo daquele vassalo desejo que pragueja no seio das palavras tão insaciáveis
Apascentar os gemidos incógnitos, desvendados pelas memórias absurdas e indubitáveis
Frederico de Castro
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E no meio de tanta gente...

Silêncio e tanta gente, esquecida numa multidão de ecos imprecisos
Uma rima castrada apunhalada por silêncios macabros e narcisos
Ver esfumar-se na fronteira do tempo sessenta segundos tão indecisos
E no meio de tanta gente queda e muda, espatifam-se palavras moribundas
Deambulam pelo calabouço das horas impreterivelmente furibundas
Improvisam a indigência das memórias agrilhoadas às noites tão vagabundas
Frederico de Castro
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Onde flutua o silêncio

Onde flutua o silêncio flutua o poente ígneo, intenso e irrevogável
Hidrata a derme dos céus com um maremoto de palavras prorrogáveis
Incandesce o dia inundando cada hora com sedentos desejos vulneráveis
Onde flutua o silêncio flutua a margem de um riacho sereno, casto e domesticável
Arqueia os cílios àquele olhar vadio, miscigenando a planície com sonhos tão afáveis
Imigra mui lentamente pela diáspora dos silêncios vibrantes, balsâmicos e incomensuráveis
Frederico de Castro
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Ressuscita-me o silêncio

para sempre Gal
Entre complacentes murmúrios o tempo crepita flamejante e altruísta
Encurva-se saudando a manhã que desperta tão saudosa e reformista
Ressuscita-me este silêncio incrustado no parapeito das preces imprevistas
Qual bálsamo transcendente duas brisas perfumam essa voz tão pacifista
Na infinita metamorfose de luz fecunda-se um adeus sereno e coreografista
Assim se apascenta cada hora esvoaçando algemada a um sussurro calculista
Cada segundo magoado ressuscita num amontoado de desejos tão enamorados
Açoitam os paramentos do silêncio ajoelhado no púlpito deste lamento calamitoso
Investem eloquentemente num flamejante e fátuo sussurro sempre auspicioso
Frederico de Castro
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