Solidão a dois
Frederico de Castro

Nesta solidão a dois esbraceja o dia prenhe de uivos rudes e insensíveis
Coesos, todos os lamentos vadiam a milímetros da solidão tão horrível
Sem guarida as palavras embebedam-se no mosto dos silêncios indefiníveis
Nesta solidão a dois o tempo deixa ruborizados todos os beijos ainda impossíveis
Com destreza e valentia afaga as lágrimas caindo qual colírio das horas remíveis
Sibila com a elegância hiperproteica das palavras fluindo num etéreo segundo inaudível
Frederico de Castro
Português
English
Español