Lista de Poemas

MINHA DOCE MENINA

De tudo o que importa nessa vida
Sua lembrança em meu último suspiro
Minha Lua, doce Lua minha
Em sua estrada havia atalhos
Que Fizeram meus olhos caminharem em seus olhos
Quando você nasceu, morri
Minha vida esvaiu-se
Vi seu choro me abraçando
E o seu olhar me beijando.
E te abracei como nunca,
Te beijei como nunca, Lua Estrela!
Ah, quem me dera te ver correndo
A perder de vista encontrando a felicidade!
Quem me dera te ver correndo
Para os meus braços nesse mundo frágil…
Você foi minha guerreira imortal
A luta não foi em vão
Linda é sua coroa!
Fez-me ver o invisível
E era tanta luz a te envolver!
Nasceu para cumprir a eterna felicidade
Para banhar-me de luz
E eu estando morto, revivesse
Sempre te alcançarei minha menina
Até então te vejo de longe
Para te encontrar sempre
Sempre e sempre andaremos juntos…
  *(em memória)
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CONFESSO MINHA LUTA COM A VONTADE

Confesso minha luta com a vontade
Nos dias que se passam, a tudo quero fazer
Mas, o que há em mim, fazendo-me crer
Se no tentar o fazer, só faço a metade?

Isso aborrece minha consciência
Visto que, de tal ânimo é o querer
Mas o desejo desfaz-se a perder
E se debanda sem dó, nem clemência

Que eu termine, ao menos, estes versos
Seja por vontade ou obrigação
Pois, que nessa noite meu coração
Perdido está em sonhos dispersos 
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LEMBRA-ME

Lembra-me
Por favor, de hoje e sempre
Das coisas que tu me falas
Tão mansinho e verdadeiro
Teus olhos me falam
Afagando a minha face 

Lembra-me desse nosso lar
Simples e sublime, como as asas de Deus
Que nos aquece da fria solidão
Da minha promessa de fazer-te sorrir
Da simplicidade da vida, que é poesia
Que sem ela, fracassarei em fazer-te feliz

Lembra-me dos versos de hoje
Que escrevo nessa linha chamada tempo
Para eu sentir meu passado presente…

Porque a mim agora só me resta escrever
O pouco que sobrou 
As lembranças que perduraram ao tempo
As outras se foram e não sei mais o caminho
São como se não houvesse…

Lembra-me de mim, ainda que pouca coisa
Do muito que tu sempre serás:
Meu maior fragmento que ainda vivo 

Porque agora só resta a mim o que tu me lembrares
Só resta a mim, vislumbrar quando tu me olhares
Só resta a mim, completar quando tu me devolveres
Só resta a mim me achar quando tu me encontrares…

Por tudo, enfim, te peço: lembra-me
Lembra-me de eu guardar num livro
As folhas do meu coração
Para que, se algum dia alguém quiser saber
Se algum dia, tu sentires saudades de mim
E, se tu mesmo quiseres me encontrar
Saibas onde estou…
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SOTURNO

Nunca pensei a sofrer pelo engasgo das palavras
Vem à minha garganta e tão somente um refugo
Volta ao coração e faz moradia…

 

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SENTADO SOB O IPÊ

sentado sob o ipê
folhas caem sobre mim
uma encosta suave no meu peito
como fosse seu rosto
o vento outonal logo a leva
impregnada de paixão
pretensiosa a te tocar
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SÓ DESEJO TRÊS COISAS

Só desejo três coisas
Primeiro a primavera florida com teus beijos
Segundo o verão com o ardor dos teus abraços
Terceiro que o outono chegue o mais rápido possível
Nele juntaremos nos lívidos dias
Toda a paixão das estações para nos aquecermos no inverno
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LACUNA

É uma sensação estranha

O tempo segue

Aí vem a saudade

E ele para...
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HÁ UM ANJO AO MEU LADO

há um anjo ao meu lado
ele sopra e eu o escuto:
você não está só…
talvez seja essa a razão 
O motivo de agarrar-me a essa corda…

há um anjo ao meu lado
e às vezes, ele me carrega no colo  
talvez seja essa a razão 
de seguir sentindo-me acolhido…

há um anjo ao meu lado
e ele vai à frente com um escudo
talvez seja essa a razão
de eu chegar até aqui…

meu Deus! Sabia que eu era fraco
quando eu me enganava sendo forte…

o seu abandono me fez ciente
as suas razões foram justas
grande é o mundo e enganador é o coração…

minha fé é tão pequena…
mas ainda assim, quero acreditar
Que há um anjo ao meu lado…
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NO TEMPO DOS MEUS DIAS DE MARÇO

No tempo dos meus dias de março
Eu ainda menino a sugar o mato
Ficava agachado à tardinha
Esperando a chuva, olhando se ela vinha. 

O equinócio me dava as boas-vindas
Tempo de igualdade e reflexão…
E eu sem entender, andava a refletir
Espiando o céu, sem saber do existir

O vento me soprava na cara
Baforando o solene ‘está vindo,
As nuvens negras cheias d’águas caindo’
E as janelas aplaudindo o outono
Retiravam o verão de seu trono
Mesmo não entendendo, eu sentia                                                          
O céu me envolvendo como uma fantasia
Sem o peso de agora, nada era antigo
(ainda que velho), e o tempo era amigo

No tempo dos meus dias de março
A alegria era natural e eu não percebia
A tristeza normalmente eu não via
Mas estavam lá, lado a lado
Traçando os dias do meu não saber

Hoje observo meus dias 
Com os olhos cientes da vida
Sem inocência, foi-se a despedida
De mais um ano de verão
Foi-se o agachar e a reflexão
Foi-se o menino que sugava o mato
Foi-se o viver em anonimato

Hoje, inquieto, olho meus dias                                                                                 
E me pergunto: onde estão as alegrias?
Em qual canto as larguei?
Por muitos cantos passei
Sem refletir e olhar as nuvens…

Hoje percebo tudo religiosamente
E por mais que seja novo, diferente
Não sinto mais o sabor de antes
Meu tempo de agora falta sal
Diferentemente, tudo é tão igual! 

Por que, meu Deus, meu hoje é insosso?                                                                   
Por que não me agacho mais na inocência
De uma etérea experiência?
Ah! Que eu me suporte até a morte
Pela realidade de meus dias…

Ao menos me deste a compreensão                                                               
Do meu refletir saciando minha alma
A consciência daquilo que eu vivia
E que, por completo, me preenchia
Ao menos o conforto dessa lembrança…
Que dias me deste quando criança!

As cores dançavam comigo no meio
Das dificuldades da vida, estava alheio
Aqueles encontros comigo em contentamento
Eram dias de meu alento, de enlevação
Imprimidos no meu coração
Contemplando o céu, uma festa eu vivia
No tempo dos meus dias de março!

 

 

 

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MUNDO EM TRANSFORMAÇÃO

Enquanto ouço o silêncio aportado
Um grito ecoa no mundo
Tão persistente que ensurdece
Tão loucamente, e padece
Na utopia desprezada
O silêncio arregalado vela
A insuportável dor da perfeição

Ah! Se essa fábula existisse
As lágrimas seriam de amor
A criança não sentiria dor...
Ah! Se o mundo soubesse
O que fazemos escondidos
Não haveriam feridos
Nem as matas queimariam...

Com o silêncio aportado
Da janela, vejo o sombrio
Um passado que não se apaga:
Ossos andando pelos campos

O passado, às vezes, são como galhos secos
Numa memória contida por baques
É como uma rua com vários becos
Como uma pena sofrendo ataques

Uma vida nova no mundo
Não faz o passado morrer

Porque no mundo está a ruína
Do sangue que traz a herança
A mim só resta a morfina
E não perder a esperança
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