Lista de Poemas
varal
PALAVRASãOENSINADAS
COISASãOENSIMESMADAS
POEMAMBIVALêNCIA
VARALPARAPALAVRAS
👁️ 511
poeira
após o princípio foi a palavra
caindo sobre tudo
partícul-
a
partícula
letr-
a
letra
até que nada restasse
à vista
exceto a língua
cobrindo o mundo
camad-
a
camada
opaca como poeira
👁️ 501
sobre o pó
do pó ao po
eta
per
vers
a o
poe
sia ma
👁️ 528
posto
novos templos
e um armazém de energia líquida
ali, no posto de abastecimento do bairro novo
ao abrigo de um excesso de água ofendida
(deus que o Capitalismo não aplaca)
à espera do transporte que me leva
de urbe a outra
a cidade se deixa observar, circula
a energia vira palavras, transmuda
👁️ 498
uma viagem solitária
apesar
da paisagem
a poesia su-
porta o pesar
por só estar-
mos
de passagem
👁️ 455
erosão
Abraçamo-nos na chuva fina,
nesta praia cujo nome indígena
teria lugar num poema de palavras e rimas raras,
não aqui, nalgum ponto do litoral norte,
nalgum instante entre o agora do texto
e o tempo em que emergia do mar, deste Atlântico
sempre o mesmo, o primeiro ser a se arrastar solitário,
sem poesia só desejo na areia outrora cascalho.
Mas então um abraço é tudo o que temos,
apesar dos braços cansados.
Por tudo o que perdemos,
por tudo o que perderemos - por todos os espelhos
quebrados em busca do inatingível fundo opaco -,
tornamo-nos cinza com o passar dos milênios,
não sentimos falta de um poente,
desmanchamos na água de onde viemos.
👁️ 575
smile
in multimidia res perpétuo
porque gotas-começo e gotas-fim tornam-se
um só jorro-presente quando o tempo inveja a luz
aquele que prefere imagens a palavras (a[na]lógicas
mesmo em prosa palavras jamais alcançam alta-definição)
é o mesmo que faz (palavras) cruzadas à lápis
sente emoções via emoticons
e assistirá ao apocalipse catódico-cristão vestindo óculos 3D
(eis a imagem: o mundo acabando num ataque epilético
sob um sol estroboscópico com forma de :-)
👁️ 488
chuvisco
no disco
ao raio da agulha
condensa-se o silêncio
corre o chuvisco
quase-música
.............................
nas alturas
ao raio de Zeus
cai a chuva
fria
úmida
tédio
sobre prédios
👁️ 551
se
tudo tem sua razão de se
👁️ 536
vela
à luz da vela
lábios
lágrimas
(cera em queda)
ao sopro do vento
verbos
treva
(que queda
re
vela)
👁️ 512
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Fábio Romeiro Gullo (1980, Santos, SP, Brasil) é escritor, tradutor, crítico literário e artista multimídia, com textos e trabalhos visuais publicados em sites, blogs e revistas eletrônicas.
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