Lista de Poemas
Total de poemas: 6
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Ela
Ela
tirou-me das mãos a bússola
algemou-me o olhar
com seus olhos verdes
esmeralda de cio
Ela
lançou-me ácido sulfúrico
com a cintura fina
e rabo assassino
que de tão excitado
derreti-me
Ela
tinha línguas de fogo
a sairem-lhe do peito
trazia o vento na boca
incendiou-me
Ela
como uma puta que passava
ouvi a culatra retráctil
deu-me um tiro
deixou-me estendido
a esvair-me em sémen
na rua da imaginação
tirou-me das mãos a bússola
algemou-me o olhar
com seus olhos verdes
esmeralda de cio
Ela
lançou-me ácido sulfúrico
com a cintura fina
e rabo assassino
que de tão excitado
derreti-me
Ela
tinha línguas de fogo
a sairem-lhe do peito
trazia o vento na boca
incendiou-me
Ela
como uma puta que passava
ouvi a culatra retráctil
deu-me um tiro
deixou-me estendido
a esvair-me em sémen
na rua da imaginação
👁️ 93
Cona Lisa
remove o medo do corpo
confia em mim serei
meticuloso jardineiro
tratarei do teu
íntimo vergel bravio
abre-te como se fosses um livro
como se fosses Les Fleurs du Mal
e eu te fosse avidamente
ler, ler, ler, ler, ler
confesso-te sinto
um prazer mórbido
quando faço a tua intimidade
não és bonsai bem sei
não sou sensei mas sou
quem ávido te deseja
quase besta animalesca
serás a minha obra prima
serás a minha Cona Lisa
verás melhor depois de tudo
serás a Górgona que
tudo petrifica quem a olha
de frente ou de lado
vejo-te hesitante no rosto
folha indecisa trémula
de choupo sossega, Medusa
a água quente chegará
gemes já do jacto vigoroso
o estímulo nesta fase é valioso
a espuma ajuda neste ofício
a lâmina fria na mão
raspo, raspo, como é bela
como pulsa, como é tórrida
como é mágica, como é vida
como
gemes novamente, folheio
o livro aberto
com saliva deslizo
como um trenó na neve
minha Cona Lisa
confia em mim serei
meticuloso jardineiro
tratarei do teu
íntimo vergel bravio
abre-te como se fosses um livro
como se fosses Les Fleurs du Mal
e eu te fosse avidamente
ler, ler, ler, ler, ler
confesso-te sinto
um prazer mórbido
quando faço a tua intimidade
não és bonsai bem sei
não sou sensei mas sou
quem ávido te deseja
quase besta animalesca
serás a minha obra prima
serás a minha Cona Lisa
verás melhor depois de tudo
serás a Górgona que
tudo petrifica quem a olha
de frente ou de lado
vejo-te hesitante no rosto
folha indecisa trémula
de choupo sossega, Medusa
a água quente chegará
gemes já do jacto vigoroso
o estímulo nesta fase é valioso
a espuma ajuda neste ofício
a lâmina fria na mão
raspo, raspo, como é bela
como pulsa, como é tórrida
como é mágica, como é vida
como
gemes novamente, folheio
o livro aberto
com saliva deslizo
como um trenó na neve
minha Cona Lisa
👁️ 66
Na praia
Sinto a tua falta
de fazer-te sombra
e silêncio
que céu azul este
que mar aquele
sou espectro que navega
a aurora boreal
masturbou-se
tingiu a noite de cor
é assim que te vejo
fogo de artifício
onde estou inteiro
ao meu lado a frescura
do lençol
a solidão a vir-se
os teus lábios
estavam no sonho
sufocavam-me
cerro os olhos
encontro teu corpo
nácar das conchas
tens o delírio
das algas e limos
molhados e líricos
que incêndio houve
depois da língua
tornar-se intrusa
as dunas são nada
não têm refúgios
nem esconderijos doces
as tuas palavras
os teus comentários
o calor das coxas
são sonhos desfeitos
na espuma das horas
salgadas do mar
não podia levantar-me
levantei-me ao sol
petrifiquei de ti
quando a maré sobe
recuo. Um dia serei
o mar e tu as rochas
de fazer-te sombra
e silêncio
que céu azul este
que mar aquele
sou espectro que navega
a aurora boreal
masturbou-se
tingiu a noite de cor
é assim que te vejo
fogo de artifício
onde estou inteiro
ao meu lado a frescura
do lençol
a solidão a vir-se
os teus lábios
estavam no sonho
sufocavam-me
cerro os olhos
encontro teu corpo
nácar das conchas
tens o delírio
das algas e limos
molhados e líricos
que incêndio houve
depois da língua
tornar-se intrusa
as dunas são nada
não têm refúgios
nem esconderijos doces
as tuas palavras
os teus comentários
o calor das coxas
são sonhos desfeitos
na espuma das horas
salgadas do mar
não podia levantar-me
levantei-me ao sol
petrifiquei de ti
quando a maré sobe
recuo. Um dia serei
o mar e tu as rochas
👁️ 99
A Uva
a uva tem no interior
a suavidade igual à tua
quando a como
faço-lhe um corte incisivo
divido-a em dois
enteso a língua
e rigoroso removo
a semente amarga
tornando-a nua
às vezes enfio um dedo
sabendo que a uva
aprova que a perfurem
é igual a ti a suavidade
o veludo molhado
fenda cor de rosa
pressiono para ter
o esguicho do sumo
da uva na boca
a suavidade igual à tua
quando a como
faço-lhe um corte incisivo
divido-a em dois
enteso a língua
e rigoroso removo
a semente amarga
tornando-a nua
às vezes enfio um dedo
sabendo que a uva
aprova que a perfurem
é igual a ti a suavidade
o veludo molhado
fenda cor de rosa
pressiono para ter
o esguicho do sumo
da uva na boca
👁️ 54
Os dedos
os dedos trabalham
os dedos estimulam
pressionam orvalham
flagelam mergulham
enfiam-se dentro
se encontram buracos
apertam mamilos
alisam didácticos
os dedos salivam-se
perfuram escavam
penetram no fundo
subindo as escadas
os dedos procuram
langor perfumado
no ponto vibrantes
os dedos alargam
os dedos exploram
cavernas e grutas
encharcam exaltam
tacteiam o escuro
os dedos provocam
os dedos saturam
os dedos fodem
os dedos graduam
mais dedos se abrem
esgravatam perfuram
cobrem-se os dedos
de húmidas flores
os dedos dedilham
fervilham por dentro
vibrando nas cordas
no fundo mais fundo
os dedos enfiam-se
nos recônditos sítios
entrelaçam-se, chupam-se
trazem-nos o gosto
os dedos escrevem
versos obscenos
frases lascivas
da intimidade
os dedos estimulam
pressionam orvalham
flagelam mergulham
enfiam-se dentro
se encontram buracos
apertam mamilos
alisam didácticos
os dedos salivam-se
perfuram escavam
penetram no fundo
subindo as escadas
os dedos procuram
langor perfumado
no ponto vibrantes
os dedos alargam
os dedos exploram
cavernas e grutas
encharcam exaltam
tacteiam o escuro
os dedos provocam
os dedos saturam
os dedos fodem
os dedos graduam
mais dedos se abrem
esgravatam perfuram
cobrem-se os dedos
de húmidas flores
os dedos dedilham
fervilham por dentro
vibrando nas cordas
no fundo mais fundo
os dedos enfiam-se
nos recônditos sítios
entrelaçam-se, chupam-se
trazem-nos o gosto
os dedos escrevem
versos obscenos
frases lascivas
da intimidade
👁️ 124
Dido Erótica
A pele de luar, a túnica translúcida
saía-lhe das coxas a orquídea molhada
um tecido nas pétalas de esparsas gotículas
o pudor metia-o de lado, estimulava-se
de íntimas carícias femininas que, só elas
sabem onde lhes caberá melhor o prazer,
através dos carinhosos dedos mágicos
agitando as águas ou atiçando o fogo
com dedos no vértice da vagina
há grutas e segredos que só as mulheres
conhecem, perfumes marinhos perfumam
o ar de fragrâncias doces, o sangue o suor
na dança Dido erótica de pele primaveril
sob o lençol branco inundado de luar
como impregna o ar de húmidos delírios
como se enrola e desdobra como se enfia
sentindo-se mulher, fêmea luzidia
transforma-se em luz repelindo a treva
da sua boca a sincopada melodia
cardíaca, remexendo lagos de sangue
perde-se no orifício estreito conhecendo-se
mima-se de graça, chove-se de cor
parece andar ali um ser invisível, excita-se
agita-se, toca-se, mexe-se, sufoca-se
espelho dos gestos, a noite decorativa
as sombras espalhadas no chão moveram-se
bruxuleando, como a vela que ela atiçava
de seios acesos, remexia lânguida o Sul
molhando-se no vergel morno e húmido
é quase dia, é quase tempo de a aurora abrir-se ao sol
saía-lhe das coxas a orquídea molhada
um tecido nas pétalas de esparsas gotículas
o pudor metia-o de lado, estimulava-se
de íntimas carícias femininas que, só elas
sabem onde lhes caberá melhor o prazer,
através dos carinhosos dedos mágicos
agitando as águas ou atiçando o fogo
com dedos no vértice da vagina
há grutas e segredos que só as mulheres
conhecem, perfumes marinhos perfumam
o ar de fragrâncias doces, o sangue o suor
na dança Dido erótica de pele primaveril
sob o lençol branco inundado de luar
como impregna o ar de húmidos delírios
como se enrola e desdobra como se enfia
sentindo-se mulher, fêmea luzidia
transforma-se em luz repelindo a treva
da sua boca a sincopada melodia
cardíaca, remexendo lagos de sangue
perde-se no orifício estreito conhecendo-se
mima-se de graça, chove-se de cor
parece andar ali um ser invisível, excita-se
agita-se, toca-se, mexe-se, sufoca-se
espelho dos gestos, a noite decorativa
as sombras espalhadas no chão moveram-se
bruxuleando, como a vela que ela atiçava
de seios acesos, remexia lânguida o Sul
molhando-se no vergel morno e húmido
é quase dia, é quase tempo de a aurora abrir-se ao sol
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