Escritas

Na praia

eugenio
Sinto a tua falta
de fazer-te sombra
e silêncio

que céu azul este
que mar aquele
sou espectro que navega

a aurora boreal
masturbou-se
tingiu a noite de cor

é assim que te vejo
fogo de artifício
onde estou inteiro

ao meu lado a frescura
do lençol
a solidão a vir-se

os teus lábios
estavam no sonho
sufocavam-me

cerro os olhos
encontro teu corpo
nácar das conchas

tens o delírio
das algas e limos
molhados e líricos

que incêndio houve
depois da língua
tornar-se intrusa

as dunas são nada
não têm refúgios
nem esconderijos doces

as tuas palavras
os teus comentários
o calor das coxas

são sonhos desfeitos
na espuma das horas
salgadas do mar

não podia levantar-me
levantei-me ao sol
petrifiquei de ti

quando a maré sobe
recuo. Um dia serei
o mar e tu as rochas