Escritas

Cona Lisa

eugenio
remove o medo do corpo
confia em mim serei
meticuloso jardineiro 
tratarei do teu 
íntimo vergel bravio

abre-te como se fosses um livro
como se fosses Les Fleurs du Mal
e eu te fosse avidamente
ler, ler, ler, ler, ler

confesso-te sinto
um prazer mórbido
quando faço a tua intimidade
não és bonsai bem sei
não sou sensei mas sou
quem ávido te deseja
quase besta animalesca

serás a minha obra prima
serás a minha Cona Lisa
verás melhor depois de tudo
serás a Górgona que
tudo petrifica quem a olha
de frente ou de lado

vejo-te hesitante no rosto
folha indecisa trémula 
de choupo sossega, Medusa
a água quente chegará
gemes já do jacto vigoroso
o estímulo nesta fase é valioso
a espuma ajuda neste ofício
a lâmina fria na mão
raspo, raspo, como é bela
como pulsa, como é tórrida
como é mágica, como é vida
como
gemes novamente, folheio
o livro aberto
com saliva deslizo
como um trenó na neve
minha Cona Lisa